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  • OTS 6,521

Remuneração e carreira, as armas para reter talento

  • Jornal de Negócios
  • Imprensa
  • João Maltez
  • 9/30/2021
  • 5 min

Remuneração e carreira, as armas para reter talento Para atrair e reter talento, remuneração e carreira contam, mas não bastam O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, estudar e adquirir experiência no estrangeiro ou responder às preocupações com a sustentabilidade são fatores que pesam quando o objetivo é reter novos talentos. João Maltez | [email protected] Quando está em causa atrair ou reter novos talentos profissionais, importa ter em atenção, dizem os próprios e os responsáveis pelos recursos humanos das sociedades de advocacia, que aos jovens advogados não lhes basta um bom plano de carreira e uma boa remuneração, aspetos de que não prescindem. O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, estudar e adquirir experiência no estrangeiro ou as preocupações com a sustentabilidade e a transformação digital são também fatores a ter em conta. “Os desafios que as sociedades de advogados enfrentam hoje para atrair, mas especialmente reter, bons jovens profissionais são muito mais complexos do que os que existiam há uma ou duas décadas. Em primeiro lugar porque aos jovens, não lhes basta uma boa remuneração e um plano de carreira, mesmo não prescindindo de ambos”, explica Susana Santos Valente, sócia e responsável do pelouro de recursos humanos da sociedade PRA. Segundo a mesma advogada, a componente da vida pessoal é essencial, “mas não abdicam de ter novas experiências e de abraçar novos desafios. É por isso essencial, para reter talento, que a sociedade de advogados consiga manter a atividade profissional desafiante, inovadora, próxima e interativa, mas igualmente flexível na conjugação com a vida pessoal”. Distinguida este ano pelo seu trabalho na área do imobiliário no âmbito dos prémios anuais “Forty under 40”, da “Iberian Lawyer”, Raquel Galinha Roque, sócia da CRS, sustenta que os jovens advogados querem, hoje em dia, “sentir que fazem realmente parte de uma equipa e que o seu contributo tem um impacto positivo no cliente”. Não prescindem, contudo, da “estabilidade profissional, pois traz segurança, confiança e conforto”. Sócia e responsável pelo programa de recrutamento da Abreu Advogados, Alexandra Courela, sublinha que “as novas gerações são, e ainda bem que assim é, mais exigentes e procuram ser parte integrante e contribuir ativamente para a equipa desde o primeiro momento em que entram numa sociedade de advogados”. A estes fatores, defende Alexandra Courela, há a juntar também “a importância que a hipótese de internacionalização, de estudar e trabalhar fora e, desta forma, conhecer o mundo, tem vindo a ganhar no âmbito da atração e retenção de talento, fruto de um mundo cada vez mais globalizado e multicultural”. João Santos Carvalho, sócio da SRS na área de bancário e financeiro, cuja equipa foi também premiada no âmbito dos “Forty under 40”, sustenta que a “atração e retenção de talentos jovens está hoje particularmente dependente da capacidade do escritório para dar resposta a aspetos que vão bem além do plano de carreira, em particular, assegurar um efetivo ‘work life balance’, dispor de um modelo de trabalho flexível e, talvez de maior relevância no médio-longo prazo, ser ator de desenvolvimento em temas que assumem verdadeira centralidade para as novas gerações, muito em particular, os da sustentabilidade e transformação digital”. Carla Góis Coelho, sócia da PLMJ na área de resolução de litígios e outra das advogadas distinguidas pelos prémios da “Iberian