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Entrevista | Inês Sequeira Mendes, managing partner da Abreu Advogados

  • Eco
  • Online
  • Filipa Ambrósio de Sousa
  • 10/12/2021
  • 15 min

“Está na altura dos escritórios usarem dados comparáveis na faturação”, diz Inês Sequeira Mendes Filipa Ambrósio de Sousa A managing partner da Abreu Advogados defende que a OA poderia ter um papel determinante na divulgação da faturação dos escritórios e assume que o IVA não deve ser equacionado no cálculo desse valor. Inês Sequeira Mendes chegou aos comandos da Abreu Advogados em maio deste ano. Mas recusa que o seu género tenha ditado o convite. Em entrevista à Advocatus, defende que a Ordem dos Advogados poderia ter um papel determinante na divulgação da faturação dos escritórios e assume que o IVA não deve ser equacionado no cálculo desse valor. A atual managing partner é sócia da Abreu desde 2012, tendo integrado a sociedade em 2006. Trabalha essencialmente em direito da concorrência, em estreita articulação com a estruturação de investimentos e com o desenvolvimento da atividade comercial das empresas. É a managing partner da Abreu Advogados desde maio. Já consegue fazer um balanço? Têm sido meses de trabalho intenso mas muito profícuo, num contexto que, apesar de forma mais ligeira, continua a ser de pandemia e que, por isso, exige de todos uma capacidade de adaptação e reação extraordinárias. No nosso caso temos apostado muito na antecipação de cenários que nos permita agir atempadamente em vez de apenas reagir. Apesar de não ser um espaço de tempo muito alargado, o balanço é muito positivo, até porque é uma continuidade de um trabalho de anos e de uma estratégia muito bem definida e um núcleo de sócios e equipa muito bem alinhados em torno de objetivos claro de afirmação, crescimento e de proximidade das nossas pessoas e dos nossos clientes e parceiros. Felizmente, temos uma excelente equipa, quer na CE/CA quer nas áreas de gestão, que permitem que olhe para os desafios do meu mandato com muita confiança de que vamos continuar a crescer e a afirmar-nos, cada vez mais, como uma das principais sociedades de advogados independentes em Portugal. Como recebeu o convite para assumir esse cargo na Abreu Advogados? Foi um ‘sim’ imediato? Recebi o convite com um grande sentimento de orgulho pela confiança que os sócios da Abreu Advogados depositaram em mim e no meu trabalho, mas simultaneamente, com um enorme sentido de responsabilidade, consciente dos desafios inerentes à liderança de uma das principais sociedades de advogados em Portugal, que é um empregador de mais de 350 pessoas, em cinco países. Não era algo em que eu pensasse quando entrei na Abreu há 15 anos, no entanto chegar a este cargo acaba por ser o reconhecimento, da parte dos meus pares, do trabalho que esta equipa de gestão tem desempenhado e da visão de futuro que temos para a Sociedade e isso motiva-me a fazer cada vez mais e melhor. Sente que foi um reconhecimento pelo seu trabalho ao longo dos anos ou, neste caso, o facto de ser mulher também a beneficiou? Sinto que foi o reconhecimento de um trabalho de equipa, uma vez que integrei a Comissão Executiva do escritório em 2017 e nessa qualidade acompanhei os anteriores mandatos do Duarte de Athayde, que foram altamente exigentes mas determinantes numa viragem da Abreu Advogados. O Duarte de Athayde, na altura, desafiou-me a liderar a reorganização das nossas áreas de prática, equipas setoriais e desks internacionais – um desafio enorme e muito estimulante a vários níveis, que me permitiu participar de forma muito direta na construção da estratégia de futuro da Abreu e estar muito próxima das pessoas. Continuei no mandato seguinte, sempre com uma equipa de gestão muito coesa e focada que resultou num trabalho intenso mas muito recompensador. Foram, sem dúvida, quatro anos muito desafiantes mas com um impacto transversal a toda a Sociedade. Nesse sentido, acabei por estar mais na gestão do escritório do que inicialmente antecipava e desenvolver e trabalhar mais características e skills de gestão e liderança, que terão provavelmente ditado este convite, pelos meus pares. Posto isto, não acredito, mesmo, que o meu género tenha ditado o convite, mas sim as minhas características pessoais e profissionais e o percurso que fiz na Abreu. Até porque nem sequer pode ser atribuído a uma eventual “tendência” atual, uma vez que na Abreu o género não é e nunca foi limitador de progressão ou um incentivo, até porque já tivemos uma MP mulher, a Carmo Sousa Machado. Desde que lidera a firma, alguma vez se sentiu discriminada? Não, nem enquanto managing partner, nem antes disso, senti qualquer tipo de discriminação ou pressão por ser mulher. Se alguma vez acontecesse, felizmente a Abreu Advogados dispõe de um canal de denúncia, através do qual poderão ser reportados este tipo de casos por todos os nossos colaboradores, de forma a protegê-los de qualquer forma de discriminação. Sente que ainda existe uma discriminação nas sociedades de advogados entre géneros, no contexto de acesso a cargos? Sinto que a questão do género, nos dias que correm e com a mudança de mentalidades e de cultura que entretanto se tem vindo a efetivar, tem vindo a perder relevância no acesso a qualquer que seja o cargo numa sociedade de advogados. Falando em específico da Abreu