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166 líderes antecipam 2021

  • Jornal de Negócios
  • Imprensa
  • 1/4/2021
  • 51 min

166 líderes antecipam 2021 O que esperam para o mundo, o país e a economia | Esperança foi a palavra escolhida para perspetivar o ano | Desemprego domina preocupações nacionais | Pandemia é o maior risco à escala global | Rentabilidade vai ser a prioridade | Teletrabalho irá tornar-se mais comum | Restrições só terminam no segundo semestre | Tecnologia ganhará relevância | Orçamento para 2022 será aprovado | Estados Unidos terão melhores relações com a China e a Europa | Crescimento da Zona Euro é uma incógnita 2020 foi um ano diferente. E, como tal, 2021 é de esperança. Um renascimento que é esperado pelos líderes nacionais. Pelo 12.° ano consecutivo, o Negócios realiza um inquérito para saber as perspetivas para o ano que agora entrou. Foram 166 os líderes que aceitaram responder. ----- Carlos Gomes da Silva, Presidente executivo da Galp Energia O ano de 2020 colocou desafios sem precedentes, transversais à sociedade e à economia como não havíamos antes experimentado, constituindo um verdadeiro teste à resiliência de todos nós, das empresas e dos seus modelos de negócio. Para que 2021 seja o ano de retoma que todos desejamos, temos de assumir este teste como uma oportunidade para fazer as transformações necessárias e começar a construir o futuro hoje. Na Galp, o caminho que em devido tempo trilhamos, centrado na transição energética e num modelo de negócio mais sustentável, suportado nas competências das nossas pessoas, na inovação e na digitalização, permite-nos ter a confiança de que estamos mais bem preparados para o desafio pós--pandémico. Sabemos que as decisões de hoje são a chave para que a transição energética seja uma realidade em Portugal e no mundo, devendo ser economicamente sustentável, socialmente justa e tecnologicamente neutra. E a Galp tem o pé no acelerador e as mãos no volante. ------ João Carvalho, Presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes Recuperação gradual da economia. ------ Rui Miguel Nabeiro, CEO do grupo Delta Cafés Sempre gostei da frase de Peter Drucker: "A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo." Penso que esta frase nunca foi tão pertinente como perante a situação em que nos encontramos e em que se torna essencial reforçar os pilares sobre os quais queremos fazer crescer o nosso futuro. É tempo de rever oportunidades, quebrar barreiras, lutar pelo que se acredita, concretizar e abraçar novas escolhas, preservando o que de bom este ano nos trouxe, apesar de todos os desafios que nos impôs. Para ter um ano novo, é preciso novas atitudes e teremos 365 novas oportunidades de nos tornarmos melhores e para sermos criativos nas nossas escolhas, para que elas reflitam o futuro mais seguro e consciente que todos queremos. ------ Luís Salvaterra, Diretor-geral Intrum Portugal Espero que a partir do segundo semestre de 2021 a atividade comercial e industrial do país, com exceção do turismo, volte a níveis de 2019. ----- António Pires de Lima, Presidente executivo da Brisa Controlo da pandemia e recuperação parcial da economia mundial. ----- Luís Onofre, Presidente da APICCAPS Espera-se que o ano de 2021 seja de alguma animação económica. Ainda assim, estão em equação diversos cenários e estaremos sempre dependentes da evolução da pandemia. A resposta europeia deve finalmente chegar e criar um impacto global positivo. A prioridade do ponto de vista económico deve passar pela recuperação da confiança e impulso ao consumo, de modo que se crie riqueza e não se acentuem desigualdades e aumento de desemprego. ----- Paula Panarra, Diretora-geral da Microsoft Portugal 2021 será um ano de recuperação, não só económica, mas também social e até individual. Espero ainda que seja um ano em que aproveitamos esta oportunidade para fazer diferente, para sairmos da crise mais fortes e para reimaginar o futuro. Um futuro onde nos preparámos, como país, para uma economia cada vez mais digital e global, e que o fizemos de uma forma sustentável e inclusiva. ----- Margarida Matos Rosa, Presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) Em 2021, é prioridade da Autoridade da Concorrência continuar a defender a economia portuguesa de práticas que lesam o bem-estar do consumidor, mantendo o foco em práticas anticoncorrenciais. Isto porque será um ano de prováveis dificuldades económicas para muitas famílias. A política de concorrência contribui para que estas possam ter maior escolha em termos de preço e qualidade. Por outro lado, a AdC contribuirá para a retoma da economia através do reforço de recomendações que visam eliminar barreiras desnecessárias à iniciativa económica e profissional. Eliminando barreiras nas profissões, o desemprego poderá ser reduzido ao permitir mais facilmente a reinvenção profissional de cada um. Eliminando barreiras à inovação, as economias da União Europeia, incluindo a nossa, poderão recuperar do ano de 2020 com a confiança suficiente para a próxima década. ----- Francisco Seixas da Costa, Embaixador e consultor estratégico Ano para avaliar a nova atitude americana face ao mundo, o efeito real dos estímulos financeiros na Europa e o saldo das consequências da pandemia no tecido económico nacional. ----- Pedro Soares dos Santos, Presidente do grupo Jerónimo Martins Sabemos que nos esperam tempos muito difíceis do ponto vista económico e social. Portugal assumirá a presidência da União Europeia num momento especialmente adverso em que será preciso ter a capacidade de agregar vontades e articular esforços. Estamos perante uma nova realidade que exige de todos capacidade estratégica e de execução, compromisso e também esperança. A história tem-nos mostrado que os momentos de dificuldade podem ser também oportunidades de mudança para melhor, se houver coragem para fazer as escolhas certas. 2021 será determinante para perceber se estamos à altura das circunstâncias e se temos, enquanto sociedade, a sabedoria, a flexibilidade e a resiliência para gerir na incerteza sem perder de vista o longo prazo. ---- João Cortez de Lobão, Proprietário da Herdade Maria da Guarda Sempre a crescer e aumento da confiança dos consumidores. ----- Maria do Carmo Fonseca, Presidente do Instituto de Medicina Molecular e professora da Faculdade de Medicina da UL 2021 vai ser um ano para nos adaptarmos a várias mudanças que vão perdurar para além da pandemia. Passada a fase aguda que nos apanhou a todos de surpresa, vamos progressivamente incorporar novos hábitos nas velhas rotinas. O digital e a consciência da sustentabilidade ambiental ganharam um ímpeto nunca visto. Comparo a covid-19 ao impacto do meteorito que levou à extinção dos dinossauros, permitindo, assim, o despertar de novas formas de vida. ---- Pedro Castro e Almeida, Presidente executivo do Santander Portugal 2021 será o ano da transição para o mundo pós-pandemia, com as vacinas a contribuírem positivamente para uma recuperação da confiança e, consequentemente, da atividade económica. Contudo, será ainda um ano marcado pela pandemia, em que alguns dos efeitos se farão sentir, em especial ao nível do desemprego. Assim, o Mecanismo Europeu de Recuperação e Resiliência deve ser rapidamente posto em prática, para mitigar esses efeitos e, em particular, criar as condições para uma recuperação sustentada e geradora de riqueza de forma equitativa, que promova a melhoria das condições de vida. ----- Cláudia Lourenço, Diretora-geral da Procter & Gamble Continuará a ser um ano surpreendente e desafiante, em que as prioridades se reforçam: 1) As nossas pessoas: a sua segurança, a formação, o desenvolvimento de talento, a flexibilidade e motivação; 2) Servimos os nossos consumidores: ouvindo as suas novas necessidades, e trazendo inovação; 3) Temos um impacto positivo na comunidade: ao nível da sustentabilidade, igualdade e inclusão, apoio social. ------ Vítor Domingues dos Santos, Presidente do Metropolitano de Lisboa Recuperar a perda da procura na utilização do transporte público em modo metro, continuando a promover a mobilidade urbana, sanitariamente segura e ambientalmente sustentável. Continuar a investir na melhoria da oferta dando continuidade aos investimentos já em execução e preparar novos investimentos ao abrigo dos novos programas da União Europeia, PRR e do PNI. ----- Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade Um ano com algumas incertezas, mas em que os efeitos da pandemia se irão fazer sentir ainda de forma clara. Um ano em que a definição de um rumo claro e motivador pode ser importante para catalisar as energias que temos e aproveitar as oportunidades que também existem. Um ano de esperança, em que algumas mudanças de paradigma podem ajudar a posicionar melhor Portugal como destino atrativo e sustentável, não só do ponto de vista climático ou turístico, mas também para o investimento, com uma grande aposta nos portugueses e nas suas capacidades. ----- Virgílio Lima, Presidente do Montepio Geral - Associação Mutualista Será um ano ainda de transição para a normalidade, muito marcado no primeiro trimestre pela pandemia. A partir do início do segundo semestre, com a vacinação já mais alargada, subirão os níveis de confiança, e alguma procura, que foi contida no período da pandemia, dinamizará a economia e a confiança. ----- Ângelo Ramalho, "Chairman" e CEO da Efacec 2021 receberá de forma diferida os principais impactos provocados pela covid-19. Viveremos um quadro complexo que exigirá de todas as lideranças: 1) Uma capacidade acrescida de gerar consensos num quadro de baixo nível de previsibilidade; 2) Tomadas de decisão atempadas que mitiguem riscos futuros. ----- Cristina Portugal, Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos Com expectante entusiasmo. Este ano exigiu dos cidadãos, nos papéis que desempenham, pessoal ou profissionalmente, níveis de adaptação e de entrega ímpares, (desejavelmente) irrepetíveis. Repentinamente confrontados nos planos, modos de ação e reação, todos se ajustaram para prosseguir nas novas circunstâncias. Individualmente, enquanto sociedade e economia, 2020 deixa lesões. O ano 2021 terá ainda tensão, aliviada pela esperança dum fim para a pandemia. Que trouxe lições, aprendizagem e crescimento. Para reter ao moldar o futuro. E para, obrigatoriamente, iniciar a superação. ----- Paulo Marcos, Presidente do SNQTB e SAMS Quadros Com moderado otimismo e com perspetivas que a lei laboral seja adequada a uma realidade pós-troika onde deixámos de ser uma nação tutelada. ----- António Bernanrdo, Presidente da Roland Berger Um ano em que temos de transformar a saída da crise numa oportunidade para reimaginar o nosso país, redefinir novos modelos de negócios para as nossas empresas e para nós, como cidadãos, darmos mais importância ao combate à desigualdade, mais atenção à proteção do ambiente e à sustentabilidade da economia. ----- Luís Portela, "Chairman" da Bial "Depois da tempestade vem a bonança." A seguir às grandes crises, é normal assistir-se a grandes avanços. Após a importante reação científica e tecnológica internacional à atual crise pandémica, será desejável e aparentemente crível uma reação económica e social. Deseja-se que os povos em geral e, nomeadamente, os portugueses saibam redinamizar a economia e que o façam de uma forma harmoniosa, em crescente respeito pelo seu semelhante, pelos outros animais e pela natureza em geral. ---- Bruno Ferreira, Co-managing partner da PLMJ 2021 vai ser um ano cheio de desafios em que vamos ter de fazer um esforço enorme para a recuperação da economia. ----- Carlos Marinheiro, Vogal do Conselho das Finanças Públicas A recuperação económica em 2021 continuará a estar muito ligada à evolução da pandemia. Assumindo que as vacinas são eficazes, Portugal não se pode atrasar no processo de vacinação senão os setores do turismo e da restauração continuarão muito prejudicados. ------ Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa A Europa terá uma oportunidade de ouro para fazer crescer a sua influência, já que terá um papel fundamental na intermediação entre os EUA pós-Trump e uma China fortalecida pós-covid. Essa influência já é sentida, por exemplo, na área da regulação do "Big Tech" (combate à desinformação, reforço da privacidade e restrições aos abusos de posições dominantes), em que está a ser emulada pelos EUA e pela Austrália. ----- João Cardoso, CEO da Teleperformance Portugal Num cenário otimista, penso que estamos perante uma recessão de 2 a 3 anos. Num cenário pessimista, vamos ter alguns países a entrar em "default" e grande instabilidade financeira. Num cenário catastrófico, mas infelizmente possível, vamos ter hiperinflação, crescimento rápido da pobreza extrema e do populismo, com riscos para a paz. Os países com bolsos suficientemente fundos para manter o tecido económico hibernante durante os "lockdowns", como o caso da Alemanha, vão ver a sua procura interna crescer mais rapidamente e serão os ganhadores desta crise. Infelizmente, esses países têm também uma balança comercial excedentária, pelo que terão um efeito limitado sobre a economia europeia e mundial. Para os outros, a quebra do consumo e o desemprego, que foram espoletados pelos "lockdowns", vão continuar a alimentar-se mutuamente mesmo depois de a pandemia ter sido controlada, já que o ecossistema de micro e PME sairá rarefeito da crise e terá de se reconstruir -um processo demorado. É previsível que parte do pequeno comércio e restauração seja definitivamente tomado pelas grandes superfícies - com impacto negativo sobre o emprego e o turismo. É previsível que parte dos turistas internacionais assumam novos hábitos de turismo local e não se vê porque Portugal continuaria a estar na moda depois do choque atual. Isso irá criar um "feedback" negativo de redução de turismo e redução de restaurantes e hotéis. ----- Helena Painhas, CEO da Painhas 2020 foi um ano de surpresas e mudanças radicais que impuseram que toda a sociedade se reinventasse, se adaptasse com muita persistência, paciência e resiliência. 2021 será um ano com mais luz e esperança! No entanto, temos de continuar focados e devemos, com prudência, ao mesmo tempo que a tempestade acalma, estar atento a novas oportunidades! ----- Celso Lascasas, CEO do grupo Laskasas O ano de 2021 será um ano com os seus desafios únicos, que enfrentamos com confiança. Todos os anos novos desafios surgiram e vemos que no próximo será ainda mais essencial pensar globalmente, reforçando e diversificando as estratégias de mercado, para proteger o Laskasas Group da volatilidade atual e manter a tendência de crescimento. ----- Sérgio Pereira, "Managing director" da Free Now Portugal 2021 vai ser um ano de esperança e retoma de confiança dos consumidores. No entanto, o consumidor mudou. Mudou em termos de hábitos, necessidades e até de prioridades. Irão surgir novas formas de trabalhar, novas oportunidades de mercado e novos costumes profissionais. Ao mesmo tempo, irão reduzir-se/extinguir-se algumas atividades, que terá um impacto económico ainda imprevisível. Toda a mudança é difícil, e serão necessários meses/anos para nos adaptarmos e voltarmos a ter alguma estabilidade/crescimento económico. Isto será diferente de país para país, e, sem dúvida, os países mais ágeis a adaptarem-se (em particular no setor da educação (secundário e universitário) serão os primeiros a sair desta crise. ----- José Galamba de Oliveira, Presidente da APS - Associação Portuguesa de Seguradores 2021 será um ano de grande incerteza. Incerteza porque não sabemos como vai evoluir a pandemia, incerteza relativamente à execução e eficácia do programa de vacinação em massa que se vai iniciar, e incerteza relativamente à evolução da crise económica e social. Mas se houver boas notícias na evolução da crise sanitária no primeiro semestre, podemos ambicionar um segundo semestre de recuperação económica fruto do aumento da procura de bens e serviços alicerçada na recuperação da confiança dos consumidores. ----- Pedro Rutkowski, CEO da Worx Como um ano de oportunidades e novos desafios. ----- Rodrigo Simões de Almeida, CEO da Marsh Portugal Ao ter-se instalada uma forte recessão no país, na Europa e no mundo, haverá fortes riscos, mas também muitas oportunidades. Julgo que em Portugal haverá uma correlação, quase perfeita, entre a aplicação generalizada de uma vacina para ultrapassar a pandemia e a recuperação económica, até porque os fundamentais para o futuro crescimento económico mantêm-se. As empresas que tiverem aproveitado esta crise para adaptar a sua forma de estar, aumentar o nível de digitalização dos seus processos e oferta, manter equipas coesas e preparadas para crescer, vão vencer esta nova batalha. ------ Manuel Maria Braga, CEO da Imovendo 2021 será um ano de oportunidades: - A nível global, de se redesenharem as relações internacionais, com vista a uma maior convergência política e de políticas económicas e ambientais; - A nível europeu, para se repensar a Europa, o que ela representa e como pode crescer, na ressaca do Brexit; - Em Portugal, para que se reforce uma imagem de país inovador, empreendedor e com recursos altamente qualificados, que permita um crescimento cada vez mais autónomo de um turismo de massas. ---- Jorge Armindo, CEO da Amorim Turismo Determinação a caminho da retoma. ------ 2021 é ano de esperança Os 166 líderes nacionais perspetivaram, numa única palavra, o ano de 2021. Se nos três anos anteriores a palavra escolhida foi desafiante, para 2021 sobressai a Esperança. Desafiante é também uma das características mais escolhidas, mas depois de um ano pandémico, em que o mundo foi atirado para paragens económicas, mortes por covid-19, e confinamentos generalizados, os líderes apontam, além da Esperança, para o caminho da recuperação e da confiança. Ainda que se espere, também, alguma incerteza à mistura. Há quem prefira olhar para 2021 como o ano do reinício e do recomeço. ----- Alexandre Meireles, Presidente da ANJE Vejo 2021 ainda como um ano de muita incerteza. A recuperação económica dependerá ainda muito dos resultados da vacina, e dos resultados da contenção da pandemia. Vejo como um ano muito difícil para os empresários portugueses, vejo com alguma preocupação a possibilidade de instabilidade social, e vejo um ano em que será fundamental apostar na formação e capacitação digital. Como fator decisivo e preponderante, manter, no máximo possível, o emprego em Portugal. ---- Sebastião