image
  • AVE $9,312
  • OTS 12,500

Jovens que hoje chegam à advocacia “irão ter mais sete ou oito profissões”

  • Jornal de Negócios
  • Imprensa
  • João Maltez
  • 12/5/2019 6:55 AM
  • 5 min

Jovens que hoje chegam à advocacia “irão ter mais sete ou oito profissões” De que modo vai evoluir o mercado de trabalho da advocacia? Ana Rita Duarte de Campos, que na Ordem dos Advogados tem o pelouro da juventude, diz que o setor terá cada vez menos profissionais. João Maltez | [email protected] Com o recurso às novas tecnologias de informação e a pressão crescente dos clientes quanto a prazos e custos dos serviços jurídicos, a advocacia continuará, no futuro, a dar espaço e a aliciar os jovens profissionais para que entrem neste segmento do mercado de trabalho? Ana Rita Duarte de Campos, responsável pelo pelouro dos jovens na Ordem dos Advogados, diz que este é um setor no qual o fator humano “é imprescindível”, mas também onde haverá cada vez menos profissionais. Já o docente universitário Jorge Pereira da Silva acredita que as tecnologias de informação podem trazer trabalho jurídico mais complexo e interessante. “A advocacia está cada vez mais exigente, é certo, mas também, por isso, cada vez mais aliciante. No final do dia, quem presta serviços de qualidade e de elevado valor acrescentado consegue estabelecer limites aos clientes e fazer-se pagar por um justo valor”, entende Jorge Pereira da Silva, diretor da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, entidade que promoveu recentemente a sua habitual feira de emprego, o denominado JobShop, em que os alunos contactam com as várias saídas profissionais que o mercado lhes oferece. Ana Rita Duarte de Campos, vice-presidente do conselho geral da Ordem dos Advogados, sublinha, por seu turno, que “a advocacia é uma atividade na qual o fator humano é imprescindível”. Além do mais, observa ainda, “é preciso perceber que as tecnologias ser O já tradicional JobShop da Faculdade de Direito da Católica possibilita o contacto dos jovens estudantes com possíveis saídas profissionais. vem a advocacia, e não o inverso”. Em todo o caso, a dirigente entende que, no futuro, haverá menos advogados. “A inteligência artificial passará a ser aplicada nas áreas menos criativas do direito, haverá uma maior diversificação das profissões jurídicas, haverá mais mediadores que não exercem a advocacia e as atividades de paralegal vão aumentar e especializar-se”, explica. Jorge Pereira da Silva concorda que “as profissões jurídicas não são imunes ao aprofundamento da inteligência artificial”. Até por isso, sublinha, “algumas sociedades de advogados estão a apostar muito na sua transformação digital e a associar-se a empresas que desenvolvem sistemas que permitem tomar decisões ou fazer apreciações jurídicas de forma autónoma”. Para o diretor da Escola de Lisboa de Direito da Católica, “é evidente que algum trabalho jurídico deixará de ocupar o tempo dos advogados, mas outro, porventura mais complexo e interessante, certamente mais estratégico, o virá substituir”. Ana Rita Duarte de Campos entende, por outro lado, que a advocacia, mesmo que bem remunerada, não é uma atividade profissional muito apelativa para as gerações mais jovens. “Há pessoas muito preparadas e muito capazes, que chegam à advocacia e irão ter sete ou oito profissões depois dela. É uma realidade com a qual temos de viver. Para mim, é claro que iremos ter menos advogados no futuro e só não estamos já a experienciar esse fenómeno por causa do Sistema do