Advogados, orgulho-me de liderar uma Sociedade de pessoas, cuja progressão na carreira é independente do género, raça, credo ou qualquer outro fator e que valoriza, acima de tudo e como premissa básica, a meritocracia. Tanto eu, como a Carmo Sousa Machado, a primeira mulher managing partner de uma sociedade de advogados em Portugal, como muitos exemplos nos vários departamentos do escritório, somos o reflexo disso mesmo. Num recente artigo da Advocatus, constatamos que dos 81 advogados que compõem os órgãos de gestão dos 30 maiores escritórios do país, apenas 21 são mulheres. Qual considera que deve ser a principal razão para que haja mais homens do que mulheres nos cargos de topo e de gestão? Creio que a principal razão, ainda que não a única, está relacionada com a evolução histórica do número de advogados e advogadas em Portugal nas últimas décadas. Nos anos 90 a profissão de advogado era tradicionalmente masculina, por exemplo, em 1990, o número de homens inscritos na Ordem dos Advogados, era praticamente quatro vezes superior ao de mulheres. Esta diferença, apesar de ligeiramente atenuada, manteve-se até ao início do séc. XXI, altura em que começou a haver um maior equilíbrio entre géneros. Uma vez que os cargos de gestão pressupõem alguns anos de experiência e um conhecimento aprofundado das pessoas e projetos, esta discrepância atual pode ainda ser o reflexo do desequilíbrio de género que existiu durante muitas décadas no setor da advocacia em Portugal. Acredito, que nos próximos anos, o número de mulheres em cargos de gestão irá aumentar progressivamente, fruto das novas e talentosas gerações de advogadas. Sente que o setor do direito, englobando todas as profissões subjacentes, é um meio ainda dominado pelo género masculino? Não, essa foi uma realidade que existiu ao longo de muitas décadas em Portugal mas atualmente é uma ideia que já está ultrapassada e que, na verdade, é desmentida pelos próprios números: se analisarmos os números totais de advogados inscritos na Ordem, verificamos que neste momento as mulheres representam uma fatia significativamente superior aos homens, e o mesmo se verifica em grande parte das profissões subjacentes ao setor do direito, o que pressupõe uma mudança de paradigma em Portugal. Na sua opinião, que passo é preciso dar na luta pela igualdade de género? Há ainda um importante caminho a percorrer para que possamos dizer que existe efetiva e comprovadamente igualdade de género em Portugal e, na minha opinião, é cada vez mais importante que a sociedade e os decisores políticos e corporativos possam estar alinhados sobre esta temática. É necessária uma aposta forte na educação para a igualdade de género, um incremento da consciencialização das organizações para a necessidade de adoção de medidas de combate a este tipo de discriminação e o desenvolvimento de legislação e políticas públicas sobre esta temática. No entanto, é fundamental termos a consciência que esta é, na verdade, uma responsabilidade de todos, não apenas das empresas ou do Estado. Cada um de nós, enquanto cidadãos, deve fazer a sua parte. O que espera dar à Abreu durante o seu mandato? Em primeiro lugar pretendo dar continuidade ao trabalho que já vinha sendo desempenhado pelos meus antecessores e ajudar a Abreu a continuar a crescer de uma forma sustentável e a promover, cada vez mais, a afirmação da Abreu Advogados como uma das principais sociedades de advogados independentes em Portugal. Apesar do contexto desafiante que todo o mundo atravessa, olho para o futuro da Abreu com muita confiança. Somos já um player incontornável nos mercados nacional e internacional mas contamos com equipas extremamente talentosas e sei que ainda temos espaço para continuar a inovar e a crescer. Além disso, garantir que não nos desviamos daquela que é a nossa cultura e o propósito na Abreu Advogados. Desde a nossa fundação que a Abreu é um projeto humanista que não se esgota na prestação de serviços jurídicos e é a partir dessa base que pretendemos continuar a desenvolver o nosso trabalho diariamente, com a transparência, rigor e excelência a que, desde sempre, habituámos os nossos clientes, procurando simultaneamente contribuir de forma positiva para a nossa sociedade, seja através da promoção cultural, seja com projetos de responsabilidade social. Como definiria o escritório que ‘comanda’? Tenho um grande orgulho no escritório que lidero e nas equipas que todos os dias fazem jus ao nosso propósito de pôr “o futuro em prática”. Somos um escritório humanista: feito de pessoas, para pessoas – que se caracteriza pela ligação e proximidade com os nossos clientes, mesmo perante cenários desafiantes como os que o mundo atravessa. Esta pandemia veio comprovar a nossa forte capacidade de adaptação e flexibilidade perante situações imprevisíveis, que nos permitiu responder rápida e eficazmente às constantes mudanças de paradigma deste último ano e meio. Por outro lado, acreditamos que a inovação é a chave para podermos responder de forma eficaz às necessidades dos nossos clientes e, para isso, procuramos quebrar barreiras e ir além das convenções nos vários projetos que integramos. Temos uma equipa que mistura experiência e novos talentos, o que nos permite apresentar soluções cada vez mais personalizadas. Não menos importante, somos uma instituição comprometida com a