Lencastre, CEO da EasyPay 2021. O dinheiro que não se toca. As novas formas de fazer pagamentos hoje (wallets, QR codes, cartões contactless, checkouts, etc.) vão consolidar-se em 2021, continuando a reduzir a necessidade da moeda física, e o aumento da satisfação da experiência do consumidor. Nos negócios online vejo o crescimento de novos modelos, novas soluções e funcionalidades de pagamento, como as subscrições, os marketplaces digitais, os processos de checkout, etc. Nos negócios offline, e em Portugal, acredito que assistiremos a um aumento da penetração da digitalização dos pagamentos, pelos enormes benefícios de ganhos de sinergias e redução dos custos. ----- Inês de Sousa Real, Deputada do PAN Um ano de grande instabilidade económica, social e política. Tem de ser um ano de viragem para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e da mudança de hábitos que evitem novos surtos epidemiológicos. Até aqui os Estados não estão empenhados nessa mudança, pelo que poderemos estar a caminhar para o declínio ainda mais vertiginoso da perda de biodiversidade e da degradação dos ecossistemas se não soubermos retirar a devida aprendizagem deste surto pandémico. ----- Luís Miguel Ribeiro, Presidente da AEP - Associação Empresarial de Portugal O regresso da Esperança nas múltiplas vertentes. Na Saúde, com a vacinação contra a covid-19. Na economia, 2021 traz também esperança no restabelecimento internacional de alianças comerciais e políticas, nomeadamente no reforço das relações da Europa com os Estados Unidos da América. A recuperação da economia europeia beneficiará dos fundos europeus, consentindo ao bloco europeu e a cada um dos seus Estados-membros maior resiliência. Num contexto sanitário e internacional mais favorável, os empresários portugueses saberão responder da melhor forma, proporcionando um melhor ano para todos. ----- Miguel Matos, Diretor-geral da Tabaqueira O ano de 2021 será marcado pelo início da recuperação económica. É importante que as empresas se mantenham competitivas, com capacidade para atrair investimento, talento, e assim gerar mais emprego. ----- Miguel Gil Mata, CEO da Sonae Capital 2021 continuará a ser um ano marcado pela evolução da pandemia. Mas creio que a disseminação da(s) vacina(s) terá efeito determinante. Acredito que, pelo menos nas economias ditas mais desenvolvidas, se observará uma aceleração económica acentuada a partir do segundo trimestre, reforçando-se no segundo semestre. Espero melhorias do clima social e o regresso do otimismo, incluindo recuperação gradual da mobilidade internacional. Apesar deste cenário, permanecerão alguns riscos, nomeadamente ao nível do maior endividamento e do menor rendimento disponível, minimizados (no curto prazo) pelos pacotes de estímulos e políticas monetárias acomodatícias. ----- Francisco Calheiros, Presidente da Confederação do Turismo de Portugal O ano de 2021 será de grande incerteza. A economia mundial ainda estará sob grande pressão e a retoma económica poderá começar a dar alguns sinais positivos, mas a um ritmo lento. O início da vacinação será fundamental para recuperar a confiança nos mercados financeiros, mas não terá um efeito imediato. O turismo tem sido uma das atividades mais afetadas pela pandemia porque depende em grande parte da deslocação entre países. Contudo, estamos confiantes. ----- Alexandre Fonseca, Presidente executivo da Altice Portugal 2021 será um ano extremamente difícil, a nível social e económico, para todos os setores, devido aos impactos causados pela crise de saúde pública. Paralelamente, e no caso particular da Altice Portugal, a empresa tem responsabilidades acrescidas na manutenção do seu crescimento, da sua sustentabilidade e da sua liderança destacada no setor das telecomunicações, sendo que o atual contexto definido pelo regulador para o processo de implementação do 5G terá consequências muito difíceis para o setor no próximo ano. O momento de imprevisibilidade regulatória do setor trará estes impactos profundos, nomeadamente no investimento futuro e no posicionamento do setor enquanto alavanca da economia e da sociedade. Para fazer face a esta realidade, a Altice Portugal tem plena noção da necessidade de grande capacidade de adaptação à mudança, de resiliência e de transformação. No entanto, a Altice Portugal terá a manutenção e consolidação na liderança no setor como o seu principal foco. ----- Gonçalo Rebelo de Almeida, Administrador do Vila Galé Hotéis O setor do turismo foi definitivamente dos mais abalados em 2020, tendo atingido quebras na ordem dos 70%. Mantemos algum otimismo que o segundo semestre de 2021 já marcará o início da recuperação, esperando-se que em 2023 sejam atingidos os níveis pré-pandemia. ----- Luís Lima, Presidente da APEMIP É difícil antecipar expectativas: tudo dependerá da evolução da situação pandémica e do impacto que o fim das moratórias de crédito, previstas para setembro, terá no mercado. Teremos um grande desafio decorrente das consequências da pandemia no tecido empresarial português e no mercado laboral, bem como no segmento comercial e de escritórios que decerto assistirão a mudanças decursivas de novos hábitos ora adquiridos. Mas tenho algum otimismo, resultante da sanidade do setor. Se na última crise que atravessámos havia excesso de oferta e de exposição dos proprietários ao setor financeiro, desta vez a realidade é diferente, pois continuam a faltar no mercado ativos que possam dar resposta à contínua e crescente procura por parte da classe média e média baixa, que prosseguem sem conseguir encontrar casas à medida das suas necessidades e possibilidades. ----- Bernardo Trindade, Administrador do Portobay Vejo 2021 com esperança. Com cautelas, mas com esperança. O ano de 2020 foi um ano muito difícil. Sem paralelo ao nível das sociedades liberais. Uma crise de procura global originada pela ausência de segurança sanitária, teve como consequência falhas abundantes de mercado. O apoio solidário dos Estados foi decisivo para a manutenção de ânimo na criação de valor e na manutenção do emprego. Não só no plano nacional, mas ao nível da União Europeia: a aprovação solidária de um plano de retoma, o fornecimento conjunto, simultâneo e rápido das vacinas dentro da União Europeia, refletiu sobretudo a importância do projeto europeu num quadro de solidariedade entre os Estados-membros. ----- Duarte de Athayde, "Managing partner" da Abreu Advogados Depois de uma crise profunda e impactante como a que estamos a viver, 2021 começará ainda de forma incerta e com uma economia frágil. O aumento de novos casos no primeiro trimestre será expectável e, mesmo com as vacinas e os estímulos externos, a recuperação será um processo lento e que provavelmente não se irá cingir ao ano que se aproxima [2021]. O desemprego vai continuar a marcar a agenda político-económica e será um tema de grande pressão global. Apesar disso, a recuperação espera-se que seja em forma de V e devemos atingir níveis pré-covid-19 ainda em 2021, sendo expectável um crescimento da economia portuguesa em torno dos 6%, face a 2020. O ano de 2021 ficará marcado pela recuperação e pela esperança num futuro mais promissor. ------ André Silva, Porta voz do PAN Será um ano de desafios. O maior será iniciar uma recuperação económica que assuma o combate e a adaptação do país às alterações climáticas e a transição para uma economia de neutralidade carbónica. Paralelamente é crucial que se garanta a implantação de um novo modelo de desenvolvimento que assegure a proteção adequada das pessoas vulneráveis e que garanta políticas tendentes ao emprego estável, duradouro, com direitos e salários justos, nomeadamente para os jovens. ----- Isabel Camarinha, Secretária-geral da CGTP-IN É o momento para mudar de rumo, apostar no aumento geral dos salários e das reformas, no emprego com direitos, na regulação dos horários e na diminuição do tempo de trabalho para as 35 horas para todos. É tempo de promover a contratação coletiva, revogar as normas gravosas da legislação laboral e investir nos serviços públicos. Será um ano de luta tendo no horizonte um novo modelo de desenvolvimento assente na valorização do trabalho e dos trabalhadores, na soberania nacional, no crescimento económico e numa maior justiça social. ----- Mário Vaz, Presidente executivo da Vodafone Portugal Após um ano de 2020 que fintou todas as previsões e mudou a trajetória mundial, ambiciona-se um 2021 de transição para uma nova normalidade. Embora a incerteza pandémica ainda coloque o mundo em permanente sobressalto, a expectativa em torno do maior programa de vacinação da História alimenta, por um lado, as estimativas de progressiva recuperação da estabilidade económica e social e, por outro, o otimismo para investir num futuro digital radicalmente acelerado e inclusivo. 2021 servirá de barómetro à sustentabilidade das inúmeras alterações forçadas durante a pandemia, tais como o trabalho remoto; nível de digitalização do ensino; aposta num sistema de saúde mais flexível e resiliente; aceleração do comércio digital; valorização do comércio de proximidade, entre muitas outras. Será também um ano para avaliar se a pandemia foi uma oportunidade para o progresso acelerado que o nosso país tanto precisa. ------ Joaquim Pedro Lampreia, Sócio da Vieira de Almeida & Associados Um ano paradoxal, ainda marcado pela pandemia e suas sequelas mas, por outro lado, com um bom crescimento causado pela "reconstrução" pós-pandémica. ----- Pedro Norton, CEO da Finerge Gostava de acreditar que Portugal tem uma consciência aguda da necessidade de aproveitar aquele que será, muito provavelmente, o último grande pacote de ajuda da União Europeia. Nada autoriza, infelizmente, esse otimismo. ----- Nuno Ribeiro da Silva, Presidente da Endesa Portugal Será um ano de regresso dos Estados Unidos ao "seu normal". Será um ano de reforço do foco na descarbonização e nos investimentos relacionados com a transição energética, "green deal", cimeira do clima, um ano em que o setor da energia terá imenso protagonismo. Em Portugal, depois da eleição do Presidente da República e da presidência da União Europeia, do verão, das eleições autárquicas, haverá ajuste/acerto de contas... ----- Sandra Leal Vera-Cruz, Diretora-geral da Coca-Cola Portugal 2021 vê-se como um ano de esperança por uma recuperação da economia e da convivência como a conhecíamos. No entanto, continuaremos a ter desafios importantes para ultrapassar a situação com que nos deparamos, que apenas conseguiremos com resiliência, flexibilidade e adaptação constante. Será um ano em que nos teremos de focar nas áreas prioritárias garantindo a sustentabilidade do negócio no curto e longo prazo. ----- Nuno Ferreira Pires, CEO da Sport TV Vejo como crucial a necessidade do Governo, na primeira metade do ano, ter como prioridade o restabelecer da confiança nos mercados e nos consumidores para que se restabeleça o consumo e o investimento (em especial o estrangeiro em Portugal). Um discurso de confiança focado naquilo que se espera que aconteça já no segundo semestre de 2021, em que haverá lugar ao início da recuperação (da crise) e do controlo generalizado da pandemia, será absolutamente essencial ao acelerar da recuperação pós-crise pandémica. ----- João Cadete de Matos, Presidente da Anacom Um maior investimento no setor das comunicações marcará Portugal em 2021 em benefício de todos os utilizadores, nomeadamente em termos de escolha, preço e qualidade de serviço. A atribuição de novas licenças de utilização do espectro possibilitará uma maior dinâmica concorrencial e terá como importante contrapartida o investimento na cobertura de todo o território nacional com redes móveis de elevada qualidade. Também o investimento em novos cabos submarinos, na melhoria do serviço postal universal e na promoção da atividade espacial constituirão pedras angulares de um sistema de comunicações moderno e competitivo, ao serviço das populações e do desenvolvimento económico de Portugal. ----- Paula Carvalho, Economista-chefe do Banco BPI 2021 será o ano da recuperação, depois de um 2020 totalmente atípico e tão desafiante. Os primeiros meses do ano ainda serão difíceis dada a pouca abrangência da vacinação. Mas a maior habituação e a aprendizagem no "convívio" com o vírus permitirá que as perdas económicas não sejam tão profundas como no início de 2020, quando o "lockdown" foi mais restritivo. A segunda metade do ano, a partir da primavera, será de crescimento e redescoberta de tantas atividades e práticas que têm estado vedadas. No entretanto, a dimensão dos apoios públicos permitirá a reativação da atividade sem que grandes perdas sejam infligidas em termos de capacidade produtiva e emprego, permitindo uma recuperação robusta. Ao longo do ano, surgirão de forma mais concreta os planos associados aos fundos europeus que, a partir deste ano e até 2027, praticamente duplicarão, sinalizando uma enorme responsabilidade a quem detém capacidade de decisão na sua alocação e na sua atribuição. Pois nela reside a chave para um país mais resiliente, mais rico e menos desigual. ------ Jorge Pavão Sousa, CEO da Eleven Ano extremamente desafiante com foco na estabilização da atividade económica e reforço da capacidade de inovação que permita a retoma económica no "aftermath" dos efeitos pandémicos e no impacto social provocado pela situação atual, designadamente o crescimento do desemprego. O tecido empresarial terá também uma responsabilidade acrescida pois será fundamental não comprometer a disponibilidade financeira nas famílias como impulsionador da retoma do consumo e permitir aos mais jovens o ingresso num mercado de trabalho de forma neutral e sem cortes significativos nas compensações. A Gestão de Talento e a Liderança serão aspetos fundamentais para assegurar a competitividade futura da economia nacional num mundo cada vez mais globalizado e com menos barreiras à prestação remota de serviços e de colaboração tecnológica. ----- André Ventura, Líder do Chega De forma muito apreensiva devido à situação económica. ----- Paulo Cunha, Presidente da Câmara de Famalicão Um ano particularmente difícil e exigente, muito condicionado pelo contexto de pandemia mundial que teve início em 2020 e que vai deixar um preço muito elevado na economia mundial e na sociedade. A expectativa é que o problema epidemiológico seja ultrapassado o mais rápido possível para que se dê início à difícil recuperação que nos espera. ----- Maria João Ricou, Diretora-geral da Cuatrecasas Portugal Tendo em conta os níveis de incerteza com que nos deparamos, em particular no que se refere à evolução da crise pandémica e respetivas medidas de contenção, com inevitáveis e profundas repercussões numa economia já tremendamente afetada, não é possível olhar para 2021 sem ser com um alto grau de apreensão, que, no entanto, não deixa de conviver com uma forte esperança de que o mundo entre gradualmente numa nova fase de maior controlo da pandemia, designadamente por via da vacinação, permitindo que, em paralelo, se assista a uma aceleração progressiva e consistente do ritmo de recuperação económica, à escala nacional e global. ------ Paulo Rangel, Deputado Europeu Como um ano de enorme incerteza, pautado pelo processo de vacinação, adaptação ao Brexit e implementação do fundo de recuperação. E qual a nova posição dos EUA face à UE e à China. Tudo ao ritmo da evolução da pandemia e das suas sequelas económicas e sociais. ------ José Tribolet, Presidente do INESC Manutenção no primeiro semestre do "status quo" atual, sem significativo agravamento nem melhoria da situação económica e social. Risco elevado de aumento da instabilidade internamente, quer política quer social, após a conclusão do semestre da presidência portuguesa da União Europeia, o que, conjugado com a elaboração e aprovação do Orçamento do Estado para 2022, pode levar a perturbações significativas ao nível da estabilidade governativa. ----- Pedro Tinoco Fraga, CEO da F3M Grande expectativa, mas uma expectativa francamente positiva. Entramos em 2021 com uma liderança da UE em afirmação crescente, com uma "liderança normal" nos EUA e com francas perspetivas de a curto prazo ter uma vacinação mais ou menos generalizada. Por isso, acredito que 2021 vai ser um ano positivo para a economia mundial e que o nosso país irá reiniciar um processo de recuperação depois de um ano terrível em alguns subsetores. ---- Ana Ventura Miranda, Diretora do Arte Institute As prioridades mundiais continuarão centradas no controlo da pandemia e na esperança trazida pela vacina, para se poder restabelecer a economia e voltar a assuntos de ordem mundial como: migrantes, alterações climáticas, ataques cibernéticos. Os EUA vão regressar como ator principal nas políticas internacionais, reconstruindo as suas relações com os aliados europeus. 