Acesso ao Direito”, que ainda proporciona, afinal, trabalho a cerca de 14 mil profissionais. ----- Reter talentos é problema sério A retenção de talentos "é um problema muito sério para as sociedades de advogados", diz Jorge Pereira da Silva, diretor da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Católica. Contudo, para o também docente universitário, tal facto tem efeitos positivos para a instituição que lidera. "Há uma enorme competição entre os recrutadores para captar os melhores alunos ou os alunos mais ativos e empreendedores", explica. A vice-presidente da Ordem dos Advogados, Ana Rita Duarte de Campos, considera que a retenção de talento é mesmo o grande desafio que se coloca aos grandes escritórios. "Temos um mercado da advocacia que, no que diz respeito às sociedades de advogados, atingiu um nível de maturidade considerável, quer do ponto de vista da qualidade do trabalho quer ao nível da profissionalização da gestão. A perda de talento equivale a perda de dinheiro e ao risco, coisas que nenhum gestor responsável quer ver na sua organização", evidencia. ------ Atração dos mais novos entre a aprendizagem e a vocação profissional Que argumentos poderão levar um jovem estudante de Direito a seguir a advocacia como profissão? A oferta de especialização numa determinada área de prática pode ser determinante para atrair e reter jovens talentos profissionais? Segundo Patrícia Viana, sócia da Abreu Advogados, o constante estudo e aprendizagem a que advocacia obriga pode ser um fator de atratividade. Já António Moura Portugal, sócio da DLA Piper, diz que para entrar na profissão a vocação é essencial. A um jovem estudante, Patrícia Viana diria que, das possíveis saídas profissionais do curso de Direito, a advocacia "será a mais completa e diversificada que vão encontrar". Porquê? Porque os temas abordados no dia a dia "obrigam a uma constante aprendizagem", pois esta é "uma profissão que obriga a estudar, a melhorar, a aprender". Depois, adianta, há ainda as relações de confiança que são estabelecidas com os clientes, mas também a "enorme competição" que obriga ao "desenvolvimento de 'soft skills' que vão muito além do que se aprende no curso de Direito". Como ponto prévio, António Moura Portugal considera que é preciso sentir a vocação. "Já convivi com juristas brilhantes que não singraram como advogados e com alunos medianos que se revelaram excelentes advogados", explica Quanto à grande vantagem que vê na advocacia face às demais profissões "reside na liberdade de escolha, patente na forma de exercício - em prática isolada ou em sociedade, no enfoque - prática generalizada ou especialização - e também na profunda dimensão humana do trabalho do advogado". A especialização numa determinada área de prática pode ser determinante para atrair e reter jovens talentos? "Não creio que essa deva ser a motivação de um estagiário. O estágio deve começar por ser abrangente e, depois sim, dirigir os profissionais para as áreas pelas quais sintam mais apetência", diz Patrícia Viana Já para António Moura, "a especialização - assente numa lógica combinada de área de prática mas também de setores - é essencial para sociedades de advogados de maior dimensão e poderá ser determinante para atrair jovens que já tenham uma decisão tomada em relação ao seu futuro e às áreas e setores em que pretendem desenvolver conhecimentos". Ainda assim, ressalva "nenhuma especialização é possível sem sólidas bases de aprendizagem - licenciatura, pós-graduação ou mestrado".