sustentabilidade, do nosso projeto e da sociedade, trabalhando ativamente para criar um impacto positivo na sociedade e contribuir para o seu desenvolvimento. Essa é a marca que queremos deixar no mundo. O crescimento de advogados e aumento de sócios é para continuar? Estou muito satisfeita com a equipa que temos na Abreu Advogados. Altamente qualificada, com um nível de senioridade elevado e com um forte track record e com um forte track record tanto ao nível da prática de fiscal e laboral como nas áreas transacional e regulatória ou na resolução de litígios, não só a nível comercial e corporativo mas também ao nível da arbitragem. No entanto, não fechamos a porta ao talento. Temos um posicionamento independente e uma missão e propósito muito claros, o que torna a nossa sociedade atrativa para todos aqueles que, como nós, valorizam a independência, a qualidade e o foco na procura de soluções para os clientes. A meritocracia é a base da nossa gestão de talentos e todos os anos temos uma ronda de promoções que procura valorizar e reconhecer o trabalho que os nossos advogados desenvolvem ao longo do ano, por exemplo este ano promovemos quatro novos sócios e dois associados sénior, além de terem entrado recentemente 11 novos estagiários, pelo que o crescimento orgânico da Abreu e o desenvolvimento dos nossos talentos está no topo das nossas prioridades. A faturação da Abreu é de quanto? Em 2020, ano altamente marcado pela crise pandémica mundial, conseguimos crescer novamente dois dígitos (12% face aos valores de 2019) e atingir um valor de faturação de 33,6 milhões de euros. São resultados muito positivos que demonstram o trabalho inexcedível de todos os profissionais da Abreu Advogados, desde os advogados às áreas de suporte. Conseguimos adaptar-nos muito rapidamente à nova realidade do ano de 2020 e aliar flexibilidade com competência e rigor na procura de soluções para os nossos clientes. Saber que estamos a ajudá-los a ultrapassar estes tempos desafiantes é o maior reconhecimento que podemos ter. Como é que se consegue chegar a um valor correto e fidedigno da faturação de um escritório? Com ou sem IVA? A faturação de um escritório deveria ser avaliada sem IVA, uma vez que este não é sempre igual na faturação das firmas, estando dependente do tipo de serviço prestado e do beneficiário do mesmo. Por exemplo, uma firma com uma elevada presença internacional terá, provavelmente, um peso proporcional de IVA inferior, quando comparada com outra com maior peso do negócio nacional. Mas mais importante que o IVA será assegurar que quando se fazem estas análises, se usam dados que sejam comparáveis. Não estaria na altura dos principais escritórios fazerem um ‘acordo de cavalheiros’ e assumirem esses valores mas chegando a um consenso no que toca à forma como esses valores são calculados e apresentados? A transparência é um dos valores que integram o ADN da Abreu Advogados e algo que temos vindo a defender desde a nossa fundação, medidas que possam vir a aumentar a transparência no setor, necessariamente dentro do enquadramento legal aplicável, são sempre vistas com bons olhos. A Ordem dos Advogados poderá ter um papel importante nesta matéria. Na sua opinião, como é que Portugal pode ainda vir a sofrer com o pós-pandemia? Não é fácil fazer prognósticos em relação aos próximos meses uma vez que estarão sempre altamente dependentes da evolução pandémica em Portugal e no mundo, que é uma variável fundamental e que já tem demonstrado ser bastante volátil. Basta lembrar que há três meses estávamos à beira de uma quarta vaga e agora, felizmente, temos os números bem mais controlados, por força do processo de vacinação. Há, no entanto, um aspeto que a nível económico pode ser mais sensível e que está relacionado com a aproximação do fim das moratórias, que poderá significar um aumento dos créditos em incumprimento por parte das famílias e empresas, com um impacto significativo na economia nacional. Apesar de não ser um problema exclusivo de Portugal, assume uma particular importância do nosso país porque a dimensão destes créditos é elevada e irá resultar previsivelmente num conjunto inevitável de insolvências, pelo que é fundamental acautelar estas situações e começar desde já, idealmente no próximo Orçamento do Estado, a pensar em soluções e políticas de estímulo à atividade económica de modo a evitar uma degradação dos indicadores económicos e, também, sociais. Por outro lado, há a necessidade de garantir um bom aproveitamento dos fundos europeus que nos próximos anos irão chegar ao nosso país. Este será um fator decisivo no pós-pandemia em Portugal. Caso consigamos capitalizar o investimento comunitário que está previsto, estimulando a atividade empresarial e o emprego, estaremos mais preparados para podermos lidar com o pós-pandemia e responder a eventuais desafios futuros que possam entretanto surgir. A atuação do Governo foi suficiente, ao longo deste ano e meio? Gerir um país em plena pandemia não é uma tarefa fácil, não só pelo desconhecimento do que era de facto esta doença e as consequências que poderia trazer, mas também pela volatilidade da informação científica que surge, e que torna mais complicada a tomada de decisões. Houve, no entanto, inicialmente um foco quase total em travar a pandemia do ponto de vista sanitário e descurou-se, de certa forma, o impacto