2020 relembrou-nos que somos parte de um organismo vivo, que só sobrevivemos juntos, e que a polarização cada vez mais acentuada a nível político-social vai exigir que todos façamos a nossa parte para nos encontrarmos num meio termo e provarmos que "yes, we can be and do better"! ----- Eric Van Leuven, Diretor para Portugal da Cushman & Wakefield No que respeita ao setor imobiliário corporativo, 2021 será, provavelmente, e à semelhança de 2020, um ano de duas faces. Na primeira metade do novo ano, enquanto a pandemia ainda não se encontrar sob controlo e a vacinação não estiver concluída, devemos assistir ainda a muitas cautelas e as empresas não tomarão decisões que impliquem investimento. A partir do verão, e no pressuposto da eficácia da vacina, poderemos ver um pico de atividade, de procura acumulada. No que respeita aos investidores institucionais, a braços com altos níveis de liquidez, devem retomar atividade já no início do ano. ---- Nuno Freitas, Presidente da CP Ano de grandes desafios e de grandes oportunidades para Portugal. Para ser bem-sucedido, o país necessita de simplificar profundamente o funcionamento do Estado. Se não conseguirmos promover esta simplificação, ainda que timidamente, seguramente não conseguiremos tirar partido da famosa "bazuca". ----- Pedro Amaral Jorge, Presidente da APREN Um ano desafiante e difícil, mas no qual entraremos na fase de recuperação da economia. ------ João Moreira Rato, "Chairman" do Banco CTT Vejo 2021 como o ano em que as economias vão recuperar das limitações impostas pela situação pandémica. Com a gradual generalização da vacinação pela população das economias mais desenvolvidas e o consequente aumento das interações sociais, reúnem-se as condições para uma forte recuperação económica assente em políticas monetárias acomodatícias e políticas fiscais expansionistas. O balanço final do período será desigual com alguns setores a sofrerem uma maior diminuição de capacidade instalada e perdas de emprego, como o turismo, eventos e restauração. O final da situação pandémica será, contudo, potenciador de uma recuperação rápida também nestes setores. Resta como fator de incerteza como alguns clientes bancários, principalmente empresas, vão conseguir sair das moratórias, podendo criar dificuldades para alguns bancos com níveis de capital mais fracos. Contudo, o setor financeiro como um todo, mais bem capitalizado, deverá estar preparado para lidar com este desafio. ----- Duarte Líbano Monteiro, Diretor regional da Ebury 2021 será um ano de transição, mas dependerá do sucesso da vacina. De uma forma geral será um ano com algum impacto no desemprego e nos rendimentos das famílias, o que provocará uma desaceleração na economia... Isto para os países mais pequenos como Portugal. Os países maiores e as economias desenvolvidas terão mais "pulmão" para recuperar a sua própria economia. ----- Bernardino Meireles, Presidente da António Meireles 2021 será um ano ainda marcado no primeiro semestre pela pandemia sanitária que assolou o mundo em 2020, com crescimento económico positivo mas ainda sem atingir os níveis antes da pandemia que só serão verificados em 2022. ----- João Nascimento, CFO e presidente do conselho executivo da Teka Portugal Um ano que poderá ser de recuperação económica, desde que se consiga controlar a pandemia. Se não se conseguir o controlo na primeira metade do ano, isso afetará o ano turístico, o que poderá ser uma forte limitação à recuperação económica, dado o peso do setor na economia portuguesa. ----- João Miranda, "Chairman" da Frulact Este será mais um ano de navegação à vista, com a economia refém da situação pandémica global. Vai-se fazer sentir o crescimento exponencial de insolvências que irão surgir durante o próximo ano, agravado com o fim das moratórias e do lay-off, fazendo disparar o desemprego e degradar o rendimento das famílias, fragilizando também o tecido empresarial. O nível da dívida pública vai limitar fortemente a intervenção do Estado na economia, esperando-se que a "bazuca europeia" seja corretamente direcionada, sob pena de nos rebentar nas mãos! ----- Francisco Madelino, Presidente da Fundação Inatel O próximo ano vai ser marcado pela capacidade de rapidamente controlar a pandemia, e das expectativas que os cidadãos consumidores incorporam esse controlo. Os países irão facilitar a recuperação de setores condicionados em função dessa perceção. Num mundo globalizado o tempo dessa recuperação é fundamental, e a velocidade com que se faz, sobretudo no que implica mobilidade de pessoas, como o turismo. No caso português, este setor é fundamental na recuperação, assim como a implementação da denominada bazuca e a estabilidade política, para além da eficiência do processo de vacinação. ---- Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde A caminho da recuperação pós-covid. ----- Eugénio Fernandes, CEO da EuroAtlantic Airways Enquanto não houver uma vacina para a covid-19 eficaz, o nosso futuro será incerto. 2021, além de incerto, será também desafiante e imprevisível. Com tanta incerteza, resta-nos manter a nossa resiliência, trabalho, sacrifício e atitude positiva para irmos sempre ultrapassando os desafios que, estou certo, serão em 2021 muito mais e maiores do que possamos neste momento antever. A diferença em 2021 será feita por aqueles que consigam resolver problemas, estou certo de que nós estaremos nesse grupo. ----- António Miguel Ferreira, CEO da Claranet Portugal Um ano em que a pandemia não será mais fator de distração e nos focaremos na retoma da atividade, no aumento da competitividade das empresas e no crescimento da economia, em suma, no que nos permitirá ter um país melhor no médio e longo prazo. Esse papel cabe às empresas e cidadãos. Ao Governo cabe não complicar. ------ Pedro Afonso, CEO da Vinci Energies Portugal 2021 é um ano de esperança e confiança. Caminhamos a passos largos da generalização da vacina, e os agentes económicos irão, aos poucos, ganhar confiança para voltar ao investimento. A pandemia mostrou também a necessidade de decidir sobre dados válidos, e de agir com base na ciência. Resta saber se coletivamente vamos tirar estas duas lições - sendo consequente - de tudo isto que ainda hoje estamos a viver. Sendo um ano de transição para uma situação de vida mais normal em 2022, devemos combater a inércia nos temas de longo prazo: é tempo de preparar o planeta para que os nossos filhos habitem num melhor. ----- António Sampaio de Mattos, Presidente da APCC - Associação Portuguesa de Centros Comerciais Irá ser a continuação de 2020, mantendo-se as dificuldades e as surpresas desagradáveis. No nosso setor de atividade, prevê-se um ano difícil, fruto das consequências da pandemia, agravadas pela imprudente e inadmissível intromissão do Estado nas relações contratuais entre proprietários e lojistas. ----- Octávio Viana, Presidente da ATM - Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais O Brexit com acordo ("win-win" para União Europeia e Reino Unido) e a reabertura plena da economia que esperamos para o primeiro semestre de 2021 (muito a reboque da imunidade de grupo que se espera adquirir à custa da vacina e novos medicamentos) deverão permitir uma recuperação em V, muito à custa de estímulos económicos e financeiros dos países das economias mais desenvolvidas, tornando-se autossustentável no segundo semestre de 2021, mesmo com o coronavírus SARS-CoV-2 a tornar-se endémico. Os EUA deverão ter um crescimento do PIB acima dos 6%, melhor do que a Europa. ----- Pedro Costa Ferreira, Presidente da APAVT Saberemos se as empresas, as do turismo em particular, resistem à pandemia. O êxito da vacina e a capacidade de os dinheiros europeus chegarem às empresas serão cruciais. Ano particularmente decisivo para a TAP. Já no final de 2020, o Governo começou por impor na TAP o que proibiu para todas as outras empresas portuguesas - apoios a fundo perdido e despedimentos! A oposição opôs-se até ser chamada a construir, na Assembleia da República, altura em que fugiu! 2021 será o momento da decisão europeia... Se a TAP resistir a tudo isto, temos empresa para mais um século!... O prognóstico mais fácil? Ainda não é em 2021 que teremos a decisão sobre o aeroporto do Montijo. ----- Hélder Pedro, Secretário-geral da ACAP Depois da terrível pandemia, que nos afetou fortemente em 2020, 2021 será necessariamente um ano de todas as esperanças. Isto porque, com o início da vacinação, iremos, gradualmente, retomar a desejada confiança na economia, de que tanto carecemos. Era fundamental que conseguíssemos ganhar o próximo verão, designadamente com o retomar da atividade turística, o que seria uma mola impulsionadora para toda a economia. No caso do setor automóvel, em que um terço das vendas são para o canal rent-a-car, essa retoma é fundamental! Se se mantiverem as previsões, para o crescimento da economia, já avançadas quer pelo Governo, quer também pelo Banco de Portugal e pelo FMI, teremos condições para iniciar uma lenta retoma. Mas, a comparação terá sempre de ser feita com o ano de 2019, dado que 2020 foi um ano completamente anómalo e de má memória. Mas existem, ainda, muitos riscos e as recentes notícias que nos chegam de Inglaterra, e que levaram ao encerramento de fronteiras e restrições à circulação de pessoas e bens, podem conduzir a um retrocesso. Ora, esperemos que este quadro não se verifique, porque não podemos correr o risco de termos mais um ano perdido nas nossas vidas! ----- Pedro Viegas Galvão, Presidente do CPC - Conselho Português de Carregadores 2021 será mais um teste à capacidade de resiliência dos portugueses e das suas instituições. A recuperação económica estará dependente da evolução da pandemia, quer em termos nacionais quer internacionais. Boas perspetivas para, a partir do segundo semestre, haver um crescimento robusto, sustentado por investimento público e privado, retoma progressiva das exportações e do consumo interno. No setor dos transportes e infraestruturas, de realçar os investimentos já em curso na ferrovia e ampliação portuária, essenciais para a manutenção da competitividade logística. Para a indústria, o principal desafio é a descarbonização da economia: a capacidade de adaptação à mudança será determinante à sobrevivência das empresas. Mas irão surgir oportunidades que os mais atentos tratarão de aproveitar. ----- Ricardo Henriques, Presidente da Agrikolage O ano de 2021 será de melhoria nas relações entre Estados Unidos e China, promovendo, desta forma, o incremento das relações comerciais entre as partes, potenciando, também, a interação com a Europa. A nível empresarial, o ano será de forte mudança, na forma como se abordarão os negócios. O primeiro semestre será exigente ao nível da resiliência da tesouraria das empresas, mas, em contrapartida, surgirão novas oportunidades para as organizações que estejam predispostas a arriscar. A economia digital vai continuar a ser um tema diário nas empresas, e será eventualmente a janela de oportunidade de muitos negócios sobreviverem e prosperarem. ----- Duarte Braga, "Managing director" da McKinsey Iberia 2021 deverá ser, por um lado, um ano de transição para a normalidade, em que vamos assistir à recuperação progressiva dos setores mais afetados pela pandemia e onde a sociedade vai recuperar muitos dos hábitos sociais e profissionais pré-pandemia, mas, por outro lado, será também um ano no qual terão de ser reconhecidos os enormes custos do suporte das economias ao longo de 2020, em particular os custos de moratórias - que irão trazer consigo uma nova onda de pressão sobre a banca - e os custos sociais, que se têm traduzido num novo disparar da dívida pública e que, inevitavelmente, irão levar à necessidade de esforços ao nível orçamental que poderão criar tensões sociais e políticas, à semelhança da anterior crise. ----- Alberto Ramos, "Country manager" do Bankinter Um ano de desafios, mas também um ano de oportunidades. As consequências económicas e sociais da pandemia atingirão o seu apogeu, sendo que, num cenário de redução crescente da incerteza, se estará a trabalhar para a recuperação económica. Num ano de polarização de desempenhos haverá vencedores e vencidos, com os que estão mais bem preparados a tomar a liderança de forma cada vez mais destacada. Sentimento global de otimismo... realista. ----- Filipe Moura, CEO da Ifthenpay Vai ser o ano em que a crise provocada pela pandemia vai ter um impacto real nas pessoas, devido ao desemprego e fim das moratórias... com todos os problemas de instabilidade social e política que isso provocará... Mas, por outro lado, vai ser o ano em que se vai resolver a questão epidemiológica, o que trará uma nova esperança, uma recuperação rápida da economia e um voltar à normalidade. ---- Pinho da Costa, Administrador-delegado da Sociedade Comercial C. Santos Por ser um otimista nato, mas essencialmente porque penso termos uma organização bem estruturada, bem organizada e com muita ambição, para 2021, a palavra-chave é CONFIANÇA. Este otimismo e, naturalmente, esta confiança, resulta também de todo um histórico, essencialmente, mais recente. Por um lado, da nossa organização, da boa evolução positiva, em volume de atividade, em emprego, mas também em rentabilidade, isto, face a todos os diversos desafios com que nos fomos defrontando no passado mais recente. Naturalmente, que a realidade vivida desde 2020, colocou-nos, a nós e a todas organizações, num paradigma bem diferente. No entanto, também não podemos esquecer que a base desta crise, que retraiu toda a atividade económica, teve origem bem diferente da do passado. O sistema financeiro mantém toda a sua disponibilidade e operacionalidade. Mais, se nos lembrarmos ainda, do que ocorreu no período pós-confinamento, no terceiro trimestre, a atividade, no nosso setor e no nosso caso em particular, teve uma progressão muito positiva. Daí, com todos os cuidados de saúde pública existente, cada vez mais bem aceites por todos, e com a chegada das vacinas, fazem-nos ter um pensamento positivo para 2021, prevendo que todo o processo de retoma da economia, possa ocorrer de forma gradual, mas muito positiva. ----- Casimiro Gomes, Administrador da Lusovini Um ano muito difícil, pois vamos ter o impacto do efeito negativo do ano 2020. ----- José Bancaleiro, "Managing partner" da Stanton Chase Ano de retoma forte a partir do 2.° trimestre. ----- Pedro Lancastre, CEO da JLL Portugal Mais um ano muito desafiante, em que quanto mais depressa se revelar a eficácia das vacinas, mais depressa voltará a confiança aos mercados. Portugal, que passou a estar no radar internacional nos últimos anos, no que diz respeito à atração de investimento imobiliário, com todas as características que tem, tem tudo para aproveitar esta crise, e continuar a atrair as maiores multinacionais para se instalarem no nosso país. Podemos também posicionar-nos como "hub" para expatriados que podem trabalhar remotamente. ----- Franquelim Alves, "Managing partner" da Newfinance Com todas as incertezas ainda em cima da mesa, 2021 tem todas as condições para que assistamos a uma recuperação consolidada da economia. Restarão contudo problemas sérios ao nível do desequilíbrios orçamentais que o apoio dos Estados à paralisação da economia provocou. No caso português, as debilidades das contas públicas substancialmente agravadas pela pandemia irão requerer medidas de reestruturação da estrutura das despesas do Estado. Por outro lado, o fim das moratórias irá aumentar significativamente o nível de crédito malparado e inevitavelmente impor a adoção de medidas de reestruturação dos créditos em atraso. ----- Paula Antunes da Costa, Diretora-geral da Visa Portugal O ano de 2021 deverá ser um ano de incerteza, a duas velocidades, com uma recuperação mais lenta no primeiro semestre, pendente da capacidade de ultrapassar a crise sanitária, que será determinante para restaurar o consumo interno e reoxigenar o tecido empresarial produtivo. A recuperação das economias dos países com os quais Portugal tem importantes trocas comerciais, incluindo o turismo, deverá contribuir para uma mais rápida recuperação na segunda metade do ano. As mudanças impostas pela situação excecional vivida deverão consolidar novos modelos de negócio, assentes em novas tecnologias e pagamentos digitais, e forçar o tecido empresarial e o setor público a acelerarem a sua transformação digital e a requalificação do seu capital humano. ----- José Luís Cacho, Presidente da APS - Administração dos Portos de Sines e do Algarve No ano de 2021 acredito que será sentida alguma recuperação da economia. Quanto ao porto de Sines, à semelhança de 2020, continuaremos a crescer na carga contentorizada e, tendencialmente, por força da descarbonização da economia a reduzir os volumes dos produtos energéticos. ----- Rafael Campos Pereira, Vice-Presidente executivo da AIMMAP No primeiro semestre de 2021 Portugal será marcado pela deterioração da sua economia e por algumas convulsões sociais daí resultantes, as quais poderão agravar as desigualdades já existentes. Não obstante, de uma forma geral, os segmentos mais ativos da sociedade continuarão em anestesia, acomodados pela injeção no país de dinheiro barato e fundos europeus. A recuperação da economia a partir do segundo semestre será impulsionada pela resiliência e capacidade de crescimento do setor metalúrgico e metalomecânico, que continuará ser o mais exportador do país. ----- Ilídio de Ayala Serôdio, Presidente da PCG Grandes desafios com relevo para a necessidade de mais exportações, de repensar o teletrabalho como novo normal, que exigirá outro tipo de controlo na produção, com novas tecnologias ligadas à "artificial intelligence". ----- Carlos Cardoso, Presidente da Confederação do Desporto de Portugal Será um ano de grande desafio para a humanidade em geral. Todos esperançados na eficácia de um conjunto de vacinas, as quais não foram verdadeiramente testadas em toda a sua possível abrangência, quer no que diz respeito à sua universalidade quer na sua extensão temporal. Se funcionar, será um ano de grande crescimento na generalidade dos setores embora segundo parâmetros diferentes dos que estávamos habituados. ----- Pedro Colaço, CEO do Small Portuguese Hotels Ano difícil, mas de crescimento. ---- Pedro Gouveia Alves, Presidente executivo do Montepio Crédito Nunca na história mais recente a entrada de um novo ano foi tão marcada por "ses". Se a vacina for eficaz e generalizada. Se a capacidade produtiva não for destruída. Se não aumentar a taxa de desemprego. O contexto é de gestão na incerteza. Planear para o ano de 2021 é um exercício académico. Importante, mas que se reveste apenas de uma certeza: é que a probabilidade de se desatualizar rapidamente é muito elevada. Portanto, a gestão não está para "aprendizes". Nunca foi tão importante a decisão imediata, eficaz, "hands on". ----- Francisco Oliveira Fernandes, CEO do Banco Carregosa 2021 deverá permitir a redução das incertezas em relação ao choque exógeno que nos afetou em 2020, reduzindo-se os impactos da pandemia. Certamente outros imprevistos estarão à espreita durante este ano, mas dificilmente será tão desafiante como foi 2020. 