Lawyer”, admite que num escritório da dimensão daquele em que trabalha, “um plano de carreira atrativo, transparente e ambicioso é incontornável”. Mas hoje não chega, sublinha, assegurando que no seu escritório há o compromisso de entregar “a esta geração e à que se segue aquilo de que os jovens precisam para se sentirem realizados do ponto de vista profissional e felizes com o papel e espaço que a profissão ocupa nas suas vidas”. ------ Ter direitos e ter vida para além do trabalho A estabilidade financeira e na relação com a sociedade de advogados são fatores que as novas gerações de profissionais não desprezam. Contudo, há hoje em dia outros fatores determinantes de que não prescindem, como a conciliação da vida pessoal com o trabalho que desenvolvem. A estabilidade é um valor que se vai afirmando, à medida que vamos progredindo na carreira e aspirando a coisas diferentes na vida. Maria Zagallo | Sócia da PLMJ. Será relevante no médio-longo prazo, ser ator de desenvolvimento em temas como sustentabilidade e transformação digital. João Santos Carvalho | Sócio da SRS Advogados. As novas gerações [...] procuram contribuir ativamente para a equipa desde que entram numa sociedade de advogados. Alexandra Courela | Sócia da Abreu Advogados. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é bastante importante para o desempenho e apresentação de resultados. Raquel Galinha Roque | Sócia da CRS. Além da valorização da estabilidade como fator determinante para retenção do talento, a flexibilidade tem sido valorizada. Solange Fernandes | Associada da SRS Advogados. É essencial [...] que a sociedade consiga manter a atividade profissional desafiante [...], mas flexível na conjugação com a vida pessoal. Susana Santos Valente | Sócia da PRA. Um plano de carreira atrativo, transparente e ambicioso é incontornável. Mas hoje sabemos que não chega. Carla Góis Coelho | Sócia da PLMJ. ------ Advocacia nacional com 18 distinções Têm idade inferior a 40 anos e, individualmente, ou em equipa, distinguem-se nas suas áreas de prática do direito. O trabalho feito pelos advogados nesta faixa etária é anualmente analisado pela “Iberian Lawyer”, revista internacional especializada nas questões da assessoria jurídica, que premeia, no âmbito da iniciativa “Forty under 40” quatro dezenas de profissionais desta área em Espanha e em Portugal. Para o nosso país vieram, este ano, 18 distinções, seis de equipas e as restantes individuais. Private equity- Diana Ribeiro Duarte, advogada sénior da Morais Leitão Mercado de capitais- Orlando Vogler Guiné, associado coordenador da área de Bancário & Financeiro da VDA Bancário e financeiro- João Santos Carvalho, sócio da SRS Advogados Equipa de bancário e financeiro- Equipa da Morais Leitão Equipa de arbitragem- Equipa da VDA Litigância - Carla Góis Coelho, sócia da sociedade PLMJ na área de resolução de litígios Equipa de direito da energia- CMS Portugal Equipa de direito da concorrência- Equipa da PLMJ Área de fintech- Isabel Pinheiro Torres, associada sénior da Abreu Advogados Imobiliário- Raquel Galinha Roque, sócia-fundadora da CRS Advogados Direito fiscal- Francisco Cabral Matos, associado coordenador da área de Fiscal da VDA Equipa de direito fiscal- Abreu Advogados Ciências da vida e setor farmacêutico- Ricardo do Nascimento Ferreira, sócio da Morais Leitão Direito público- Maria Zagallo, sócia da PLMJ Equipa de direito público- Equipa da Sérvulo & Associados Assessoria a startups- Solange Fernandes, associada da SRS Advogados Equipa para assessoria a startups- Equipa da CCA Law Firm Insolvência e reestruturações- Paula Magalhães dos Santos, associada sénior da PRA