económico que esta poderia significar. Nesse sentido, o Governo demorou a criar medidas de proteção às empresas e aos trabalhadores que, durante este período, perderam, em muitos setores, uma parte significativa das suas receitas com consequências para a economia nacional. O estímulo à atividade económica tem surgido mais pelo alívio das medidas de contenção da pandemia do que propriamente por políticas adotadas pelo governo, no entanto, esse tipo de ações ainda poderá ser acautelada no Orçamento do Estado do próximo ano. No âmbito das políticas europeias, o Governo deu uma resposta célere com a preparação e entrega do Plano de Recuperação e Resiliência à frente dos seus congéneres europeus. Importa agora assegurar uma fiscalização efetiva que garanta a boa utilização do financiamento comunitário que irá chegar nos próximos anos. Por fim, no que diz respeito ao controlo da pandemia, há a destacar a boa organização do processo de vacinação, em conjunto com a excelente resposta e cidadania dos portugueses, que terá um papel fundamental na resposta de Portugal e do nosso tecido social e económico no pós-pandemia. Os escritórios de advogados podem aproveitar esta crise? E de que forma? Em qualquer crise existem oportunidades, seja qual for o setor, e a advocacia não é exceção. A pandemia veio aumentar a complexidade dos contextos socioeconómico e legal e as Sociedades de advogados deverão aproveitar para inovar e promover a transformação tecnológica, in house e junto dos seus clientes, de forma a poder antecipar soluções técnicas numa economia cada vez mais digitalizada e robotizada. O crescimento das áreas de inovação, de cibersegurança ou governance são, por isso, oportunidades reforçadas pela pandemia e que deverão ser aproveitadas pelas sociedades. Também na forma de trabalhar as sociedades de advogados deverão aproveitar este período pandémico para integrar políticas de maior flexibilidade que possam ir ao encontro das novas realidades e necessidades dos seus profissionais e, simultaneamente, promover novos modelos de trabalho que permitam desenvolver uma relação de maior proximidade com clientes e parceiros, que lhes permita encontrar as soluções mais adequadas e personalizadas a cada um deles. Finalmente, um tema inevitável ao nosso setor e a toda a economia é a sustentabilidade. A crise que vivemos tornou mais evidente a necessidade de cooperação e responsabilização das organizações e a definição clara de objetivos comuns de compromisso para com a comunidade. A Abreu Advogados foi pioneira neste tema e temos um modelo de gestão interno onde a sustentabilidade social e ambiental são parte integrante da forma como trabalhamos e como entendemos a nossa missão. Esta experiência interna foi relevante para o serviço de ESG que lançámos este ano e que disponibiliza aos nossos clientes, entre outras competências, um suporte abrangente para a leitura da sua atividade aos olhos das melhores práticas internacionais para a antecipação de cenários difusos como são os atuais. Quais são os pilares estratégicos da Abreu a curto prazo? Na Abreu dividimos os nossos pilares e prioridades estratégicas em dois campos: o técnico-jurídico, que está relacionado com as necessidades que identificamos junto dos nossos clientes, consoante o contexto e respetivas realidades; e o social, em que procuramos desenvolver ofertas e iniciativas que possam criar um impacto positivo na sociedade. No primeiro campo identificamos algumas áreas que poderão, a curto prazo, ter uma preponderância maior face ao contexto pandémico que, infelizmente, ainda atravessamos: Reestruturações e Insolvência e M&A, devido à provável reformulação do tecido empresarial português que, previsivelmente, irá dar origem a uma onda de fusões e aquisições e reestruturação de empresas que necessitarão do devido acompanhamento legal; Direito do Trabalho, impulsionado pelos novos modelos e paradigmas laborais que irão implicar adaptações ao nível do enquadramento legislativo e também a área da tecnologia e cibersegurança que, com o crescimento da digitalização e do trabalho remoto, vai ganhar cada vez mais importância uma vez que permite garantir a proteção dos sistemas e dados confidenciais contra ameaças externas. Numa perspetiva social, mantemos uma aposta muito clara na área de ESG, um tema essencial para qualquer Sociedade que queira ser inovadora e competitiva no mercado atual. Orgulhamo-nos de ser pioneiros em muitos temas desta área sendo que, além de termos sido a primeira sociedade de advogados em Portugal a publicar um relatório de sustentabilidade, temos uma oferta integrada de serviços em ESG, focada nas suas três vertentes: Environmental; Social and Governance; Adicionalmente, continuaremos a dinamizar o nosso projeto cultural, através da valorização da criação artística de jovens talentos e do acesso à fruição cultural por parte de um público muito alargado através das exposições públicas que promovemos nos nossos escritórios. Um último pilar estratégico a destacar a curto prazo está relacionado com a promoção da formação e conhecimento científico através do nosso Instituto de Conhecimento que se tornou, recentemente, uma entidade formadora certificada pela DGERT e através do qual pretendemos desenvolver cursos e planos de formação personalizados, à medida de cada empresa ou grupo de colaboradores.