2021 deverá, pois, ser marcado pelo regresso progressivo à normalidade. ----- Sandro Mendonça, Economista e administrador da Anacom Após o verdadeiro "primeiro ano" do século XIX, o ano 2021 apresenta-se como um ano de grandes ajustes e compensações. Parte da grande deslocação ocorrida com a pandemia vai começar agora a fazer sentir-se quanto às consequências e efeitos: perda de capacidades, fadiga de processos, subemprego de recursos. Mas é uma janela de oportunidades: para investimentos, reconfigurações e mérito. ----- Diogo Alarcão, CEO da Mercer Portugal Será um ano muito desafiante e que ficará muito dependente da evolução da pandemia e da eficácia do plano mundial de vacinação. Apesar de tudo, estou otimista sobretudo no que se refere à recuperação económica nos EUA e UE. Portugal e outros países fortemente dependentes do turismo vão recuperar menos e mais lentamente. ----- Miguel Mascarenhas, CEO da Fixando Em 2021, seguem-se dois grandes desafios: por um lado, o da recuperação económica dos profissionais que não tiveram a capacidade imediata de garantir a continuidade dos seus negócios perante a pandemia; por outro, o do crescimento e da consolidação das ideias e projetos que nasceram na realidade que hoje vivemos. ----- Paulo Pimenta, CEO do Kuanto Kusta 2021 vai ser um ano ainda com muita incerteza, vai depender muito da eficácia da vacina e da retoma da economia à normalidade. Para Portugal é essencial que o turismo possa funcionar de novo para que a nossa economia não venha a sofrer demais, e que o desemprego baixe rapidamente. O e-commerce vai continuar a crescer, beneficiando dos novos hábitos de consumo e dos novos compradores online. ------ Nuno Rangel, CEO da Rangel Logistics Solutions 2021 será o ano para o nosso retorno à normalidade. Com a chegada da primeira vacina a Portugal, conseguimos finalmente ver a luz no final do túnel. Obviamente ninguém tem a certeza de como será a vida em 2021, mas no geral toda a gente está bastante confiante de que 2021 será melhor do que 2020. A verdadeira questão será quando, durante 2021, é que teremos o nosso retorno à normalidade. Acredito que vai ser muito gradual, mas acho que provavelmente, no próximo verão, já teremos a possibilidade de estar de volta a um quase normal, conforme vamos vacinando mais pessoas e vamos conseguindo chegar à imunidade de grupo, e, o mais importante, ir protegendo os mais frágeis e com isso salvar vidas. E espero que para o final de 2021, muitas das atividades que costumávamos considerar as nossas rotinas já as teremos de volta e nos sentiremos seguros novamente, com a possibilidade de conseguirmos já juntar toda a família para celebrar o Natal de 2021. Em termos económicos, vamos ter ainda um primeiro semestre muito difícil, principalmente nas áreas de negócio que foram muito afetadas pela pandemia, como o turismo. Portugal precisa de apostar novamente no turismo e garantir que os turistas se vão sentir seguros em viajar para Portugal. É essencial voltarmos a investir em captar eventos e feiras para Portugal. No segundo semestre, iremos assistir gradualmente a uma volta generalizada deste tipo de eventos. Temos de olhar para a nossa indústria, apoiar a reindustrialização e, com isso, apoiar não só as exportações que são um grande motor para o nosso crescimento, mas também apoiar as nossas empresas a internacionalizarem-se com abertura de filiais em outros países. A aposta na digitalização e na tecnologia é essencial e, aqui, Portugal necessita seriamente de investir. Outra aposta importante será o foco na defesa do ambiente e na aposta da transição energética. Temos uma oportunidade única para aproveitar todo o dinheiro que estará disponível de fundos europeus para apoiar o pós-crise, se o soubermos usar bem, podemos sair fortalecidos para os anos que virão depois de 2021. Na parte mais negativa, temos de estar bem preparados para o fim das moratórias, o nível de moratórias de crédito pedidas em Portugal e em vigor no momento são as mais elevadas da Europa e é necessário um acompanhamento muito próximo de todo este processo. Concluindo, vamos ainda ter um ano difícil pela frente, mas melhor que 2020. Começamos o ano já com as primeiras vacinas dadas em Portugal e com isso começamos 2021 com outra confiança. E acredito que temos todas as condições para começar gradualmente a ter um retorno à normalidade e, com as medidas certas, colocar o nosso país de volta a um crescimento económico. ------ Joaquim Cunha, Diretor executivo do Health Cluster Portugal Só posso ver 2021 com esperança porque muito dificilmente será pior do que o ano que agora findou. O grande desafio que coletivamente temos pela frente é o da recuperação de uma economia que, em alguns segmentos, bateu mesmo no fundo, o que teremos de fazer sabendo aproveitar o quadro de oportunidades que está pela frente. Na Saúde, área que me interessa em particular, o reforço da sua centralidade, que foi durante este ano evidente, terá de ser estruturante desta recuperação. ----- António Nogueira da Costa, CEO da Efconsulting A primeira metade do ano a sofrer as consequências da pandemia e a segunda metade a recuperar com o restabelecimento da confiança e da necessidade de as pessoas desfrutarem do enorme período das restrições de um ano e meio. ------ Manuel Reis Campos, Presidente da CPCI/AICCOPN Apesar de avanços muito positivos, tanto em relação à vacina, como à denominada "bazuca europeia", o arranque de 2021 ainda vai ser profundamente marcado pela crise que estamos a atravessar. As empresas e, em especial, o setor da construção e do imobiliário, que tem sido determinante para a economia e o emprego, vão ser decisivos. É necessário criar condições para resistir a esta conjuntura que se espera difícil nos próximos meses e recolocar o país numa trajetória de sustentabilidade. ----- Alexandre Nilo Fonseca, Presidente da ACEPI - Associação da Economia Digital A transformação digital da economia e da sociedade vai acelerar em 2021 em Portugal. Muitas das tendências que já se verificaram durante a pandemia serão o "novo normal": mais de 80% da população irá usar a internet no seu dia a dia - mais 50% dos utilizadores o farão com maior intensidade e sofisticação do que no passado, nomeadamente a fazer compras online e a usar a banca digital. O teletrabalho fará parte das rotinas de muitos portugueses bem como o ensino à distância. As empresas portuguesas -nomeadamente as PME - adotarão uma cada vez maior presença digital seja para vender produtos e serviços para o mercado interno seja para o mercado externo. O desenvolvimento das competências digitais dos profissionais e dos cidadãos irá ganhar particular relevância em 2021. ------ Filipe Garcia, Presidente da IMF - Informação de Mercados Financeiros O início de 2021 terá tanto de restrições como de esperança de retomar à normalidade. O pós-pandemia será forte em termos de consumo, devido à poupança acumulada. Porém, a retirada dos estímulos fiscais e monetários será desafiante porque virão à tona muitas das insolvências e o desemprego que se evitaram em 2020. A nível global, os governos terão dificuldade em abandonar o viés autoritário que a pandemia permitiu. Os conflitos com a China deverão acentuar-se, agora que está mais claro para o Ocidente que a sua posição está em risco. ----- Mário Azevedo Ferreira, CEO do NAU Hotels & Resorts Incerteza. Dependerá da velocidade de produção, entrega e disseminação da nova vacina. E dependerá da retoma da CONFIANÇA por parte dos governos - em reduzir as restrições - e dos consumidores - em voltarem a consumir como antes. Prevejo um primeiro trimestre tímido, um primeiro semestre com a confiança em crescendo, um segundo semestre de franca retoma e a transição para 2022 já com regresso aos hábitos de consumo normais. Mas ainda pode tudo correr mal. A palavra de ordem: CONFIANÇA. ------ João Levy, CEO da ECOserviços Ano muito difícil com o Estado a sufocar as empresas privadas. ------ Domingos Cruz, "Managing partner" da CCA Já foi quase tudo dito sobre o ano de 2020, um ano atípico, desafiante a todos os níveis, que nos apanhou (e continua a apanhar) de surpresa. Foi um duríssimo teste a governantes e governados, uma verdadeira parceria público-privada entre o Governo da República, as empresas e as famílias. Todos, individual e coletivamente, retirámos valiosas lições deste ano que acabou. Essas mesmas lições devem ser projetadas para 2021, um ano em que se espera que o novo normal seja progressivamente cada vez mais anormal. As opções estratégicas que o Governo tome agora irão provavelmente marcar as próximas décadas, mais investimento na economia de futuro, em I&D, na ciência e na cultura seria a única forma de alterar o paradigma dos últimos 50 anos da economia portuguesa, aperfeiçoar quadros legislativos, sofisticar os ambientes regulatórios e capacitar os serviços públicos e camarários são indispensáveis para atrair investimento estrangeiro e nacional sustentável e de qualidade. Em resumo, gostaria de ver mais política estratégica, de longo prazo, e menos política partidária, de curto prazo, coincidentes com ciclos eleitorais. ------ João Barros, CEO do Pagaqui Melhor seguramente. Depois de um ano de 2020 extraordinariamente atípico, não pelos melhores motivos, 2021 vai ser um ano de esperança, retoma e, talvez até, de alguma euforia. O cansaço provocado pela privação que representou o confinamento geral vai seguramente ser uma mola impulsionadora da economia via o consumo em geral. No setor dos pagamentos em particular, vamos continuar a assistir ao aumento significativo, quer dos pagamentos online, por via do significativo crescimento do e-commerce, quer dos pagamentos eletrônicos em detrimento do numerário. A necessidade acelerada de soluções de pagamento eletrônico, por via da pandemia, acelerou ainda mais a revolução digital em Portugal. Acredito assim que em 2021, vamos assistir a uma ainda maior aceleração da aceitação de pagamentos eletrónicos pelos comerciantes e assistir, de facto, a uma mudança permanente nas expectativas dos clientes - tornando as soluções digitais e de comércio eletrônico mais importantes do que nunca. ----- Carlos Barbot, Presidente das Tintas Barbot Portugal deveria preparar-se para ser mais competitivo. Nunca mais teremos tantos fundos ao nosso dispor. Se insistirmos em apoiar empresas sem hipóteses de sobrevivência (empresas que têm sistematicamente prejuízo) será uma péssima aplicação de fundos. Outro problema é o IRC. Enquanto o resultado estiver nas empresas não faz sentido tributá-lo, isso só devia acontecer quando passa para a esfera do acionista. O mesmo com o salário mínimo. Temos de começar a aumentá-lo pois faz aumentar a procura. Porém não pode ser taxado, pois nesse caso passa de consumo para imposto. Outro problema é a lei laboral. Se uma empresa quiser ir recrutar um jovem sem emprego por troca com um sénior verá que a indemnização é tão alta que dificilmente o fará. Todos estes temas foram vistos e resolvidos por países da comunidade com sucesso, é só copiar. ----- Pedro Penalva, CEO da Aon Portugal Todas as crises geram oportunidades e é desta forma que olhamos para 2021. Com preocupação, mas com otimismo e com foco para contribuir mais para o crescimento económico. As empresas têm de se adaptar a uma nova realidade, em que será necessário utilizar a gestão do risco como fonte de vantagem competitiva. ------ João Rui Ferreira, Presidente da APCOR Um ano de afirmação de valores importantes no contexto social e económico. Desde logo não haver recuos na implementação das políticas que promovam a sustentabilidade e a economia circular. Acredito ainda que haverá um reforço da confiança na ciência e no conhecimento como pilar essencial à competitividade das empresas e bem-estar das populações. Portugal a assumir um discurso de confiança e ambição colocando-se como pilar na relação entre países e continentes. Por último, colocar as empresas como pilar central do nosso plano de recuperação. ----- João Martinho, COO da Solutions 30 Vejo 2021 como um ano de viragem. Depois da crise pandémica vivida em 2020, teremos em 2021 a oportunidade de nos reorganizarmos, e implementarmos as transformações necessárias para iniciar o percurso de recuperação da economia, de forma sustentada, e consistente. ----- Sandro Mota Oliveira, CEO da Invest&Co Apesar de considerar que teremos um primeiro trimestre condicionado, espera-se que durante este período se verifique o levantamento progressivo das restrições. Em paralelo, acredito que o sucesso no processo de vacinação em larga escala gerará um efeito positivo nas expectativas dos agentes económicos, o que produzirá um impacto virtuoso na procura interna e dará um contributo decisivo no aumento do investimento. Fundamentalmente, importa que os níveis de confiança aumentem e a incerteza deixe de ser um óbice à dinâmica económica, resultando numa retoma gradual e sustentável. ----- Luís Barroso, Presidente da Mobi.e Será um ano marcado pela incerteza e pela esperança. Incerteza quanto à capacidade de aplicação generalizada das vacinas e aos seus efeitos, quanto aos efeitos do Brexit e quais as reais condições em que Trump irá deixar a presidência dos Estados Unidos da América. Mas ao mesmo tempo de esperança que as vacinas permitam debelar a pandemia a nível global e restaurar a confiança económico e a recuperação do emprego, esperança em que seja possível estabelecer um acordo equilibrado entre a União Europeia e a Inglaterra. Esperança em que Biden tenha capacidade para repor a normalidade das relações com os seus parceiros tradicionais como a União Europeia. Independentemente dos diferentes cenários de evolução possível, no que respeita à mobilidade elétrica será um ano em que se espera que continue a crescer e a aumentar a sua importância relativa no setor. ----- Francisco Marques da Silva, CEO da CLIP Muita incerteza! A nível internacional, ver como as economias reagem à crise provocada pela pandemia. Em termos geoestratégicos, curiosidade em relação aos EUA e o seu posicionamento em relação à China, Médio Oriente e aliança com a Europa. Em Portugal, a discussão do orçamento vai ser curiosa com os ex-parceiros, pois o preço a pagar para a sua aprovação poderá ser demasiado elevado, tornando a solução governativa inviável: eleições sem solução de governo. Economia dependente da evolução da pandemia. ----- Tiago Barroso, CEO da Everis Portugal 2021 continuará a ser um ano exigente, de combate à pandemia, mas também de esperança pela proximidade da recuperação social e económica, na qual espero que persista o ambiente de transformação e adaptação que temos vivido. Acredito que as crises são oportunidades de mudança e, por isso, devemos encarar o novo ano com otimismo e o entusiasmo necessário para prosseguirmos a transição digital e energética que estamos a viver, para que, na próxima década, tenhamos um planeta mais sustentável e uma sociedade mais justa, equilibrada e próspera. ----- Luís Urmal Carrasqueira, Diretor-geral da SAP Portugal Temos de estar cientes das dificuldades que ainda vamos sentir em 2021; mas também otimistas por via da vacinação que ganhará escala e que terá repercussões na confiança de todos os agentes económicos. Também não deveremos esquecer a expectativa das empresas face aos apoios oriundos da UE. Por certo que a digitalização vai estar no topo das agendas, bem como a identificação de oportunidades por parte das empresas nacionais. Estas deverão posicionar-se como uma alternativa nas redes de abastecimento às grandes indústrias europeias, altamente dependentes da Ásia. Socialmente, aguarda-nos uma retoma gradual da circulação e do contacto entre pessoas, associada aos novos hábitos de trabalho entretanto adquiridos. ----- Bruno Bobone, Presidente Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa Todos esperamos que 2021 seja um ano de recuperação. Mas, mais do que isso, deve ser um ano de reinvenção. Devemos aprender com o que vivemos. E, por isso, as nossas prioridades devem ser redefinidas. A pessoa tem de estar no centro das nossas estratégias. As empresas devem ser estimuladas para que estejam preparadas para a retoma e para levar o país a patamares anteriores. Uma melhor criação de riqueza para que nos possamos concentrar na felicidade da pessoa é a minha receita para o próximo ano. Deixemos de decidir por medo e tenhamos a coragem de viver, com riscos, mas com o objetivo de criar uma sociedade que verdadeiramente nos permita, a todos, ser felizes! ------ Renato Carreira, Partner da Deloitte O ano de 2021 será certamente ainda muito marcado pelos efeitos económicos e sociais decorrentes da pandemia provocada pela covid-19. Não obstante, os agentes económicos nacionais deverão encontrar nas adversidades uma oportunidade de transformação da economia portuguesa, criando as condições para que sejamos mais competitivos no contexto internacional, com base no incremento do conhecimento e da formação das pessoas e na aposta na sustentabilidade ambiental e de utilização dos recursos. A capacidade de utilizarmos os fundos comunitários como alavanca para a melhoria estrutural do nosso tecido empresarial e da nossa economia ditará parte do sucesso de Portugal nos próximos anos. ----- Ana Monteiro, Diretora-geral da Summer Vanguard Em 2021 será importante as empresas terem o foco no que realmente gere produtividade e rendibilidade às organizações, para se manterem a laborar. Seguidamente promoverem investimento em tecnologia, produtos e processos inovadores a pensarem essencialmente no depois de 2021. Ao mesmo tempo a procurarem novos clientes e/ou adaptarem-se a novas exigências e procura dos consumidores. As organizações desde sempre têm que se reinventar diariamente a nível organizacional, investigarem novos métodos de produção e novas formas de fazerem negócios. Conseguirem o segmento de mercado que interessa de forma rápida e chegarem a vários pontos do globo será ponto essencial para o sucesso. Havendo o produto e o serviço procurado, a rapidez e a flexibilidade com que se atua no mundo dos negócios fará a diferença em 2021. ------ Paula Casa Nova, CEO da Europ Assistance Portugal Em 2021, vamos estar mais bem preparados para enfrentar a evolução da pandemia e estou convicta que já avistaremos a luz ao fundo do túnel. Mas isso exige de todos -das empresas aos colaboradores, dos Governos aos consumidores -um esforço adicional para se cumprirem as medidas necessárias de combate à pandemia, sem esquecer paralelamente a necessária dinamização da economia. Com a crescente digitalização assistiremos à consolidação de novas formas de trabalho. Será sobretudo um ano de transição para uma realidade nunca vista e que trará, certamente, novas oportunidades, responsabilidades e esperemos que fortes "lessons learnt". ----- Francisco Banha, Presidente do Grupo Gesbanha O ano 2021 será extremamente desafiante a três níveis: gestão da tesouraria e liquidez das empresas, mitigação do aumento do desemprego e (potencial) fricção entre rotinas individuais recentemente adquiridas (durante a pandemia) e o regresso expectável à vida em Comunidade. Uma visão e ação mais empreendedora a nível individual e empresarial será condição necessária para ultrapassar estes desafios, nomeadamente por parte daqueles que tendo acesso à inovação e ao conhecimento, estarão mais capacitados para aproveitar o conjunto de oportunidades que a crise sanitária, económica e social, também fez emergir.