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Remuneração e carreira, as armas para reter talento

Remuneração e carreira, as armas para reter talento Para atrair e reter talento, remuneração e carreira contam, mas não bastam O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, estudar e adquirir experiência no estrangeiro ou responder às preocupações com a sustentabilidade são fatores que pesam quando o objetivo é reter novos talentos. João Maltez | [email protected] Quando está em causa atrair ou reter novos talentos profissionais, importa ter em atenção, dizem os próprios e os responsáveis pelos recursos humanos das sociedades de advocacia, que aos jovens advogados não lhes basta um bom plano de carreira e uma boa remuneração, aspetos de que não prescindem. O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, estudar e adquirir experiência no estrangeiro ou as preocupações com a sustentabilidade e a transformação digital são também fatores a ter em conta. “Os desafios que as sociedades de advogados enfrentam hoje para atrair, mas especialmente reter, bons jovens profissionais são muito mais complexos do que os que existiam há uma ou duas décadas. Em primeiro lugar porque aos jovens, não lhes basta uma boa remuneração e um plano de carreira, mesmo não prescindindo de ambos”, explica Susana Santos Valente, sócia e responsável do pelouro de recursos humanos da sociedade PRA. Segundo a mesma advogada, a componente da vida pessoal é essencial, “mas não abdicam de ter novas experiências e de abraçar novos desafios. É por isso essencial, para reter talento, que a sociedade de advogados consiga manter a atividade profissional desafiante, inovadora, próxima e interativa, mas igualmente flexível na conjugação com a vida pessoal”. Distinguida este ano pelo seu trabalho na área do imobiliário no âmbito dos prémios anuais “Forty under 40”, da “Iberian Lawyer”, Raquel Galinha Roque, sócia da CRS, sustenta que os jovens advogados querem, hoje em dia, “sentir que fazem realmente parte de uma equipa e que o seu contributo tem um impacto positivo no cliente”. Não prescindem, contudo, da “estabilidade profissional, pois traz segurança, confiança e conforto”. Sócia e responsável pelo programa de recrutamento da Abreu Advogados, Alexandra Courela, sublinha que “as novas gerações são, e ainda bem que assim é, mais exigentes e procuram ser parte integrante e contribuir ativamente para a equipa desde o primeiro momento em que entram numa sociedade de advogados”. A estes fatores, defende Alexandra Courela, há a juntar também “a importância que a hipótese de internacionalização, de estudar e trabalhar fora e, desta forma, conhecer o mundo, tem vindo a ganhar no âmbito da atração e retenção de talento, fruto de um mundo cada vez mais globalizado e multicultural”. João Santos Carvalho, sócio da SRS na área de bancário e financeiro, cuja equipa foi também premiada no âmbito dos “Forty under 40”, sustenta que a “atração e retenção de talentos jovens está hoje particularmente dependente da capacidade do escritório para dar resposta a aspetos que vão bem além do plano de carreira, em particular, assegurar um efetivo ‘work life balance’, dispor de um modelo de trabalho flexível e, talvez de maior relevância no médio-longo prazo, ser ator de desenvolvimento em temas que assumem verdadeira centralidade para as novas gerações, muito em particular, os da sustentabilidade e transformação digital”. Carla Góis Coelho, sócia da PLMJ na área de resolução de litígios e outra das advogadas distinguidas pelos prémios da “Iberian Lawyer”, admite que num escritório da dimensão daquele em que trabalha, “um plano de carreira atrativo, transparente e ambicioso é incontornável”. Mas hoje não chega, sublinha, assegurando que no seu escritório há o compromisso de entregar “a esta geração e à que se segue aquilo de que os jovens precisam para se sentirem realizados do ponto de vista profissional e felizes com o papel e espaço que a profissão ocupa nas suas vidas”. ------ Ter direitos e ter vida para além do trabalho A estabilidade financeira e na relação com a sociedade de advogados são fatores que as novas gerações de profissionais não desprezam. Contudo, há hoje em dia outros fatores determinantes de que não prescindem, como a conciliação da vida pessoal com o trabalho que desenvolvem. A estabilidade é um valor que se vai afirmando, à medida que vamos progredindo na carreira e aspirando a coisas diferentes na vida. Maria Zagallo | Sócia da PLMJ. Será relevante no médio-longo prazo, ser ator de desenvolvimento em temas como sustentabilidade e transformação digital. João Santos Carvalho | Sócio da SRS Advogados. As novas gerações [...] procuram contribuir ativamente para a equipa desde que entram numa sociedade de advogados. Alexandra Courela | Sócia da Abreu Advogados. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é bastante importante para o desempenho e apresentação de resultados. Raquel Galinha Roque | Sócia da CRS. Além da valorização da estabilidade como fator determinante para retenção do talento, a flexibilidade tem sido valorizada. Solange Fernandes | Associada da SRS Advogados. É essencial [...] que a sociedade consiga manter a atividade profissional desafiante [...], mas flexível na conjugação com a vida pessoal. Susana Santos Valente | Sócia da PRA. Um plano de carreira atrativo, transparente e ambicioso é incontornável. Mas hoje sabemos que não chega. Carla Góis Coelho | Sócia da PLMJ. ------ Advocacia nacional com 18 distinções Têm idade inferior a 40 anos e, individualmente, ou em equipa, distinguem-se nas suas áreas de prática do direito. O trabalho feito pelos advogados nesta faixa etária é anualmente analisado pela “Iberian Lawyer”, revista internacional especializada nas questões da assessoria jurídica, que premeia, no âmbito da iniciativa “Forty under 40” quatro dezenas de profissionais desta área em Espanha e em Portugal. Para o nosso país vieram, este ano, 18 distinções, seis de equipas e as restantes individuais. Private equity- Diana Ribeiro Duarte, advogada sénior da Morais Leitão Mercado de capitais- Orlando Vogler Guiné, associado coordenador da área de Bancário & Financeiro da VDA Bancário e financeiro- João Santos Carvalho, sócio da SRS Advogados Equipa de bancário e financeiro- Equipa da Morais Leitão Equipa de arbitragem- Equipa da VDA Litigância - Carla Góis Coelho, sócia da sociedade PLMJ na área de resolução de litígios Equipa de direito da energia- CMS Portugal Equipa de direito da concorrência- Equipa da PLMJ Área de fintech- Isabel Pinheiro Torres, associada sénior da Abreu Advogados Imobiliário- Raquel Galinha Roque, sócia-fundadora da CRS Advogados Direito fiscal- Francisco Cabral Matos, associado coordenador da área de Fiscal da VDA Equipa de direito fiscal- Abreu Advogados Ciências da vida e setor farmacêutico- Ricardo do Nascimento Ferreira, sócio da Morais Leitão Direito público- Maria Zagallo, sócia da PLMJ Equipa de direito público- Equipa da Sérvulo & Associados Assessoria a startups- Solange Fernandes, associada da SRS Advogados Equipa para assessoria a startups- Equipa da CCA Law Firm Insolvência e reestruturações- Paula Magalhães dos Santos, associada sénior da PRA