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Entrevista | Inês Sequeira Mendes, managing partner da Abreu Advogados

“Está na altura dos escritórios usarem dados comparáveis na faturação”, diz Inês Sequeira Mendes Filipa Ambrósio de Sousa A managing partner da Abreu Advogados defende que a OA poderia ter um papel determinante na divulgação da faturação dos escritórios e assume que o IVA não deve ser equacionado no cálculo desse valor. Inês Sequeira Mendes chegou aos comandos da Abreu Advogados em maio deste ano. Mas recusa que o seu género tenha ditado o convite. Em entrevista à Advocatus, defende que a Ordem dos Advogados poderia ter um papel determinante na divulgação da faturação dos escritórios e assume que o IVA não deve ser equacionado no cálculo desse valor. A atual managing partner é sócia da Abreu desde 2012, tendo integrado a sociedade em 2006. Trabalha essencialmente em direito da concorrência, em estreita articulação com a estruturação de investimentos e com o desenvolvimento da atividade comercial das empresas. É a managing partner da Abreu Advogados desde maio. Já consegue fazer um balanço? Têm sido meses de trabalho intenso mas muito profícuo, num contexto que, apesar de forma mais ligeira, continua a ser de pandemia e que, por isso, exige de todos uma capacidade de adaptação e reação extraordinárias. No nosso caso temos apostado muito na antecipação de cenários que nos permita agir atempadamente em vez de apenas reagir. Apesar de não ser um espaço de tempo muito alargado, o balanço é muito positivo, até porque é uma continuidade de um trabalho de anos e de uma estratégia muito bem definida e um núcleo de sócios e equipa muito bem alinhados em torno de objetivos claro de afirmação, crescimento e de proximidade das nossas pessoas e dos nossos clientes e parceiros. Felizmente, temos uma excelente equipa, quer na CE/CA quer nas áreas de gestão, que permitem que olhe para os desafios do meu mandato com muita confiança de que vamos continuar a crescer e a afirmar-nos, cada vez mais, como uma das principais sociedades de advogados independentes em Portugal. Como recebeu o convite para assumir esse cargo na Abreu Advogados? Foi um ‘sim’ imediato? Recebi o convite com um grande sentimento de orgulho pela confiança que os sócios da Abreu Advogados depositaram em mim e no meu trabalho, mas simultaneamente, com um enorme sentido de responsabilidade, consciente dos desafios inerentes à liderança de uma das principais sociedades de advogados em Portugal, que é um empregador de mais de 350 pessoas, em cinco países. Não era algo em que eu pensasse quando entrei na Abreu há 15 anos, no entanto chegar a este cargo acaba por ser o reconhecimento, da parte dos meus pares, do trabalho que esta equipa de gestão tem desempenhado e da visão de futuro que temos para a Sociedade e isso motiva-me a fazer cada vez mais e melhor. Sente que foi um reconhecimento pelo seu trabalho ao longo dos anos ou, neste caso, o facto de ser mulher também a beneficiou? Sinto que foi o reconhecimento de um trabalho de equipa, uma vez que integrei a Comissão Executiva do escritório em 2017 e nessa qualidade acompanhei os anteriores mandatos do Duarte de Athayde, que foram altamente exigentes mas determinantes numa viragem da Abreu Advogados. O Duarte de Athayde, na altura, desafiou-me a liderar a reorganização das nossas áreas de prática, equipas setoriais e desks internacionais – um desafio enorme e muito estimulante a vários níveis, que me permitiu participar de forma muito direta na construção da estratégia de futuro da Abreu e estar muito próxima das pessoas. Continuei no mandato seguinte, sempre com uma equipa de gestão muito coesa e focada que resultou num trabalho intenso mas muito recompensador. Foram, sem dúvida, quatro anos muito desafiantes mas com um impacto transversal a toda a Sociedade. Nesse sentido, acabei por estar mais na gestão do escritório do que inicialmente antecipava e desenvolver e trabalhar mais características e skills de gestão e liderança, que terão provavelmente ditado este convite, pelos meus pares. Posto isto, não acredito, mesmo, que o meu género tenha ditado o convite, mas sim as minhas características pessoais e profissionais e o percurso que fiz na Abreu. Até porque nem sequer pode ser atribuído a uma eventual “tendência” atual, uma vez que na Abreu o género não é e nunca foi limitador de progressão ou um incentivo, até porque já tivemos uma MP mulher, a Carmo Sousa Machado. Desde que lidera a firma, alguma vez se sentiu discriminada? Não, nem enquanto managing partner, nem antes disso, senti qualquer tipo de discriminação ou pressão por ser mulher. Se alguma vez acontecesse, felizmente a Abreu Advogados dispõe de um canal de denúncia, através do qual poderão ser reportados este tipo de casos por todos os nossos colaboradores, de forma a protegê-los de qualquer forma de discriminação. Sente que ainda existe uma discriminação nas sociedades de advogados entre géneros, no contexto de acesso a cargos? Sinto que a questão do género, nos dias que correm e com a mudança de mentalidades e de cultura que entretanto se tem vindo a efetivar, tem vindo a perder relevância no acesso a qualquer que seja o cargo numa sociedade de advogados. Falando em específico da Abreu Advogados, orgulho-me de liderar uma Sociedade de pessoas, cuja