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Jornal de Negócios

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166 líderes antecipam 2021

166 líderes antecipam 2021 O que esperam para o mundo, o país e a economia | Esperança foi a palavra escolhida para perspetivar o ano | Desemprego domina preocupações nacionais | Pandemia é o maior risco à escala global | Rentabilidade vai ser a prioridade | Teletrabalho irá tornar-se mais comum | Restrições só terminam no segundo semestre | Tecnologia ganhará relevância | Orçamento para 2022 será aprovado | Estados Unidos terão melhores relações com a China e a Europa | Crescimento da Zona Euro é uma incógnita 2020 foi um ano diferente. E, como tal, 2021 é de esperança. Um renascimento que é esperado pelos líderes nacionais. Pelo 12.° ano consecutivo, o Negócios realiza um inquérito para saber as perspetivas para o ano que agora entrou. Foram 166 os líderes que aceitaram responder. ----- Carlos Gomes da Silva, Presidente executivo da Galp Energia O ano de 2020 colocou desafios sem precedentes, transversais à sociedade e à economia como não havíamos antes experimentado, constituindo um verdadeiro teste à resiliência de todos nós, das empresas e dos seus modelos de negócio. Para que 2021 seja o ano de retoma que todos desejamos, temos de assumir este teste como uma oportunidade para fazer as transformações necessárias e começar a construir o futuro hoje. Na Galp, o caminho que em devido tempo trilhamos, centrado na transição energética e num modelo de negócio mais sustentável, suportado nas competências das nossas pessoas, na inovação e na digitalização, permite-nos ter a confiança de que estamos mais bem preparados para o desafio pós--pandémico. Sabemos que as decisões de hoje são a chave para que a transição energética seja uma realidade em Portugal e no mundo, devendo ser economicamente sustentável, socialmente justa e tecnologicamente neutra. E a Galp tem o pé no acelerador e as mãos no volante. ------ João Carvalho, Presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes Recuperação gradual da economia. ------ Rui Miguel Nabeiro, CEO do grupo Delta Cafés Sempre gostei da frase de Peter Drucker: "A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo." Penso que esta frase nunca foi tão pertinente como perante a situação em que nos encontramos e em que se torna essencial reforçar os pilares sobre os quais queremos fazer crescer o nosso futuro. É tempo de rever oportunidades, quebrar barreiras, lutar pelo que se acredita, concretizar e abraçar novas escolhas, preservando o que de bom este ano nos trouxe, apesar de todos os desafios que nos impôs. Para ter um ano novo, é preciso novas atitudes e teremos 365 novas oportunidades de nos tornarmos melhores e para sermos criativos nas nossas escolhas, para que elas reflitam o futuro mais seguro e consciente que todos queremos. ------ Luís Salvaterra, Diretor-geral Intrum Portugal Espero que a partir do segundo semestre de 2021 a atividade comercial e industrial do país, com exceção do turismo, volte a níveis de 2019. ----- António Pires de Lima, Presidente executivo da Brisa Controlo da pandemia e recuperação parcial da economia mundial. ----- Luís Onofre, Presidente da APICCAPS Espera-se que o ano de 2021 seja de alguma animação económica. Ainda assim, estão em equação diversos cenários e estaremos sempre dependentes da evolução da pandemia. A resposta europeia deve finalmente chegar e criar um impacto global positivo. A prioridade do ponto de vista económico deve passar pela recuperação da confiança e impulso ao consumo, de modo que se crie riqueza e não se acentuem desigualdades e aumento de desemprego. ----- Paula Panarra, Diretora-geral da Microsoft Portugal 2021 será um ano de recuperação, não só económica, mas também social e até individual. Espero ainda que seja um ano em que aproveitamos esta oportunidade para fazer diferente, para sairmos da crise mais fortes e para reimaginar o futuro. Um futuro onde nos preparámos, como país, para uma economia cada vez mais digital e global, e que o fizemos de uma forma sustentável e inclusiva. ----- Margarida Matos Rosa, Presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) Em 2021, é prioridade da Autoridade da Concorrência continuar a defender a economia portuguesa de práticas que lesam o bem-estar do consumidor, mantendo o foco em práticas anticoncorrenciais. Isto porque será um ano de prováveis dificuldades económicas para muitas famílias. A política de concorrência contribui para que estas possam ter maior escolha em termos de preço e qualidade. Por outro lado, a AdC contribuirá para a retoma da economia através do reforço de recomendações que visam eliminar barreiras desnecessárias à iniciativa económica e profissional. Eliminando barreiras nas profissões, o desemprego poderá ser reduzido ao permitir mais facilmente a reinvenção profissional de cada um. Eliminando barreiras à inovação, as economias da União Europeia, incluindo a nossa, poderão recuperar do ano de 2020 com a confiança suficiente para a próxima década. ----- Francisco Seixas da Costa, Embaixador e consultor estratégico Ano para avaliar a nova atitude americana face ao mundo, o efeito real dos estímulos financeiros na Europa e o saldo das consequências da pandemia no tecido económico nacional. ----- Pedro Soares dos Santos, Presidente do grupo Jerónimo Martins Sabemos que nos esperam tempos muito difíceis do ponto vista económico e social. Portugal assumirá a presidência da União Europeia num momento especialmente adverso em que será preciso ter a capacidade de agregar vontades e articular esforços. Estamos perante uma nova realidade que exige de todos capacidade estratégica e de execução, compromisso e também esperança. A história tem-nos mostrado que os momentos de dificuldade podem ser também oportunidades de mudança para melhor, se houver coragem para fazer as escolhas certas. 2021 será determinante para perceber se estamos à altura das circunstâncias e se temos, enquanto sociedade, a sabedoria, a flexibilidade e a resiliência para gerir na incerteza sem perder de vista o longo prazo. ---- João Cortez de Lobão, Proprietário da Herdade Maria da Guarda Sempre a crescer e aumento da confiança dos consumidores. ----- Maria do Carmo Fonseca, Presidente do Instituto de Medicina Molecular e professora da Faculdade de Medicina da UL 2021 vai ser um ano para nos adaptarmos a várias mudanças que vão perdurar para além da pandemia. Passada a fase aguda que nos apanhou a todos de surpresa, vamos progressivamente incorporar novos hábitos nas velhas rotinas. O digital e a consciência da sustentabilidade ambiental ganharam um ímpeto nunca visto. Comparo a covid-19 ao impacto do meteorito que levou à extinção dos dinossauros, permitindo, assim, o despertar de novas formas de vida. ---- Pedro Castro e Almeida, Presidente executivo do Santander Portugal 2021 será o ano da transição para o mundo pós-pandemia, com as vacinas a contribuírem positivamente para uma recuperação da confiança e, consequentemente, da atividade económica. Contudo, será ainda um ano marcado pela pandemia, em que alguns dos efeitos se farão sentir, em especial ao nível do desemprego. Assim, o Mecanismo Europeu de Recuperação e Resiliência deve ser rapidamente posto em prática, para mitigar esses efeitos e, em particular, criar as condições para uma recuperação sustentada e geradora de riqueza de forma equitativa, que promova a melhoria das condições de vida. ----- Cláudia Lourenço, Diretora-geral da Procter & Gamble Continuará a ser um ano surpreendente e desafiante, em que as prioridades se reforçam: 1) As nossas pessoas: a sua segurança, a formação, o desenvolvimento de talento, a flexibilidade e motivação; 2) Servimos os nossos consumidores: ouvindo as suas novas necessidades, e trazendo inovação; 3) Temos um impacto positivo na comunidade: ao nível da sustentabilidade, igualdade e inclusão, apoio social. ------ Vítor Domingues dos Santos, Presidente do Metropolitano de Lisboa Recuperar a perda da procura na utilização do transporte público em modo metro, continuando a promover a mobilidade urbana, sanitariamente segura e ambientalmente sustentável. Continuar a investir na melhoria da oferta dando continuidade aos investimentos já em execução e preparar novos investimentos ao abrigo dos novos programas da União Europeia, PRR e do PNI. ----- Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade Um ano com algumas incertezas, mas em que os efeitos da pandemia se irão fazer sentir ainda de forma clara. Um ano em que a definição de um rumo claro e motivador pode ser importante para catalisar as energias que temos e aproveitar as oportunidades que também existem. Um ano de esperança, em que algumas mudanças de paradigma podem ajudar a posicionar melhor Portugal como destino atrativo e sustentável, não só do ponto de vista climático ou turístico, mas também para o investimento, com uma grande aposta nos portugueses e nas suas capacidades. ----- Virgílio Lima, Presidente do Montepio Geral - Associação Mutualista Será um ano ainda de transição para a normalidade, muito marcado no primeiro trimestre pela pandemia. A partir do início do segundo semestre, com a vacinação já mais alargada, subirão os níveis de confiança, e alguma procura, que foi contida no período da pandemia, dinamizará a economia e a confiança. ----- Ângelo Ramalho, "Chairman" e CEO da Efacec 2021 receberá de forma diferida os principais impactos provocados pela covid-19. Viveremos um quadro complexo que exigirá de todas as lideranças: 1) Uma capacidade acrescida de gerar consensos num quadro de baixo nível de previsibilidade; 2) Tomadas de decisão atempadas que mitiguem riscos futuros. ----- Cristina Portugal, Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos Com expectante entusiasmo. Este ano exigiu dos cidadãos, nos papéis que desempenham, pessoal ou profissionalmente, níveis de adaptação e de entrega ímpares, (desejavelmente) irrepetíveis. Repentinamente confrontados nos planos, modos de ação e reação, todos se ajustaram para prosseguir nas novas circunstâncias. Individualmente, enquanto sociedade e economia, 2020 deixa lesões. O ano 2021 terá ainda tensão, aliviada pela esperança dum fim para a pandemia. Que trouxe lições, aprendizagem e crescimento. Para reter ao moldar o futuro. E para, obrigatoriamente, iniciar a superação. ----- Paulo Marcos, Presidente do SNQTB e SAMS Quadros Com moderado otimismo e com perspetivas que a lei laboral seja adequada a uma realidade pós-troika onde deixámos de ser uma nação tutelada. ----- António Bernanrdo, Presidente da Roland Berger Um ano em que temos de transformar a saída da crise numa oportunidade para reimaginar o nosso país, redefinir novos modelos de negócios para as nossas empresas e para nós, como cidadãos, darmos mais importância ao combate à desigualdade, mais atenção à proteção do ambiente e à sustentabilidade da economia. ----- Luís Portela, "Chairman" da Bial "Depois da tempestade vem a bonança." A seguir às grandes crises, é normal assistir-se a grandes avanços. Após a importante reação científica e tecnológica internacional à atual crise pandémica, será desejável e aparentemente crível uma reação económica e social. Deseja-se que os povos em geral e, nomeadamente, os portugueses saibam redinamizar a economia e que o façam de uma forma harmoniosa, em crescente respeito pelo seu semelhante, pelos outros animais e pela natureza em geral. ---- Bruno Ferreira, Co-managing partner da PLMJ 2021 vai ser um ano cheio de desafios em que vamos ter de fazer um esforço enorme para a recuperação da economia. ----- Carlos Marinheiro, Vogal do Conselho das Finanças Públicas A recuperação económica em 2021 continuará a estar muito ligada à evolução da pandemia. Assumindo que as vacinas são eficazes, Portugal não se pode atrasar no processo de vacinação senão os setores do turismo e da restauração continuarão muito prejudicados. ------ Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa A Europa terá uma oportunidade de ouro para fazer crescer a sua influência, já que terá um papel fundamental na intermediação entre os EUA pós-Trump e uma China fortalecida pós-covid. Essa influência já é sentida, por exemplo, na área da regulação do "Big Tech" (combate à desinformação, reforço da privacidade e restrições aos abusos de posições dominantes), em que está a ser emulada pelos EUA e pela Austrália. ----- João Cardoso, CEO da Teleperformance Portugal Num cenário otimista, penso que estamos perante uma recessão de 2 a 3 anos. Num cenário pessimista, vamos ter alguns países a entrar em "default" e grande instabilidade financeira. Num cenário catastrófico, mas infelizmente possível, vamos ter hiperinflação, crescimento rápido da pobreza extrema e do populismo, com riscos para a paz. Os países com bolsos suficientemente fundos para manter o tecido económico hibernante durante os "lockdowns", como o caso da Alemanha, vão ver a sua procura interna crescer mais rapidamente e serão os ganhadores desta crise. Infelizmente, esses países têm também uma balança comercial excedentária, pelo que terão um efeito limitado sobre a economia europeia e mundial. Para os outros, a quebra do consumo e o desemprego, que foram espoletados pelos "lockdowns", vão continuar a alimentar-se mutuamente mesmo depois de a pandemia ter sido controlada, já que o ecossistema de micro e PME sairá rarefeito da crise e terá de se reconstruir -um processo demorado. É previsível que parte do pequeno comércio e restauração seja definitivamente tomado pelas grandes superfícies - com impacto negativo sobre o emprego e o turismo. É previsível que parte dos turistas internacionais assumam novos hábitos de turismo local e não se vê porque Portugal continuaria a estar na moda depois do choque atual. Isso irá criar um "feedback" negativo de redução de turismo e redução de restaurantes e hotéis. ----- Helena Painhas, CEO da Painhas 2020 foi um ano de surpresas e mudanças radicais que impuseram que toda a sociedade se reinventasse, se adaptasse com muita persistência, paciência e resiliência. 2021 será um ano com mais luz e esperança! No entanto, temos de continuar focados e devemos, com prudência, ao mesmo tempo que a tempestade acalma, estar atento a novas oportunidades! ----- Celso Lascasas, CEO do grupo Laskasas O ano de 2021 será um ano com os seus desafios únicos, que enfrentamos com confiança. Todos os anos novos desafios surgiram e vemos que no próximo será ainda mais essencial pensar globalmente, reforçando e diversificando as estratégias de mercado, para proteger o Laskasas Group da volatilidade atual e manter a tendência de crescimento. ----- Sérgio Pereira, "Managing director" da Free Now Portugal 2021 vai ser um ano de esperança e retoma de confiança dos consumidores. No entanto, o consumidor mudou. Mudou em termos de hábitos, necessidades e até de prioridades. Irão surgir novas formas de trabalhar, novas oportunidades de mercado e novos costumes profissionais. Ao mesmo tempo, irão reduzir-se/extinguir-se algumas atividades, que terá um impacto económico ainda imprevisível. Toda a mudança é difícil, e serão necessários meses/anos para nos adaptarmos e voltarmos a ter alguma estabilidade/crescimento económico. Isto será diferente de país para país, e, sem dúvida, os países mais ágeis a adaptarem-se (em particular no setor da educação (secundário e universitário) serão os primeiros a sair desta crise. ----- José Galamba de Oliveira, Presidente da APS - Associação Portuguesa de Seguradores 2021 será um ano de grande incerteza. Incerteza porque não sabemos como vai evoluir a pandemia, incerteza relativamente à execução e eficácia do programa de vacinação em massa que se vai iniciar, e incerteza relativamente à evolução da crise económica e social. Mas se houver boas notícias na evolução da crise sanitária no primeiro semestre, podemos ambicionar um segundo semestre de recuperação económica fruto do aumento da procura de bens e serviços alicerçada na recuperação da confiança dos consumidores. ----- Pedro Rutkowski, CEO da Worx Como um ano de oportunidades e novos desafios. ----- Rodrigo Simões de Almeida, CEO da Marsh Portugal Ao ter-se instalada uma forte recessão no país, na Europa e no mundo, haverá fortes riscos, mas também muitas oportunidades. Julgo que em Portugal haverá uma correlação, quase perfeita, entre a aplicação generalizada de uma vacina para ultrapassar a pandemia e a recuperação económica, até porque os fundamentais para o futuro crescimento económico mantêm-se. As empresas que tiverem aproveitado esta crise para adaptar a sua forma de estar, aumentar o nível de digitalização dos seus processos e oferta, manter equipas coesas e preparadas para crescer, vão vencer esta nova batalha. ------ Manuel Maria Braga, CEO da Imovendo 2021 será um ano de oportunidades: - A nível global, de se redesenharem as relações internacionais, com vista a uma maior convergência política e de políticas económicas e ambientais; - A nível europeu, para se repensar a Europa, o que ela representa e como pode crescer, na ressaca do Brexit; - Em Portugal, para que se reforce uma imagem de país inovador, empreendedor e com recursos altamente qualificados, que permita um crescimento cada vez mais autónomo de um turismo de massas. ---- Jorge Armindo, CEO da Amorim Turismo Determinação a caminho da retoma. ------ 2021 é ano de esperança Os 166 líderes nacionais perspetivaram, numa única palavra, o ano de 2021. Se nos três anos anteriores a palavra escolhida foi desafiante, para 2021 sobressai a Esperança. Desafiante é também uma das características mais escolhidas, mas depois de um ano pandémico, em que o mundo foi atirado para paragens económicas, mortes por covid-19, e confinamentos generalizados, os líderes apontam, além da Esperança, para o caminho da recuperação e da confiança. Ainda que se espere, também, alguma incerteza à mistura. Há quem prefira olhar para 2021 como o ano do reinício e do recomeço. ----- Alexandre Meireles, Presidente da ANJE Vejo 2021 ainda como um ano de muita incerteza. A recuperação económica dependerá ainda muito dos resultados da vacina, e dos resultados da contenção da pandemia. Vejo como um ano muito difícil para os empresários portugueses, vejo com alguma preocupação a possibilidade de instabilidade social, e vejo um ano em que será fundamental apostar na formação e capacitação digital. Como fator decisivo e preponderante, manter, no máximo possível, o emprego em