image
  • AVE $9,312
  • OTS 12,500

Young people coming to law today "will have seven or eight more professions"

  • Jornal de Negócios
  • Print
  • João Maltez
  • 12/5/2019 6:55 AM
  • 5 min

Young people coming to law today "will have seven or eight more professions" How will the advocacy labor market evolve? Ana Rita Duarte de Campos, who in the Bar Association has the responsibility of youth, says that the sector will have fewer and fewer professionals. João Maltez | [email protected] With the use of new information technologies and increasing customer pressure on legal service deadlines and costs, will advocacy continue to make room for and entice young professionals into this segment of the labor market in the future? Ana Rita Duarte de Campos, responsible for the youth department at the Bar Association, says that this is a sector in which the human factor “is essential”, but also where there will be fewer and fewer professionals. On the other hand, university professor Jorge Pereira da Silva believes that information technologies can bring more complex and interesting legal work. “Law is becoming increasingly demanding, of course, but also, therefore, increasingly attractive. At the end of the day, those who provide quality services with high added value can set boundaries for clients and make themselves paid for a fair value, ”said Jorge Pereira da Silva, director of the Lisbon School of the Faculty of Law of the Portuguese Catholic University. , an entity that recently promoted its usual job fair, called JobShop, where students contact the various career opportunities offered by the market. Ana Rita Duarte de Campos, Vice-President of the General Council of the Bar Association, underlines that “law is an activity in which the human factor is essential”. In addition, he notes, “we must realize that technologies are The already traditional JobShop of the Catholic Faculty of Law makes it possible for young students to get in touch with possible career opportunities. Advocacy comes, not the other way around. ” In any case, the manager understands that in the future there will be fewer lawyers. "Artificial intelligence will be applied in the less creative areas of law, there will be a greater diversification of the legal profession, there will be more mediators who are not practicing law and paralegal activities will increase and specialize," he explains.Jorge Pereira da Silva agrees that “the legal professions are not immune to the deepening of artificial intelligence”. Even so, he stresses, "some law firms are focusing heavily on their digital transformation and partnering with companies that develop systems that allow them to make decisions or make independent legal assessments." For the director of the Lisbon School of Catholic Law, “It is evident that some legal work will no longer occupy the lawyers' time, but another, perhaps more complex and interesting, certainly more strategic, will replace it.” Ana Rita Duarte de Campos On the other hand, he believes that even though well-paid law is not a very attractive professional activity for younger generations. “There are very prepared and very capable people who come to law and will have seven or eight professions after it. It is a reality with which we must live. For me it is clear that we will have fewer lawyers in the future and we are no longer experiencing this phenomenon because of the Law Access System ”, which still provides work for about 14,000 professionals. ----- Retaining talent is a serious problem Retaining talent "is a very serious problem for law firms," ​​says Jorge Pereira da Silva, director of the Lisbon School of the Catholic Law School. However, for the also university professor, this has positive effects for the institution he leads. "There is a huge competition between recruiters to capture the best students or the most active and enterprising students," he explains. Ana Rita Duarte de Campos, vice president of the Portuguese Bar Association, considers that retention of talent is really the big challenge for big law firms. "We have a law market that, as far as law firms are concerned, has reached a considerable level of maturity, both from the point of view of quality of work and professionalization of management. Loss of talent equals loss of money. and at risk, things that no responsible manager wants to see in your organization, "he says. ------ Attraction of young people between learning and vocationWhat arguments might lead a young law student to pursue law as a profession? Can offering expertise in a particular area of ​​practice be a determining factor in attracting and retaining young professional talent? According to Patricia Viana, partner of Abreu Advogados, the constant study and learning to which law requires it can be a factor of attractiveness. António Moura Portugal, partner of DLA Piper, says that to enter the profession the vocation is essential. To a young student, Patricia Viana would say that, from the possible professional exits of the law course, the law "will be the most complete and diverse that will find ". Because? Because the topics covered in everyday life "require a constant learning", as this is "a profession that requires studying, improving, learning". Then, he adds, there are the relationships of trust that are established with clients, but also the "huge competition" that forces "the development of 'soft skills' that goes far beyond what is learned in law school." As a previous point, António Moura Portugal considers that the vocation needs to be felt. "I have already lived with brilliant lawyers who did not work as lawyers and with average students who turned out to be excellent lawyers," he explains. isolated or in society, in the focus - widespread practice or specialization - and also in the deep human dimension of the lawyer's work. " Can specialization in a particular area of ​​practice be a determining factor in attracting and retaining young talent? "I do not think this should be the motivation of an intern. The internship should start with being comprehensive and, afterwards, direct professionals to the areas where they feel the most," says Patrícia Viana For António Moura, "specialization - based on a combined logic of practice but also of sectors - is essential for larger law firms and could be instrumental in attracting young people who have already made a decision about their future areas and sectors in which they intend to develop knowledge ". Still, he says "no specialization is possible without a solid foundation of learning - undergraduate, postgraduate or master's degree."


image
  • AVE $9,312
  • OTS 12,500

Jornal de Negócios

  • Imprensa
  • João Maltez
  • 5 min

Jovens que hoje chegam à advocacia “irão ter mais sete ou oito profissões”