progressão na carreira é independente do género, raça, credo ou qualquer outro fator e que valoriza, acima de tudo e como premissa básica, a meritocracia. Tanto eu, como a Carmo Sousa Machado, a primeira mulher managing partner de uma sociedade de advogados em Portugal, como muitos exemplos nos vários departamentos do escritório, somos o reflexo disso mesmo. Num recente artigo da Advocatus, constatamos que dos 81 advogados que compõem os órgãos de gestão dos 30 maiores escritórios do país, apenas 21 são mulheres. Qual considera que deve ser a principal razão para que haja mais homens do que mulheres nos cargos de topo e de gestão? Creio que a principal razão, ainda que não a única, está relacionada com a evolução histórica do número de advogados e advogadas em Portugal nas últimas décadas. Nos anos 90 a profissão de advogado era tradicionalmente masculina, por exemplo, em 1990, o número de homens inscritos na Ordem dos Advogados, era praticamente quatro vezes superior ao de mulheres. Esta diferença, apesar de ligeiramente atenuada, manteve-se até ao início do séc. XXI, altura em que começou a haver um maior equilíbrio entre géneros. Uma vez que os cargos de gestão pressupõem alguns anos de experiência e um conhecimento aprofundado das pessoas e projetos, esta discrepância atual pode ainda ser o reflexo do desequilíbrio de género que existiu durante muitas décadas no setor da advocacia em Portugal. Acredito, que nos próximos anos, o número de mulheres em cargos de gestão irá aumentar progressivamente, fruto das novas e talentosas gerações de advogadas. Sente que o setor do direito, englobando todas as profissões subjacentes, é um meio ainda dominado pelo género masculino? Não, essa foi uma realidade que existiu ao longo de muitas décadas em Portugal mas atualmente é uma ideia que já está ultrapassada e que, na verdade, é desmentida pelos próprios números: se analisarmos os números totais de advogados inscritos na Ordem, verificamos que neste momento as mulheres representam uma fatia significativamente superior aos homens, e o mesmo se verifica em grande parte das profissões subjacentes ao setor do direito, o que pressupõe uma mudança de paradigma em Portugal. Na sua opinião, que passo é preciso dar na luta pela igualdade de género? Há ainda um importante caminho a percorrer para que possamos dizer que existe efetiva e comprovadamente igualdade de género em Portugal e, na minha opinião, é cada vez mais importante que a sociedade e os decisores políticos e corporativos possam estar alinhados sobre esta temática. É necessária uma aposta forte na educação para a igualdade de género, um incremento da consciencialização das organizações para a necessidade de adoção de medidas de combate a este tipo de discriminação e o desenvolvimento de legislação e políticas públicas sobre esta temática. No entanto, é fundamental termos a consciência que esta é, na verdade, uma responsabilidade de todos, não apenas das empresas ou do Estado. Cada um de nós, enquanto cidadãos, deve fazer a sua parte. O que espera dar à Abreu durante o seu mandato? Em primeiro lugar pretendo dar continuidade ao trabalho que já vinha sendo desempenhado pelos meus antecessores e ajudar a Abreu a continuar a crescer de uma forma sustentável e a promover, cada vez mais, a afirmação da Abreu Advogados como uma das principais sociedades de advogados independentes em Portugal. Apesar do contexto desafiante que todo o mundo atravessa, olho para o futuro da Abreu com muita confiança. Somos já um player incontornável nos mercados nacional e internacional mas contamos com equipas extremamente talentosas e sei que ainda temos espaço para continuar a inovar e a crescer. Além disso, garantir que não nos desviamos daquela que é a nossa cultura e o propósito na Abreu Advogados. Desde a nossa fundação que a Abreu é um projeto humanista que não se esgota na prestação de serviços jurídicos e é a partir dessa base que pretendemos continuar a desenvolver o nosso trabalho diariamente, com a transparência, rigor e excelência a que, desde sempre, habituámos os nossos clientes, procurando simultaneamente contribuir de forma positiva para a nossa sociedade, seja através da promoção cultural, seja com projetos de responsabilidade social. Como definiria o escritório que ‘comanda’? Tenho um grande orgulho no escritório que lidero e nas equipas que todos os dias fazem jus ao nosso propósito de pôr “o futuro em prática”. Somos um escritório humanista: feito de pessoas, para pessoas – que se caracteriza pela ligação e proximidade com os nossos clientes, mesmo perante cenários desafiantes como os que o mundo atravessa. Esta pandemia veio comprovar a nossa forte capacidade de adaptação e flexibilidade perante situações imprevisíveis, que nos permitiu responder rápida e eficazmente às constantes mudanças de paradigma deste último ano e meio. Por outro lado, acreditamos que a inovação é a chave para podermos responder de forma eficaz às necessidades dos nossos clientes e, para isso, procuramos quebrar barreiras e ir além das convenções nos vários projetos que integramos. Temos uma equipa que mistura experiência e novos talentos, o que nos permite apresentar soluções cada vez mais personalizadas. Não menos importante, somos uma instituição comprometida com a sustentabilidade, do nosso projeto e da