Portugal. ---- Sebastião Lencastre, CEO da EasyPay 2021. O dinheiro que não se toca. As novas formas de fazer pagamentos hoje (wallets, QR codes, cartões contactless, checkouts, etc.) vão consolidar-se em 2021, continuando a reduzir a necessidade da moeda física, e o aumento da satisfação da experiência do consumidor. Nos negócios online vejo o crescimento de novos modelos, novas soluções e funcionalidades de pagamento, como as subscrições, os marketplaces digitais, os processos de checkout, etc. Nos negócios offline, e em Portugal, acredito que assistiremos a um aumento da penetração da digitalização dos pagamentos, pelos enormes benefícios de ganhos de sinergias e redução dos custos. ----- Inês de Sousa Real, Deputada do PAN Um ano de grande instabilidade económica, social e política. Tem de ser um ano de viragem para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e da mudança de hábitos que evitem novos surtos epidemiológicos. Até aqui os Estados não estão empenhados nessa mudança, pelo que poderemos estar a caminhar para o declínio ainda mais vertiginoso da perda de biodiversidade e da degradação dos ecossistemas se não soubermos retirar a devida aprendizagem deste surto pandémico. ----- Luís Miguel Ribeiro, Presidente da AEP - Associação Empresarial de Portugal O regresso da Esperança nas múltiplas vertentes. Na Saúde, com a vacinação contra a covid-19. Na economia, 2021 traz também esperança no restabelecimento internacional de alianças comerciais e políticas, nomeadamente no reforço das relações da Europa com os Estados Unidos da América. A recuperação da economia europeia beneficiará dos fundos europeus, consentindo ao bloco europeu e a cada um dos seus Estados-membros maior resiliência. Num contexto sanitário e internacional mais favorável, os empresários portugueses saberão responder da melhor forma, proporcionando um melhor ano para todos. ----- Miguel Matos, Diretor-geral da Tabaqueira O ano de 2021 será marcado pelo início da recuperação económica. É importante que as empresas se mantenham competitivas, com capacidade para atrair investimento, talento, e assim gerar mais emprego. ----- Miguel Gil Mata, CEO da Sonae Capital 2021 continuará a ser um ano marcado pela evolução da pandemia. Mas creio que a disseminação da(s) vacina(s) terá efeito determinante. Acredito que, pelo menos nas economias ditas mais desenvolvidas, se observará uma aceleração económica acentuada a partir do segundo trimestre, reforçando-se no segundo semestre. Espero melhorias do clima social e o regresso do otimismo, incluindo recuperação gradual da mobilidade internacional. Apesar deste cenário, permanecerão alguns riscos, nomeadamente ao nível do maior endividamento e do menor rendimento disponível, minimizados (no curto prazo) pelos pacotes de estímulos e políticas monetárias acomodatícias. ----- Francisco Calheiros, Presidente da Confederação do Turismo de Portugal O ano de 2021 será de grande incerteza. A economia mundial ainda estará sob grande pressão e a retoma económica poderá começar a dar alguns sinais positivos, mas a um ritmo lento. O início da vacinação será fundamental para recuperar a confiança nos mercados financeiros, mas não terá um efeito imediato. O turismo tem sido uma das atividades mais afetadas pela pandemia porque depende em grande parte da deslocação entre países. Contudo, estamos confiantes. ----- Alexandre Fonseca, Presidente executivo da Altice Portugal 2021 será um ano extremamente difícil, a nível social e económico, para todos os setores, devido aos impactos causados pela crise de saúde pública. Paralelamente, e no caso particular da Altice Portugal, a empresa tem responsabilidades acrescidas na manutenção do seu crescimento, da sua sustentabilidade e da sua liderança destacada no setor das telecomunicações, sendo que o atual contexto definido pelo regulador para o processo de implementação do 5G terá consequências muito difíceis para o setor no próximo ano. O momento de imprevisibilidade regulatória do setor trará estes impactos profundos, nomeadamente no investimento futuro e no posicionamento do setor enquanto alavanca da economia e da sociedade. Para fazer face a esta realidade, a Altice Portugal tem plena noção da necessidade de grande capacidade de adaptação à mudança, de resiliência e de transformação. No entanto, a Altice Portugal terá a manutenção e consolidação na liderança no setor como o seu principal foco. ----- Gonçalo Rebelo de Almeida, Administrador do Vila Galé Hotéis O setor do turismo foi definitivamente dos mais abalados em 2020, tendo atingido quebras na ordem dos 70%. Mantemos algum otimismo que o segundo semestre de 2021 já marcará o início da recuperação, esperando-se que em 2023 sejam atingidos os níveis pré-pandemia. ----- Luís Lima, Presidente da APEMIP É difícil antecipar expectativas: tudo dependerá da evolução da situação pandémica e do impacto que o fim das moratórias de crédito, previstas para setembro, terá no mercado. Teremos um grande desafio decorrente das consequências da pandemia no tecido empresarial português e no mercado laboral, bem como no segmento comercial e de escritórios que decerto assistirão a mudanças decursivas de novos hábitos ora adquiridos. Mas tenho algum otimismo, resultante da sanidade do setor. Se na última crise que atravessámos havia excesso de oferta e de exposição dos proprietários ao setor financeiro, desta vez a realidade é diferente, pois continuam a faltar no mercado ativos que possam dar resposta à contínua e crescente procura por parte da classe média e média baixa, que prosseguem sem conseguir encontrar casas à medida das suas necessidades e possibilidades. ----- Bernardo Trindade, Administrador do Portobay Vejo 2021 com esperança. Com cautelas, mas com esperança. O ano de 2020 foi um ano muito difícil. Sem paralelo ao nível das sociedades liberais. Uma crise de procura global originada pela ausência de segurança sanitária, teve como consequência falhas abundantes de mercado. O apoio solidário dos Estados foi decisivo para a manutenção de ânimo na criação de valor e na manutenção do emprego. Não só no plano nacional, mas ao nível da União Europeia: a aprovação solidária de um plano de retoma, o fornecimento conjunto, simultâneo e rápido das vacinas dentro da União Europeia, refletiu sobretudo a importância do projeto europeu num quadro de solidariedade entre os Estados-membros. ----- Duarte de Athayde, "Managing partner" da Abreu Advogados Depois de uma crise profunda e impactante como a que estamos a viver, 2021 começará ainda de forma incerta e com uma economia frágil. O aumento de novos casos no primeiro trimestre será expectável e, mesmo com as vacinas e os estímulos externos, a recuperação será um processo lento e que provavelmente não se irá cingir ao ano que se aproxima [2021]. O desemprego vai continuar a marcar a agenda político-económica e será um tema de grande pressão global. Apesar disso, a recuperação espera-se que seja em forma de V e devemos atingir níveis pré-covid-19 ainda em 2021, sendo expectável um crescimento da economia portuguesa em torno dos 6%, face a 2020. O ano de 2021 ficará marcado pela recuperação e pela esperança num futuro mais promissor. ------ André Silva, Porta voz do PAN Será um ano de desafios. O maior será iniciar uma recuperação económica que assuma o combate e a adaptação do país às alterações climáticas e a transição para uma economia de neutralidade carbónica. Paralelamente é crucial que se garanta a implantação de um novo modelo de desenvolvimento que assegure a proteção adequada das pessoas vulneráveis e que garanta políticas tendentes ao emprego estável, duradouro, com direitos e salários justos, nomeadamente para os jovens. ----- Isabel Camarinha, Secretária-geral da CGTP-IN É o momento para mudar de rumo, apostar no aumento geral dos salários e das reformas, no emprego com direitos, na regulação dos horários e na diminuição do tempo de trabalho para as 35 horas para todos. É tempo de promover a contratação coletiva, revogar as normas gravosas da legislação laboral e investir nos serviços públicos. Será um ano de luta tendo no horizonte um novo modelo de desenvolvimento assente na valorização do trabalho e dos trabalhadores, na soberania nacional, no crescimento económico e numa maior justiça social. ----- Mário Vaz, Presidente executivo da Vodafone Portugal Após um ano de 2020 que fintou todas as previsões e mudou a trajetória mundial, ambiciona-se um 2021 de transição para uma nova normalidade. Embora a incerteza pandémica ainda coloque o mundo em permanente sobressalto, a expectativa em torno do maior programa de vacinação da História alimenta, por um lado, as estimativas de progressiva recuperação da estabilidade económica e social e, por outro, o otimismo para investir num futuro digital radicalmente acelerado e inclusivo. 2021 servirá de barómetro à sustentabilidade das inúmeras alterações forçadas durante a pandemia, tais como o trabalho remoto; nível de digitalização do ensino; aposta num sistema de saúde mais flexível e resiliente; aceleração do comércio digital; valorização do comércio de proximidade, entre muitas outras. Será também um ano para avaliar se a pandemia foi uma oportunidade para o progresso acelerado que o nosso país tanto precisa. ------ Joaquim Pedro Lampreia, Sócio da Vieira de Almeida & Associados Um ano paradoxal, ainda marcado pela pandemia e suas sequelas mas, por outro lado, com um bom crescimento causado pela "reconstrução" pós-pandémica. ----- Pedro Norton, CEO da Finerge Gostava de acreditar que Portugal tem uma consciência aguda da necessidade de aproveitar aquele que será, muito provavelmente, o último grande pacote de ajuda da União Europeia. Nada autoriza, infelizmente, esse otimismo. ----- Nuno Ribeiro da Silva, Presidente da Endesa Portugal Será um ano de regresso dos Estados Unidos ao "seu normal". Será um ano de reforço do foco na descarbonização e nos investimentos relacionados com a transição energética, "green deal", cimeira do clima, um ano em que o setor da energia terá imenso protagonismo. Em Portugal, depois da eleição do Presidente da República e da presidência da União Europeia, do verão, das eleições autárquicas, haverá ajuste/acerto de contas... ----- Sandra Leal Vera-Cruz, Diretora-geral da Coca-Cola Portugal 2021 vê-se como um ano de esperança por uma recuperação da economia e da convivência como a conhecíamos. No entanto, continuaremos a ter desafios importantes para ultrapassar a situação com que nos deparamos, que apenas conseguiremos com resiliência, flexibilidade e adaptação constante. Será um ano em que nos teremos de focar nas áreas prioritárias garantindo a sustentabilidade do negócio no curto e longo prazo. ----- Nuno Ferreira Pires, CEO da Sport TV Vejo como crucial a necessidade do Governo, na primeira metade do ano, ter como prioridade o restabelecer da confiança nos mercados e nos consumidores para que se restabeleça o consumo e o investimento (em especial o estrangeiro em Portugal). Um discurso de confiança focado naquilo que se espera que aconteça já no segundo semestre de 2021, em que haverá lugar ao início da recuperação (da crise) e do controlo generalizado da pandemia, será absolutamente essencial ao acelerar da recuperação pós-crise pandémica. ----- João Cadete de Matos, Presidente da Anacom Um maior investimento no setor das comunicações marcará Portugal em 2021 em benefício de todos os utilizadores, nomeadamente em termos de escolha, preço e qualidade de serviço. A atribuição de novas licenças de utilização do espectro possibilitará uma maior dinâmica concorrencial e terá como importante contrapartida o investimento na cobertura de todo o território nacional com redes móveis de elevada qualidade. Também o investimento em novos cabos submarinos, na melhoria do serviço postal universal e na promoção da atividade espacial constituirão pedras angulares de um sistema de comunicações moderno e competitivo, ao serviço das populações e do desenvolvimento económico de Portugal. ----- Paula Carvalho, Economista-chefe do Banco BPI 2021 será o ano da recuperação, depois de um 2020 totalmente atípico e tão desafiante. Os primeiros meses do ano ainda serão difíceis dada a pouca abrangência da vacinação. Mas a maior habituação e a aprendizagem no "convívio" com o vírus permitirá que as perdas económicas não sejam tão profundas como no início de 2020, quando o "lockdown" foi mais restritivo. A segunda metade do ano, a partir da primavera, será de crescimento e redescoberta de tantas atividades e práticas que têm estado vedadas. No entretanto, a dimensão dos apoios públicos permitirá a reativação da atividade sem que grandes perdas sejam infligidas em termos de capacidade produtiva e emprego, permitindo uma recuperação robusta. Ao longo do ano, surgirão de forma mais concreta os planos associados aos fundos europeus que, a partir deste ano e até 2027, praticamente duplicarão, sinalizando uma enorme responsabilidade a quem detém capacidade de decisão na sua alocação e na sua atribuição. Pois nela reside a chave para um país mais resiliente, mais rico e menos desigual. ------ Jorge Pavão Sousa, CEO da Eleven Ano extremamente desafiante com foco na estabilização da atividade económica e reforço da capacidade de inovação que permita a retoma económica no "aftermath" dos efeitos pandémicos e no impacto social provocado pela situação atual, designadamente o crescimento do desemprego. O tecido empresarial terá também uma responsabilidade acrescida pois será fundamental não comprometer a disponibilidade financeira nas famílias como impulsionador da retoma do consumo e permitir aos mais jovens o ingresso num mercado de trabalho de forma neutral e sem cortes significativos nas compensações. A Gestão de Talento e a Liderança serão aspetos fundamentais para assegurar a competitividade futura da economia nacional num mundo cada vez mais globalizado e com menos barreiras à prestação remota de serviços e de colaboração tecnológica. ----- André Ventura, Líder do Chega De forma muito apreensiva devido à situação económica. ----- Paulo Cunha, Presidente da Câmara de Famalicão Um ano particularmente difícil e exigente, muito condicionado pelo contexto de pandemia mundial que teve início em 2020 e que vai deixar um preço muito elevado na economia mundial e na sociedade. A expectativa é que o problema epidemiológico seja ultrapassado o mais rápido possível para que se dê início à difícil recuperação que nos espera. ----- Maria João Ricou, Diretora-geral da Cuatrecasas Portugal Tendo em conta os níveis de incerteza com que nos deparamos, em particular no que se refere à evolução da crise pandémica e respetivas medidas de contenção, com inevitáveis e profundas repercussões numa economia já tremendamente afetada, não é possível olhar para 2021 sem ser com um alto grau de apreensão, que, no entanto, não deixa de conviver com uma forte esperança de que o mundo entre gradualmente numa nova fase de maior controlo da pandemia, designadamente por via da vacinação, permitindo que, em paralelo, se assista a uma aceleração progressiva e consistente do ritmo de recuperação económica, à escala nacional e global. ------ Paulo Rangel, Deputado Europeu Como um ano de enorme incerteza, pautado pelo processo de vacinação, adaptação ao Brexit e implementação do fundo de recuperação. E qual a nova posição dos EUA face à UE e à China. Tudo ao ritmo da evolução da pandemia e das suas sequelas económicas e sociais. ------ José Tribolet, Presidente do INESC Manutenção no primeiro semestre do "status quo" atual, sem significativo agravamento nem melhoria da situação económica e social. Risco elevado de aumento da instabilidade internamente, quer política quer social, após a conclusão do semestre da presidência portuguesa da União Europeia, o que, conjugado com a elaboração e aprovação do Orçamento do Estado para 2022, pode levar a perturbações significativas ao nível da estabilidade governativa. ----- Pedro Tinoco Fraga, CEO da F3M Grande expectativa, mas uma expectativa francamente positiva. Entramos em 2021 com uma liderança da UE em afirmação crescente, com uma "liderança normal" nos EUA e com francas perspetivas de a curto prazo ter uma vacinação mais ou menos generalizada. Por isso, acredito que 2021 vai ser um ano positivo para a economia mundial e que o nosso país irá reiniciar um processo de recuperação depois de um ano terrível em alguns subsetores. ---- Ana Ventura Miranda, Diretora do Arte Institute As prioridades mundiais continuarão centradas no controlo da pandemia e na esperança trazida pela vacina, para se poder restabelecer a economia e voltar a assuntos de ordem mundial como: migrantes, alterações climáticas, ataques cibernéticos. Os EUA vão regressar como ator principal nas políticas internacionais, reconstruindo as suas relações com os aliados europeus. 