Jovens que hoje chegam à advocacia “irão ter mais sete ou oito profissões” De que modo vai evoluir o mercado de trabalho da advocacia? Ana Rita Duarte de Campos, que na Ordem dos Advogados tem o pelouro da juventude, diz que o setor terá cada vez menos profissionais. João Maltez | [email protected] Com o recurso às novas tecnologias de informação e a pressão crescente dos clientes quanto a prazos e custos dos serviços jurídicos, a advocacia continuará, no futuro, a dar espaço e a aliciar os jovens profissionais para que entrem neste segmento do mercado de trabalho? Ana Rita Duarte de Campos, responsável pelo pelouro dos jovens na Ordem dos Advogados, diz que este é um setor no qual o fator humano “é imprescindível”, mas também onde haverá cada vez menos profissionais. Já o docente universitário Jorge Pereira da Silva acredita que as tecnologias de informação podem trazer trabalho jurídico mais complexo e interessante. “A advocacia está cada vez mais exigente, é certo, mas também, por isso, cada vez mais aliciante. No final do dia, quem presta serviços de qualidade e de elevado valor acrescentado consegue estabelecer limites aos clientes e fazer-se pagar por um justo valor”, entende Jorge Pereira da Silva, diretor da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, entidade que promoveu recentemente a sua habitual feira de emprego, o denominado JobShop, em que os alunos contactam com as várias saídas profissionais que o mercado lhes oferece. Ana Rita Duarte de Campos, vice-presidente do conselho geral da Ordem dos Advogados, sublinha, por seu turno, que “a advocacia é uma atividade na qual o fator humano é imprescindível”. Além do mais, observa ainda, “é preciso perceber que as tecnologias ser O já tradicional JobShop da Faculdade de Direito da Católica possibilita o contacto dos jovens estudantes com possíveis saídas profissionais. vem a advocacia, e não o inverso”. Em todo o caso, a dirigente entende que, no futuro, haverá menos advogados. “A inteligência artificial passará a ser aplicada nas áreas menos criativas do direito, haverá uma maior diversificação das profissões jurídicas, haverá mais mediadores que não exercem a advocacia e as atividades de paralegal vão aumentar e especializar-se”, explica. Jorge Pereira da Silva concorda que “as profissões jurídicas não são imunes ao aprofundamento da inteligência artificial”. Até por isso, sublinha, “algumas sociedades de advogados estão a apostar muito na sua transformação digital e a associar-se a empresas que desenvolvem sistemas que permitem tomar decisões ou fazer apreciações jurídicas de forma autónoma”. Para o diretor da Escola de Lisboa de Direito da Católica, “é evidente que algum trabalho jurídico deixará de ocupar o tempo dos advogados, mas outro, porventura mais complexo e interessante, certamente mais estratégico, o virá substituir”. Ana Rita Duarte de Campos entende, por outro lado, que a advocacia, mesmo que bem remunerada, não é uma atividade profissional muito apelativa para as gerações mais jovens. “Há pessoas muito preparadas e muito capazes, que chegam à advocacia e irão ter sete ou oito profissões depois dela. É uma realidade com a qual temos de viver. Para mim, é claro que iremos ter menos advogados no futuro e só não estamos já a experienciar esse fenómeno por causa do Sistema do Acesso ao Direito”, que ainda proporciona, afinal, trabalho a cerca de 14 mil profissionais. ----- Reter talentos é problema sério A retenção de talentos "é um problema muito sério para as sociedades de advogados", diz Jorge Pereira da Silva, diretor da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Católica. Contudo, para o também docente universitário, tal facto tem efeitos positivos para a instituição que lidera. "Há uma enorme competição entre os recrutadores para captar os melhores alunos ou os alunos mais ativos e empreendedores", explica. A vice-presidente da Ordem dos Advogados, Ana Rita Duarte de Campos, considera que a retenção de talento é mesmo o grande desafio que se coloca aos grandes escritórios. "Temos um mercado da advocacia que, no que diz respeito às sociedades de advogados, atingiu um nível de maturidade considerável, quer do ponto de vista da qualidade do trabalho quer ao nível da profissionalização da gestão. A perda de talento equivale a perda de dinheiro e ao risco, coisas que nenhum gestor responsável quer ver na sua organização", evidencia. ------ Atração dos mais novos entre a aprendizagem e a vocação profissional Que argumentos poderão levar um jovem estudante de Direito a seguir a advocacia como profissão? A oferta de especialização numa determinada área de prática pode ser determinante para atrair e reter jovens talentos profissionais? Segundo Patrícia Viana, sócia da Abreu Advogados, o constante estudo e aprendizagem a que advocacia obriga pode ser um fator de atratividade. Já António Moura Portugal, sócio da DLA Piper, diz que para entrar na profissão a vocação é essencial. A um jovem estudante, Patrícia Viana diria que, das possíveis saídas profissionais do curso de Direito, a advocacia "será a mais completa e diversificada que vão encontrar". Porquê? Porque os temas abordados no dia a dia "obrigam a uma constante aprendizagem", pois esta é "uma profissão que obriga a estudar, a melhorar, a aprender". Depois, adianta, há ainda as relações de confiança que são estabelecidas com os clientes, mas também a "enorme competição" que obriga ao "desenvolvimento de 'soft skills' que vão muito além do que se aprende no curso de Direito". Como ponto prévio, António Moura Portugal considera que é preciso sentir a vocação. "Já convivi com juristas brilhantes que não singraram como advogados e com alunos medianos que se revelaram excelentes advogados", explica Quanto à grande vantagem que vê na advocacia face às demais profissões "reside na liberdade de escolha, patente na forma de exercício - em prática isolada ou em sociedade, no enfoque - prática generalizada ou especialização - e também na profunda dimensão humana do trabalho do advogado". A especialização numa determinada área de prática pode ser determinante para atrair e reter jovens talentos? "Não creio que essa deva ser a motivação de um estagiário. O estágio deve começar por ser abrangente e, depois sim, dirigir os profissionais para as áreas pelas quais sintam mais apetência", diz Patrícia Viana Já para António Moura, "a especialização - assente numa lógica combinada de área de prática mas também de setores - é essencial para sociedades de advogados de maior dimensão e poderá ser determinante para atrair jovens que já tenham uma decisão tomada em relação ao seu futuro e às áreas e setores em que pretendem desenvolver conhecimentos". Ainda assim, ressalva "nenhuma especialização é possível sem sólidas bases de aprendizagem - licenciatura, pós-graduação ou mestrado".