sociedade, trabalhando ativamente para criar um impacto positivo na sociedade e contribuir para o seu desenvolvimento. Essa é a marca que queremos deixar no mundo. O crescimento de advogados e aumento de sócios é para continuar? Estou muito satisfeita com a equipa que temos na Abreu Advogados. Altamente qualificada, com um nível de senioridade elevado e com um forte track record e com um forte track record tanto ao nível da prática de fiscal e laboral como nas áreas transacional e regulatória ou na resolução de litígios, não só a nível comercial e corporativo mas também ao nível da arbitragem. No entanto, não fechamos a porta ao talento. Temos um posicionamento independente e uma missão e propósito muito claros, o que torna a nossa sociedade atrativa para todos aqueles que, como nós, valorizam a independência, a qualidade e o foco na procura de soluções para os clientes. A meritocracia é a base da nossa gestão de talentos e todos os anos temos uma ronda de promoções que procura valorizar e reconhecer o trabalho que os nossos advogados desenvolvem ao longo do ano, por exemplo este ano promovemos quatro novos sócios e dois associados sénior, além de terem entrado recentemente 11 novos estagiários, pelo que o crescimento orgânico da Abreu e o desenvolvimento dos nossos talentos está no topo das nossas prioridades. A faturação da Abreu é de quanto? Em 2020, ano altamente marcado pela crise pandémica mundial, conseguimos crescer novamente dois dígitos (12% face aos valores de 2019) e atingir um valor de faturação de 33,6 milhões de euros. São resultados muito positivos que demonstram o trabalho inexcedível de todos os profissionais da Abreu Advogados, desde os advogados às áreas de suporte. Conseguimos adaptar-nos muito rapidamente à nova realidade do ano de 2020 e aliar flexibilidade com competência e rigor na procura de soluções para os nossos clientes. Saber que estamos a ajudá-los a ultrapassar estes tempos desafiantes é o maior reconhecimento que podemos ter. Como é que se consegue chegar a um valor correto e fidedigno da faturação de um escritório? Com ou sem IVA? A faturação de um escritório deveria ser avaliada sem IVA, uma vez que este não é sempre igual na faturação das firmas, estando dependente do tipo de serviço prestado e do beneficiário do mesmo. Por exemplo, uma firma com uma elevada presença internacional terá, provavelmente, um peso proporcional de IVA inferior, quando comparada com outra com maior peso do negócio nacional. Mas mais importante que o IVA será assegurar que quando se fazem estas análises, se usam dados que sejam comparáveis. Não estaria na altura dos principais escritórios fazerem um ‘acordo de cavalheiros’ e assumirem esses valores mas chegando a um consenso no que toca à forma como esses valores são calculados e apresentados? A transparência é um dos valores que integram o ADN da Abreu Advogados e algo que temos vindo a defender desde a nossa fundação, medidas que possam vir a aumentar a transparência no setor, necessariamente dentro do enquadramento legal aplicável, são sempre vistas com bons olhos. A Ordem dos Advogados poderá ter um papel importante nesta matéria. Na sua opinião, como é que Portugal pode ainda vir a sofrer com o pós-pandemia? Não é fácil fazer prognósticos em relação aos próximos meses uma vez que estarão sempre altamente dependentes da evolução pandémica em Portugal e no mundo, que é uma variável fundamental e que já tem demonstrado ser bastante volátil. Basta lembrar que há três meses estávamos à beira de uma quarta vaga e agora, felizmente, temos os números bem mais controlados, por força do processo de vacinação. Há, no entanto, um aspeto que a nível económico pode ser mais sensível e que está relacionado com a aproximação do fim das moratórias, que poderá significar um aumento dos créditos em incumprimento por parte das famílias e empresas, com um impacto significativo na economia nacional. Apesar de não ser um problema exclusivo de Portugal, assume uma particular importância do nosso país porque a dimensão destes créditos é elevada e irá resultar previsivelmente num conjunto inevitável de insolvências, pelo que é fundamental acautelar estas situações e começar desde já, idealmente no próximo Orçamento do Estado, a pensar em soluções e políticas de estímulo à atividade económica de modo a evitar uma degradação dos indicadores económicos e, também, sociais. Por outro lado, há a necessidade de garantir um bom aproveitamento dos fundos europeus que nos próximos anos irão chegar ao nosso país. Este será um fator decisivo no pós-pandemia em Portugal. Caso consigamos capitalizar o investimento comunitário que está previsto, estimulando a atividade empresarial e o emprego, estaremos mais preparados para podermos lidar com o pós-pandemia e responder a eventuais desafios futuros que possam entretanto surgir. A atuação do Governo foi suficiente, ao longo deste ano e meio? Gerir um país em plena pandemia não é uma tarefa fácil, não só pelo desconhecimento do que era de facto esta doença e as consequências que poderia trazer, mas também pela volatilidade da informação científica que surge, e que torna mais complicada a tomada de decisões. Houve, no entanto, inicialmente um foco quase total em travar a pandemia do ponto de vista sanitário e descurou-se, de certa forma, o impacto económico que esta