2020 relembrou-nos que somos parte de um organismo vivo, que só sobrevivemos juntos, e que a polarização cada vez mais acentuada a nível político-social vai exigir que todos façamos a nossa parte para nos encontrarmos num meio termo e provarmos que "yes, we can be and do better"! ----- Eric Van Leuven, Diretor para Portugal da Cushman & Wakefield No que respeita ao setor imobiliário corporativo, 2021 será, provavelmente, e à semelhança de 2020, um ano de duas faces. Na primeira metade do novo ano, enquanto a pandemia ainda não se encontrar sob controlo e a vacinação não estiver concluída, devemos assistir ainda a muitas cautelas e as empresas não tomarão decisões que impliquem investimento. A partir do verão, e no pressuposto da eficácia da vacina, poderemos ver um pico de atividade, de procura acumulada. No que respeita aos investidores institucionais, a braços com altos níveis de liquidez, devem retomar atividade já no início do ano. ---- Nuno Freitas, Presidente da CP Ano de grandes desafios e de grandes oportunidades para Portugal. Para ser bem-sucedido, o país necessita de simplificar profundamente o funcionamento do Estado. Se não conseguirmos promover esta simplificação, ainda que timidamente, seguramente não conseguiremos tirar partido da famosa "bazuca". ----- Pedro Amaral Jorge, Presidente da APREN Um ano desafiante e difícil, mas no qual entraremos na fase de recuperação da economia. ------ João Moreira Rato, "Chairman" do Banco CTT Vejo 2021 como o ano em que as economias vão recuperar das limitações impostas pela situação pandémica. Com a gradual generalização da vacinação pela população das economias mais desenvolvidas e o consequente aumento das interações sociais, reúnem-se as condições para uma forte recuperação económica assente em políticas monetárias acomodatícias e políticas fiscais expansionistas. O balanço final do período será desigual com alguns setores a sofrerem uma maior diminuição de capacidade instalada e perdas de emprego, como o turismo, eventos e restauração. O final da situação pandémica será, contudo, potenciador de uma recuperação rápida também nestes setores. Resta como fator de incerteza como alguns clientes bancários, principalmente empresas, vão conseguir sair das moratórias, podendo criar dificuldades para alguns bancos com níveis de capital mais fracos. Contudo, o setor financeiro como um todo, mais bem capitalizado, deverá estar preparado para lidar com este desafio. ----- Duarte Líbano Monteiro, Diretor regional da Ebury 2021 será um ano de transição, mas dependerá do sucesso da vacina. De uma forma geral será um ano com algum impacto no desemprego e nos rendimentos das famílias, o que provocará uma desaceleração na economia... Isto para os países mais pequenos como Portugal. Os países maiores e as economias desenvolvidas terão mais "pulmão" para recuperar a sua própria economia. ----- Bernardino Meireles, Presidente da António Meireles 2021 será um ano ainda marcado no primeiro semestre pela pandemia sanitária que assolou o mundo em 2020, com crescimento económico positivo mas ainda sem atingir os níveis antes da pandemia que só serão verificados em 2022. ----- João Nascimento, CFO e presidente do conselho executivo da Teka Portugal Um ano que poderá ser de recuperação económica, desde que se consiga controlar a pandemia. Se não se conseguir o controlo na primeira metade do ano, isso afetará o ano turístico, o que poderá ser uma forte limitação à recuperação económica, dado o peso do setor na economia portuguesa. ----- João Miranda, "Chairman" da Frulact Este será mais um ano de navegação à vista, com a economia refém da situação pandémica global. Vai-se fazer sentir o crescimento exponencial de insolvências que irão surgir durante o próximo ano, agravado com o fim das moratórias e do lay-off, fazendo disparar o desemprego e degradar o rendimento das famílias, fragilizando também o tecido empresarial. O nível da dívida pública vai limitar fortemente a intervenção do Estado na economia, esperando-se que a "bazuca europeia" seja corretamente direcionada, sob pena de nos rebentar nas mãos! ----- Francisco Madelino, Presidente da Fundação Inatel O próximo ano vai ser marcado pela capacidade de rapidamente controlar a pandemia, e das expectativas que os cidadãos consumidores incorporam esse controlo. Os países irão facilitar a recuperação de setores condicionados em função dessa perceção. Num mundo globalizado o tempo dessa recuperação é fundamental, e a velocidade com que se faz, sobretudo no que implica mobilidade de pessoas, como o turismo. No caso português, este setor é fundamental na recuperação, assim como a implementação da denominada bazuca e a estabilidade política, para além da eficiência do processo de vacinação. ---- Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde A caminho da recuperação pós-covid. ----- Eugénio Fernandes, CEO da EuroAtlantic Airways Enquanto não houver uma vacina para a covid-19 eficaz, o nosso futuro será incerto. 2021, além de incerto, será também desafiante e imprevisível. Com tanta incerteza, resta-nos manter a nossa resiliência, trabalho, sacrifício e atitude positiva para irmos sempre ultrapassando os desafios que, estou certo, serão em 2021 muito mais e maiores do que possamos neste momento antever. A diferença em 2021 será feita por aqueles que consigam resolver problemas, estou certo de que nós estaremos nesse grupo. ----- António Miguel Ferreira, CEO da Claranet Portugal Um ano em que a pandemia não será mais fator de distração e nos focaremos na retoma da atividade, no aumento da competitividade das empresas e no crescimento da economia, em suma, no que nos permitirá ter um país melhor no médio e longo prazo. Esse papel cabe às empresas e cidadãos. Ao Governo cabe não complicar. ------ Pedro Afonso, CEO da Vinci Energies Portugal 2021 é um ano de esperança e confiança. Caminhamos a passos largos da generalização da vacina, e os agentes económicos irão, aos poucos, ganhar confiança para voltar ao investimento. A pandemia mostrou também a necessidade de decidir sobre dados válidos, e de agir com base na ciência. Resta saber se coletivamente vamos tirar estas duas lições - sendo consequente - de tudo isto que ainda hoje estamos a viver. Sendo um ano de transição para uma situação de vida mais normal em 2022, devemos combater a inércia nos temas de longo prazo: é tempo de preparar o planeta para que os nossos filhos habitem num melhor. ----- António Sampaio de Mattos, Presidente da APCC - Associação Portuguesa de Centros Comerciais Irá ser a continuação de 2020, mantendo-se as dificuldades e as surpresas desagradáveis. No nosso setor de atividade, prevê-se um ano difícil, fruto das consequências da pandemia, agravadas pela imprudente e inadmissível intromissão do Estado nas relações contratuais entre proprietários e lojistas. ----- Octávio Viana, Presidente da ATM - Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais O Brexit com acordo ("win-win" para União Europeia e Reino Unido) e a reabertura plena da economia que esperamos para o primeiro semestre de 2021 (muito a reboque da imunidade de grupo que se espera adquirir à custa da vacina e novos medicamentos) deverão permitir uma recuperação em V, muito à custa de estímulos económicos e financeiros dos países das economias mais desenvolvidas, tornando-se autossustentável no segundo semestre de 2021, mesmo com o coronavírus SARS-CoV-2 a tornar-se endémico. Os EUA deverão ter um crescimento do PIB acima dos 6%, melhor do que a Europa. ----- Pedro Costa Ferreira, Presidente da APAVT Saberemos se as empresas, as do turismo em particular, resistem à pandemia. O êxito da vacina e a capacidade de os dinheiros europeus chegarem às empresas serão cruciais. Ano particularmente decisivo para a TAP. Já no final de 2020, o Governo começou por impor na TAP o que proibiu para todas as outras empresas portuguesas - apoios a fundo perdido e despedimentos! A oposição opôs-se até ser chamada a construir, na Assembleia da República, altura em que fugiu! 2021 será o momento da decisão europeia... Se a TAP resistir a tudo isto, temos empresa para mais um século!... O prognóstico mais fácil? Ainda não é em 2021 que teremos a decisão sobre o aeroporto do Montijo. ----- Hélder Pedro, Secretário-geral da ACAP Depois da terrível pandemia, que nos afetou fortemente em 2020, 2021 será necessariamente um ano de todas as esperanças. Isto porque, com o início da vacinação, iremos, gradualmente, retomar a desejada confiança na economia, de que tanto carecemos. Era fundamental que conseguíssemos ganhar o próximo verão, designadamente com o retomar da atividade turística, o que seria uma mola impulsionadora para toda a economia. No caso do setor automóvel, em que um terço das vendas são para o canal rent-a-car, essa retoma é fundamental! Se se mantiverem as previsões, para o crescimento da economia, já avançadas quer pelo Governo, quer também pelo Banco de Portugal e pelo FMI, teremos condições para iniciar uma lenta retoma. Mas, a comparação terá sempre de ser feita com o ano de 2019, dado que 2020 foi um ano completamente anómalo e de má memória. Mas existem, ainda, muitos riscos e as recentes notícias que nos chegam de Inglaterra, e que levaram ao encerramento de fronteiras e restrições à circulação de pessoas e bens, podem conduzir a um retrocesso. Ora, esperemos que este quadro não se verifique, porque não podemos correr o risco de termos mais um ano perdido nas nossas vidas! ----- Pedro Viegas Galvão, Presidente do CPC - Conselho Português de Carregadores 2021 será mais um teste à capacidade de resiliência dos portugueses e das suas instituições. A recuperação económica estará dependente da evolução da pandemia, quer em termos nacionais quer internacionais. Boas perspetivas para, a partir do segundo semestre, haver um crescimento robusto, sustentado por investimento público e privado, retoma progressiva das exportações e do consumo interno. No setor dos transportes e infraestruturas, de realçar os investimentos já em curso na ferrovia e ampliação portuária, essenciais para a manutenção da competitividade logística. Para a indústria, o principal desafio é a descarbonização da economia: a capacidade de adaptação à mudança será determinante à sobrevivência das empresas. Mas irão surgir oportunidades que os mais atentos tratarão de aproveitar. ----- Ricardo Henriques, Presidente da Agrikolage O ano de 2021 será de melhoria nas relações entre Estados Unidos e China, promovendo, desta forma, o incremento das relações comerciais entre as partes, potenciando, também, a interação com a Europa. A nível empresarial, o ano será de forte mudança, na forma como se abordarão os negócios. O primeiro semestre será exigente ao nível da resiliência da tesouraria das empresas, mas, em contrapartida, surgirão novas oportunidades para as organizações que estejam predispostas a arriscar. A economia digital vai continuar a ser um tema diário nas empresas, e será eventualmente a janela de oportunidade de muitos negócios sobreviverem e prosperarem. ----- Duarte Braga, "Managing director" da McKinsey Iberia 2021 deverá ser, por um lado, um ano de transição para a normalidade, em que vamos assistir à recuperação progressiva dos setores mais afetados pela pandemia e onde a sociedade vai recuperar muitos dos hábitos sociais e profissionais pré-pandemia, mas, por outro lado, será também um ano no qual terão de ser reconhecidos os enormes custos do suporte das economias ao longo de 2020, em particular os custos de moratórias - que irão trazer consigo uma nova onda de pressão sobre a banca - e os custos sociais, que se têm traduzido num novo disparar da dívida pública e que, inevitavelmente, irão levar à necessidade de esforços ao nível orçamental que poderão criar tensões sociais e políticas, à semelhança da anterior crise. ----- Alberto Ramos, "Country manager" do Bankinter Um ano de desafios, mas também um ano de oportunidades. As consequências económicas e sociais da pandemia atingirão o seu apogeu, sendo que, num cenário de redução crescente da incerteza, se estará a trabalhar para a recuperação económica. Num ano de polarização de desempenhos haverá vencedores e vencidos, com os que estão mais bem preparados a tomar a liderança de forma cada vez mais destacada. Sentimento global de otimismo... realista. ----- Filipe Moura, CEO da Ifthenpay Vai ser o ano em que a crise provocada pela pandemia vai ter um impacto real nas pessoas, devido ao desemprego e fim das moratórias... com todos os problemas de instabilidade social e política que isso provocará... Mas, por outro lado, vai ser o ano em que se vai resolver a questão epidemiológica, o que trará uma nova esperança, uma recuperação rápida da economia e um voltar à normalidade. ---- Pinho da Costa, Administrador-delegado da Sociedade Comercial C. Santos Por ser um otimista nato, mas essencialmente porque penso termos uma organização bem estruturada, bem organizada e com muita ambição, para 2021, a palavra-chave é CONFIANÇA. Este otimismo e, naturalmente, esta confiança, resulta também de todo um histórico, essencialmente, mais recente. Por um lado, da nossa organização, da boa evolução positiva, em volume de atividade, em emprego, mas também em rentabilidade, isto, face a todos os diversos desafios com que nos fomos defrontando no passado mais recente. Naturalmente, que a realidade vivida desde 2020, colocou-nos, a nós e a todas organizações, num paradigma bem diferente. No entanto, também não podemos esquecer que a base desta crise, que retraiu toda a atividade económica, teve origem bem diferente da do passado. O sistema financeiro mantém toda a sua disponibilidade e operacionalidade. Mais, se nos lembrarmos ainda, do que ocorreu no período pós-confinamento, no terceiro trimestre, a atividade, no nosso setor e no nosso caso em particular, teve uma progressão muito positiva. Daí, com todos os cuidados de saúde pública existente, cada vez mais bem aceites por todos, e com a chegada das vacinas, fazem-nos ter um pensamento positivo para 2021, prevendo que todo o processo de retoma da economia, possa ocorrer de forma gradual, mas muito positiva. ----- Casimiro Gomes, Administrador da Lusovini Um ano muito difícil, pois vamos ter o impacto do efeito negativo do ano 2020. ----- José Bancaleiro, "Managing partner" da Stanton Chase Ano de retoma forte a partir do 2.° trimestre. ----- Pedro Lancastre, CEO da JLL Portugal Mais um ano muito desafiante, em que quanto mais depressa se revelar a eficácia das vacinas, mais depressa voltará a confiança aos mercados. Portugal, que passou a estar no radar internacional nos últimos anos, no que diz respeito à atração de investimento imobiliário, com todas as características que tem, tem tudo para aproveitar esta crise, e continuar a atrair as maiores multinacionais para se instalarem no nosso país. Podemos também posicionar-nos como "hub" para expatriados que podem trabalhar remotamente. ----- Franquelim Alves, "Managing partner" da Newfinance Com todas as incertezas ainda em cima da mesa, 2021 tem todas as condições para que assistamos a uma recuperação consolidada da economia. Restarão contudo problemas sérios ao nível do desequilíbrios orçamentais que o apoio dos Estados à paralisação da economia provocou. No caso português, as debilidades das contas públicas substancialmente agravadas pela pandemia irão requerer medidas de reestruturação da estrutura das despesas do Estado. Por outro lado, o fim das moratórias irá aumentar significativamente o nível de crédito malparado e inevitavelmente impor a adoção de medidas de reestruturação dos créditos em atraso. ----- Paula Antunes da Costa, Diretora-geral da Visa Portugal O ano de 2021 deverá ser um ano de incerteza, a duas velocidades, com uma recuperação mais lenta no primeiro semestre, pendente da capacidade de ultrapassar a crise sanitária, que será determinante para restaurar o consumo interno e reoxigenar o tecido empresarial produtivo. A recuperação das economias dos países com os quais Portugal tem importantes trocas comerciais, incluindo o turismo, deverá contribuir para uma mais rápida recuperação na segunda metade do ano. As mudanças impostas pela situação excecional vivida deverão consolidar novos modelos de negócio, assentes em novas tecnologias e pagamentos digitais, e forçar o tecido empresarial e o setor público a acelerarem a sua transformação digital e a requalificação do seu capital humano. ----- José Luís Cacho, Presidente da APS - Administração dos Portos de Sines e do Algarve No ano de 2021 acredito que será sentida alguma recuperação da economia. Quanto ao porto de Sines, à semelhança de 2020, continuaremos a crescer na carga contentorizada e, tendencialmente, por força da descarbonização da economia a reduzir os volumes dos produtos energéticos. ----- Rafael Campos Pereira, Vice-Presidente executivo da AIMMAP No primeiro semestre de 2021 Portugal será marcado pela deterioração da sua economia e por algumas convulsões sociais daí resultantes, as quais poderão agravar as desigualdades já existentes. Não obstante, de uma forma geral, os segmentos mais ativos da sociedade continuarão em anestesia, acomodados pela injeção no país de dinheiro barato e fundos europeus. A recuperação da economia a partir do segundo semestre será impulsionada pela resiliência e capacidade de crescimento do setor metalúrgico e metalomecânico, que continuará ser o mais exportador do país. ----- Ilídio de Ayala Serôdio, Presidente da PCG Grandes desafios com relevo para a necessidade de mais exportações, de repensar o teletrabalho como novo normal, que exigirá outro tipo de controlo na produção, com novas tecnologias ligadas à "artificial intelligence". ----- Carlos Cardoso, Presidente da Confederação do Desporto de Portugal Será um ano de grande desafio para a humanidade em geral. Todos esperançados na eficácia de um conjunto de vacinas, as quais não foram verdadeiramente testadas em toda a sua possível abrangência, quer no que diz respeito à sua universalidade quer na sua extensão temporal. Se funcionar, será um ano de grande crescimento na generalidade dos setores embora segundo parâmetros diferentes dos que estávamos habituados. ----- Pedro Colaço, CEO do Small Portuguese Hotels Ano difícil, mas de crescimento. ---- Pedro Gouveia Alves, Presidente executivo do Montepio Crédito Nunca na história mais recente a entrada de um novo ano foi tão marcada por "ses". Se a vacina for eficaz e generalizada. Se a capacidade produtiva não for destruída. Se não aumentar a taxa de desemprego. O contexto é de gestão na incerteza. Planear para o ano de 2021 é um exercício académico. Importante, mas que se reveste apenas de uma certeza: é que a probabilidade de se desatualizar rapidamente é muito elevada. Portanto, a gestão não está para "aprendizes". Nunca foi tão importante a decisão imediata, eficaz, "hands on". ----- Francisco Oliveira Fernandes, CEO do Banco Carregosa 2021 deverá permitir a redução das incertezas em relação ao choque exógeno que nos afetou em 2020, reduzindo-se os impactos da pandemia. Certamente outros imprevistos estarão à espreita durante este ano, mas dificilmente será tão desafiante como foi 2020. 2021 deverá, pois, ser marcado pelo regresso progressivo à normalidade. ----- Sandro Mendonça, Economista e administrador da Anacom Após o verdadeiro "primeiro ano" do século XIX, o ano 2021 apresenta-se como um ano de grandes ajustes e compensações. Parte da grande deslocação ocorrida com a pandemia vai começar agora a fazer sentir-se quanto às consequências e efeitos: perda de capacidades, fadiga de processos, subemprego de recursos. Mas é uma janela de oportunidades: para investimentos, reconfigurações e mérito. ----- Diogo Alarcão, CEO da Mercer Portugal Será um ano muito desafiante e que ficará muito dependente da evolução da pandemia e da eficácia do plano mundial de vacinação. Apesar de tudo, estou otimista sobretudo no que se refere à recuperação económica nos EUA e UE. Portugal e outros países fortemente dependentes do turismo vão recuperar menos e mais lentamente. ----- Miguel Mascarenhas, CEO da Fixando Em 2021, seguem-se dois grandes desafios: por um lado, o da recuperação económica dos profissionais que não tiveram a capacidade imediata de garantir a continuidade dos seus negócios perante a pandemia; por outro, o do crescimento e da consolidação das ideias e projetos que nasceram na realidade que hoje vivemos. ----- Paulo Pimenta, CEO do Kuanto Kusta 2021 vai ser um ano ainda com muita incerteza, vai depender muito da eficácia da vacina e da retoma da economia à normalidade. Para Portugal é essencial que o turismo possa funcionar de novo para que a nossa economia não venha a sofrer demais, e que o desemprego baixe rapidamente. O e-commerce vai continuar a crescer, beneficiando dos novos hábitos de consumo e dos novos compradores online. ------ Nuno Rangel, CEO da Rangel Logistics Solutions 2021 será o ano para o nosso retorno à normalidade. Com a chegada da primeira vacina a Portugal, conseguimos finalmente ver a luz no final do túnel. Obviamente ninguém tem a certeza de como será a vida em 2021, mas no geral toda a gente está bastante confiante de que 2021 será melhor do que 2020. A verdadeira questão será quando, durante 2021, é que teremos o nosso retorno à normalidade. Acredito que vai ser muito gradual, mas acho que provavelmente, no próximo verão, já teremos a possibilidade de estar de volta a um quase normal, conforme vamos vacinando mais pessoas e vamos conseguindo chegar à imunidade de grupo, e, o mais importante, ir protegendo os mais frágeis e com isso salvar vidas. E espero que para o final de 2021, muitas das atividades que costumávamos considerar as nossas rotinas já as teremos de volta e nos sentiremos seguros novamente, com a possibilidade de conseguirmos já juntar toda a família para celebrar o Natal de 2021. Em termos económicos, vamos ter ainda um primeiro semestre muito difícil, principalmente nas áreas de negócio que foram muito afetadas pela pandemia, como o turismo. Portugal precisa de apostar novamente no turismo e garantir que os turistas se vão sentir seguros em viajar para Portugal. É essencial voltarmos a investir em captar eventos e feiras para Portugal. No segundo semestre, iremos assistir gradualmente a uma volta generalizada deste tipo de eventos. Temos de olhar para a nossa indústria, apoiar a reindustrialização e, com isso, apoiar não só as exportações que são um grande motor para o nosso crescimento, mas também apoiar as nossas empresas a internacionalizarem-se com abertura de filiais em outros países. A aposta na digitalização e na tecnologia é essencial e, aqui, Portugal necessita seriamente de investir. Outra aposta importante será o foco na defesa do ambiente e na aposta da transição energética. Temos uma oportunidade única para aproveitar todo o dinheiro que estará disponível de fundos europeus para apoiar o pós-crise, se o soubermos usar bem, podemos sair fortalecidos para os anos que virão depois de 2021. Na parte mais negativa, temos de estar bem preparados para o fim das moratórias, o nível de moratórias de crédito pedidas em Portugal e em vigor no momento são as mais elevadas da Europa e é necessário um acompanhamento muito próximo de todo este processo. Concluindo, vamos ainda ter um ano difícil pela frente, mas melhor que 2020. Começamos o ano já com as primeiras vacinas dadas em Portugal e com isso começamos 2021 com outra confiança. E acredito que temos todas as condições para começar gradualmente a ter um retorno à normalidade e, com as medidas certas, colocar o nosso país de volta a um crescimento económico. ------ Joaquim Cunha, Diretor executivo do Health Cluster Portugal Só posso ver 2021 com esperança porque muito dificilmente será pior do que o ano que agora findou. O grande desafio que coletivamente temos pela frente é o da recuperação de uma economia que, em alguns segmentos, bateu mesmo no fundo, o que teremos de fazer sabendo aproveitar o quadro de oportunidades que está pela frente. Na Saúde, área que me interessa em particular, o reforço da sua centralidade, que foi durante este ano evidente, terá de ser estruturante desta recuperação. ----- António Nogueira da Costa, CEO da Efconsulting A primeira metade do ano a sofrer as consequências da pandemia e a segunda metade a recuperar com o restabelecimento da confiança e da necessidade de as pessoas desfrutarem do enorme período das restrições de um ano e meio. ------ Manuel Reis Campos, Presidente da CPCI/AICCOPN Apesar de avanços muito positivos, tanto em relação à vacina, como à denominada "bazuca europeia", o arranque de 2021 ainda vai ser profundamente marcado pela crise que estamos a atravessar. As empresas e, em especial, o setor da construção e do imobiliário, que tem sido determinante para a economia e o emprego, vão ser decisivos. É necessário criar condições para resistir a esta conjuntura que se espera difícil nos próximos meses e recolocar o país numa trajetória de sustentabilidade. ----- Alexandre Nilo Fonseca, Presidente da ACEPI - Associação da Economia Digital A transformação digital da economia e da sociedade vai acelerar em 2021 em Portugal. Muitas das tendências que já se verificaram durante a pandemia serão o "novo normal": mais de 80% da população irá usar a internet no seu dia a dia - mais 50% dos utilizadores o farão com maior intensidade e sofisticação do que no passado, nomeadamente a fazer compras online e a usar a banca digital. O teletrabalho fará parte das rotinas de muitos portugueses bem como o ensino à distância. As empresas portuguesas -nomeadamente as PME - adotarão uma cada vez maior presença digital seja para vender produtos e serviços para o mercado interno seja para o mercado externo. O desenvolvimento das competências digitais dos profissionais e dos cidadãos irá ganhar particular relevância em 2021. ------ Filipe Garcia, Presidente da IMF - Informação de Mercados Financeiros O início de 2021 terá tanto de restrições como de esperança de retomar à normalidade. O pós-pandemia será forte em termos de consumo, devido à poupança acumulada. Porém, a retirada dos estímulos fiscais e monetários será desafiante porque virão à tona muitas das insolvências e o desemprego que se evitaram em 2020. A nível global, os governos terão dificuldade em abandonar o viés autoritário que a pandemia permitiu. Os conflitos com a China deverão acentuar-se, agora que está mais claro para o Ocidente que a sua posição está em risco. ----- Mário Azevedo Ferreira, CEO do NAU Hotels & Resorts Incerteza. Dependerá da velocidade de produção, entrega e disseminação da nova vacina. E dependerá da retoma da CONFIANÇA por parte dos governos - em reduzir as restrições - e dos consumidores - em voltarem a consumir como antes. Prevejo um primeiro trimestre tímido, um primeiro semestre com a confiança em crescendo, um segundo semestre de franca retoma e a transição para 2022 já com regresso aos hábitos de consumo normais. Mas ainda pode tudo correr mal. A palavra de ordem: CONFIANÇA. ------ João Levy, CEO da ECOserviços Ano muito difícil com o Estado a sufocar as empresas privadas. ------ Domingos Cruz, "Managing partner" da CCA Já foi quase tudo dito sobre o ano de 2020, um ano atípico, desafiante a todos os níveis, que nos apanhou (e continua a apanhar) de surpresa. Foi um duríssimo teste a governantes e governados, uma verdadeira parceria público-privada entre o Governo da República, as empresas e as famílias. Todos, individual e coletivamente, retirámos valiosas lições deste ano que acabou. Essas mesmas lições devem ser projetadas para 2021, um ano em que se espera que o novo normal seja progressivamente cada vez mais anormal. As opções estratégicas que o Governo tome agora irão provavelmente marcar as próximas décadas, mais investimento na economia de futuro, em I&D, na ciência e na cultura seria a única forma de alterar o paradigma dos últimos 50 anos da economia portuguesa, aperfeiçoar quadros legislativos, sofisticar os ambientes regulatórios e capacitar os serviços públicos e camarários são indispensáveis para atrair investimento estrangeiro e nacional sustentável e de qualidade. Em resumo, gostaria de ver mais política estratégica, de longo prazo, e menos política partidária, de curto prazo, coincidentes com ciclos eleitorais. ------ João Barros, CEO do Pagaqui Melhor seguramente. Depois de um ano de 2020 extraordinariamente atípico, não pelos melhores motivos, 2021 vai ser um ano de esperança, retoma e, talvez até, de alguma euforia. O cansaço provocado pela privação que representou o confinamento geral vai seguramente ser uma mola impulsionadora da economia via o consumo em geral. No setor dos pagamentos em particular, vamos continuar a assistir ao aumento significativo, quer dos pagamentos online, por via do significativo crescimento do e-commerce, quer dos pagamentos eletrônicos em detrimento do numerário. A necessidade acelerada de soluções de pagamento eletrônico, por via da pandemia, acelerou ainda mais a revolução digital em Portugal. Acredito assim que em 2021, vamos assistir a uma ainda maior aceleração da aceitação de pagamentos eletrónicos pelos comerciantes e assistir, de facto, a uma mudança permanente nas expectativas dos clientes - tornando as soluções digitais e de comércio eletrônico mais importantes do que nunca. ----- Carlos Barbot, Presidente das Tintas Barbot Portugal deveria preparar-se para ser mais competitivo. Nunca mais teremos tantos fundos ao nosso dispor. Se insistirmos em apoiar empresas sem hipóteses de sobrevivência (empresas que têm sistematicamente prejuízo) será uma péssima aplicação de fundos. Outro problema é o IRC. Enquanto o resultado estiver nas empresas não faz sentido tributá-lo, isso só devia acontecer quando passa para a esfera do acionista. O mesmo com o salário mínimo. Temos de começar a aumentá-lo pois faz aumentar a procura. Porém não pode ser taxado, pois nesse caso passa de consumo para imposto. Outro problema é a lei laboral. Se uma empresa quiser ir recrutar um jovem sem emprego por troca com um sénior verá que a indemnização é tão alta que dificilmente o fará. Todos estes temas foram vistos e resolvidos por países da comunidade com sucesso, é só copiar. ----- Pedro Penalva, CEO da Aon Portugal Todas as crises geram oportunidades e é desta forma que olhamos para 2021. Com preocupação, mas com otimismo e com foco para contribuir mais para o crescimento económico. As empresas têm de se adaptar a uma nova realidade, em que será necessário utilizar a gestão do risco como fonte de vantagem competitiva. ------ João Rui Ferreira, Presidente da APCOR Um ano de afirmação de valores importantes no contexto social e económico. Desde logo não haver recuos na implementação das políticas que promovam a sustentabilidade e a economia circular. Acredito ainda que haverá um reforço da confiança na ciência e no conhecimento como pilar essencial à competitividade das empresas e bem-estar das populações. Portugal a assumir um discurso de confiança e ambição colocando-se como pilar na relação entre países e continentes. Por último, colocar as empresas como pilar central do nosso plano de recuperação. ----- João Martinho, COO da Solutions 30 Vejo 2021 como um ano de viragem. Depois da crise pandémica vivida em 2020, teremos em 2021 a oportunidade de nos reorganizarmos, e implementarmos as transformações necessárias para iniciar o percurso de recuperação da economia, de forma sustentada, e consistente. ----- Sandro Mota Oliveira, CEO da Invest&Co Apesar de considerar que teremos um primeiro trimestre condicionado, espera-se que durante este período se verifique o levantamento progressivo das restrições. Em paralelo, acredito que o sucesso no processo de vacinação em larga escala gerará um efeito positivo nas expectativas dos agentes económicos, o que produzirá um impacto virtuoso na procura interna e dará um contributo decisivo no aumento do investimento. Fundamentalmente, importa que os níveis de confiança aumentem e a incerteza deixe de ser um óbice à dinâmica económica, resultando numa retoma gradual e sustentável. ----- Luís Barroso, Presidente da Mobi.e Será um ano marcado pela incerteza e pela esperança. Incerteza quanto à capacidade de aplicação generalizada das vacinas e aos seus efeitos, quanto aos efeitos do Brexit e quais as reais condições em que Trump irá deixar a presidência dos Estados Unidos da América. Mas ao mesmo tempo de esperança que as vacinas permitam debelar a pandemia a nível global e restaurar a confiança económico e a recuperação do emprego, esperança em que seja possível estabelecer um acordo equilibrado entre a União Europeia e a Inglaterra. Esperança em que Biden tenha capacidade para repor a normalidade das relações com os seus parceiros tradicionais como a União Europeia. Independentemente dos diferentes cenários de evolução possível, no que respeita à mobilidade elétrica será um ano em que se espera que continue a crescer e a aumentar a sua importância relativa no setor. ----- Francisco Marques da Silva, CEO da CLIP Muita incerteza! A nível internacional, ver como as economias reagem à crise provocada pela pandemia. Em termos geoestratégicos, curiosidade em relação aos EUA e o seu posicionamento em relação à China, Médio Oriente e aliança com a Europa. Em Portugal, a discussão do orçamento vai ser curiosa com os ex-parceiros, pois o preço a pagar para a sua aprovação poderá ser demasiado elevado, tornando a solução governativa inviável: eleições sem solução de governo. Economia dependente da evolução da pandemia. ----- Tiago Barroso, CEO da Everis Portugal 2021 continuará a ser um ano exigente, de combate à pandemia, mas também de esperança pela proximidade da recuperação social e económica, na qual espero que persista o ambiente de transformação e adaptação que temos vivido. Acredito que as crises são oportunidades de mudança e, por isso, devemos encarar o novo ano com otimismo e o entusiasmo necessário para prosseguirmos a transição digital e energética que estamos a viver, para que, na próxima década, tenhamos um planeta mais sustentável e uma sociedade mais justa, equilibrada e próspera. ----- Luís Urmal Carrasqueira, Diretor-geral da SAP Portugal Temos de estar cientes das dificuldades que ainda vamos sentir em 2021; mas também otimistas por via da vacinação que ganhará escala e que terá repercussões na confiança de todos os agentes económicos. Também não deveremos esquecer a expectativa das empresas face aos apoios oriundos da UE. Por certo que a digitalização vai estar no topo das agendas, bem como a identificação de oportunidades por parte das empresas nacionais. Estas deverão posicionar-se como uma alternativa nas redes de abastecimento às grandes indústrias europeias, altamente dependentes da Ásia. Socialmente, aguarda-nos uma retoma gradual da circulação e do contacto entre pessoas, associada aos novos hábitos de trabalho entretanto adquiridos. ----- Bruno Bobone, Presidente Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa Todos esperamos que 2021 seja um ano de recuperação. Mas, mais do que isso, deve ser um ano de reinvenção. Devemos aprender com o que vivemos. E, por isso, as nossas prioridades devem ser redefinidas. A pessoa tem de estar no centro das nossas estratégias. As empresas devem ser estimuladas para que estejam preparadas para a retoma e para levar o país a patamares anteriores. Uma melhor criação de riqueza para que nos possamos concentrar na felicidade da pessoa é a minha receita para o próximo ano. Deixemos de decidir por medo e tenhamos a coragem de viver, com riscos, mas com o objetivo de criar uma sociedade que verdadeiramente nos permita, a todos, ser felizes! ------ Renato Carreira, Partner da Deloitte O ano de 2021 será certamente ainda muito marcado pelos efeitos económicos e sociais decorrentes da pandemia provocada pela covid-19. Não obstante, os agentes económicos nacionais deverão encontrar nas adversidades uma oportunidade de transformação da economia portuguesa, criando as condições para que sejamos mais competitivos no contexto internacional, com base no incremento do conhecimento e da formação das pessoas e na aposta na sustentabilidade ambiental e de utilização dos recursos. A capacidade de utilizarmos os fundos comunitários como alavanca para a melhoria estrutural do nosso tecido empresarial e da nossa economia ditará parte do sucesso de Portugal nos próximos anos. ----- Ana Monteiro, Diretora-geral da Summer Vanguard Em 2021 será importante as empresas terem o foco no que realmente gere produtividade e rendibilidade às organizações, para se manterem a laborar. Seguidamente promoverem investimento em tecnologia, produtos e processos inovadores a pensarem essencialmente no depois de 2021. Ao mesmo tempo a procurarem novos clientes e/ou adaptarem-se a novas exigências e procura dos consumidores. As organizações desde sempre têm que se reinventar diariamente a nível organizacional, investigarem novos métodos de produção e novas formas de fazerem negócios. Conseguirem o segmento de mercado que interessa de forma rápida e chegarem a vários pontos do globo será ponto essencial para o sucesso. Havendo o produto e o serviço procurado, a rapidez e a flexibilidade com que se atua no mundo dos negócios fará a diferença em 2021. ------ Paula Casa Nova, CEO da Europ Assistance Portugal Em 2021, vamos estar mais bem preparados para enfrentar a evolução da pandemia e estou convicta que já avistaremos a luz ao fundo do túnel. Mas isso exige de todos -das empresas aos colaboradores, dos Governos aos consumidores -um esforço adicional para se cumprirem as medidas necessárias de combate à pandemia, sem esquecer paralelamente a necessária dinamização da economia. Com a crescente digitalização assistiremos à consolidação de novas formas de trabalho. Será sobretudo um ano de transição para uma realidade nunca vista e que trará, certamente, novas oportunidades, responsabilidades e esperemos que fortes "lessons learnt". ----- Francisco Banha, Presidente do Grupo Gesbanha O ano 2021 será extremamente desafiante a três níveis: gestão da tesouraria e liquidez das empresas, mitigação do aumento do desemprego e (potencial) fricção entre rotinas individuais recentemente adquiridas (durante a pandemia) e o regresso expectável à vida em Comunidade. Uma visão e ação mais empreendedora a nível individual e empresarial será condição necessária para ultrapassar estes desafios, nomeadamente por parte daqueles que tendo acesso à inovação e ao conhecimento, estarão mais capacitados para aproveitar o conjunto de oportunidades que a crise sanitária, económica e social, também fez emergir.