poderia significar. Nesse sentido, o Governo demorou a criar medidas de proteção às empresas e aos trabalhadores que, durante este período, perderam, em muitos setores, uma parte significativa das suas receitas com consequências para a economia nacional. O estímulo à atividade económica tem surgido mais pelo alívio das medidas de contenção da pandemia do que propriamente por políticas adotadas pelo governo, no entanto, esse tipo de ações ainda poderá ser acautelada no Orçamento do Estado do próximo ano. No âmbito das políticas europeias, o Governo deu uma resposta célere com a preparação e entrega do Plano de Recuperação e Resiliência à frente dos seus congéneres europeus. Importa agora assegurar uma fiscalização efetiva que garanta a boa utilização do financiamento comunitário que irá chegar nos próximos anos. Por fim, no que diz respeito ao controlo da pandemia, há a destacar a boa organização do processo de vacinação, em conjunto com a excelente resposta e cidadania dos portugueses, que terá um papel fundamental na resposta de Portugal e do nosso tecido social e económico no pós-pandemia. Os escritórios de advogados podem aproveitar esta crise? E de que forma? Em qualquer crise existem oportunidades, seja qual for o setor, e a advocacia não é exceção. A pandemia veio aumentar a complexidade dos contextos socioeconómico e legal e as Sociedades de advogados deverão aproveitar para inovar e promover a transformação tecnológica, in house e junto dos seus clientes, de forma a poder antecipar soluções técnicas numa economia cada vez mais digitalizada e robotizada. O crescimento das áreas de inovação, de cibersegurança ou governance são, por isso, oportunidades reforçadas pela pandemia e que deverão ser aproveitadas pelas sociedades. Também na forma de trabalhar as sociedades de advogados deverão aproveitar este período pandémico para integrar políticas de maior flexibilidade que possam ir ao encontro das novas realidades e necessidades dos seus profissionais e, simultaneamente, promover novos modelos de trabalho que permitam desenvolver uma relação de maior proximidade com clientes e parceiros, que lhes permita encontrar as soluções mais adequadas e personalizadas a cada um deles. Finalmente, um tema inevitável ao nosso setor e a toda a economia é a sustentabilidade. A crise que vivemos tornou mais evidente a necessidade de cooperação e responsabilização das organizações e a definição clara de objetivos comuns de compromisso para com a comunidade. A Abreu Advogados foi pioneira neste tema e temos um modelo de gestão interno onde a sustentabilidade social e ambiental são parte integrante da forma como trabalhamos e como entendemos a nossa missão. Esta experiência interna foi relevante para o serviço de ESG que lançámos este ano e que disponibiliza aos nossos clientes, entre outras competências, um suporte abrangente para a leitura da sua atividade aos olhos das melhores práticas internacionais para a antecipação de cenários difusos como são os atuais. Quais são os pilares estratégicos da Abreu a curto prazo? Na Abreu dividimos os nossos pilares e prioridades estratégicas em dois campos: o técnico-jurídico, que está relacionado com as necessidades que identificamos junto dos nossos clientes, consoante o contexto e respetivas realidades; e o social, em que procuramos desenvolver ofertas e iniciativas que possam criar um impacto positivo na sociedade. No primeiro campo identificamos algumas áreas que poderão, a curto prazo, ter uma preponderância maior face ao contexto pandémico que, infelizmente, ainda atravessamos: Reestruturações e Insolvência e M&A, devido à provável reformulação do tecido empresarial português que, previsivelmente, irá dar origem a uma onda de fusões e aquisições e reestruturação de empresas que necessitarão do devido acompanhamento legal; Direito do Trabalho, impulsionado pelos novos modelos e paradigmas laborais que irão implicar adaptações ao nível do enquadramento legislativo e também a área da tecnologia e cibersegurança que, com o crescimento da digitalização e do trabalho remoto, vai ganhar cada vez mais importância uma vez que permite garantir a proteção dos sistemas e dados confidenciais contra ameaças externas. Numa perspetiva social, mantemos uma aposta muito clara na área de ESG, um tema essencial para qualquer Sociedade que queira ser inovadora e competitiva no mercado atual. Orgulhamo-nos de ser pioneiros em muitos temas desta área sendo que, além de termos sido a primeira sociedade de advogados em Portugal a publicar um relatório de sustentabilidade, temos uma oferta integrada de serviços em ESG, focada nas suas três vertentes: Environmental; Social and Governance; Adicionalmente, continuaremos a dinamizar o nosso projeto cultural, através da valorização da criação artística de jovens talentos e do acesso à fruição cultural por parte de um público muito alargado através das exposições públicas que promovemos nos nossos escritórios. Um último pilar estratégico a destacar a curto prazo está relacionado com a promoção da formação e conhecimento científico através do nosso Instituto de Conhecimento que se tornou, recentemente, uma entidade formadora certificada pela DGERT e através do qual pretendemos desenvolver cursos e planos de formação personalizados, à medida de cada empresa ou grupo de colaboradores.