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  • OTS 12,500

Entrevista | Duarte de Athayde, managing partner da Abreu e Associados

  • Jornal de Negócios
  • Imprensa
  • João Maltez
  • 5/21/2020
  • 5 min

“Pandemia cria grande incerteza no setor jurídico” Advogado diz que é impossível prever cenários a um período superior a seis meses. “Danos da pandemia criam grande incerteza ao setor jurídico” Hoje, face à crise económica criada pela pandemia da covid-19, “é quase impossível prever cenários para um período superior a seis meses”, admite Duarte de Athayde, líder da Abreu Advogados. João Maltez | [email protected] Este é um balanço ao anterior exercício, mas também uma forma de aferir que respostas estão a ser dadas pela Abreu Advogados à atual exigente conjuntura económica. Duarte de Athayde, líder daquela sociedade de advogados, admite que “o setor jurídico terá, certamente, um grande desafio em ‘mãos’ na assessoria aos clientes, perante a incerteza dos efeitos colaterais desta pandemia”. O sucesso da missão, como o da economia como um todo, dependerá, acredita, das respostas que forem dadas quer a nível nacional quer europeu. Que advocacia poderá sair da atual crise? Ao dia de hoje ainda não temos certezas quanto ao verdadeiro impacto na economia e é quase impossível prever cenários para um período superior a seis meses. A minha convicção é que há a necessidade premente de os escritórios de advogados entenderem os desafios e novas realidades dos seus clientes e apoiar na definição estratégica e sustentável os seus negócios. É um desafio para todo o setor jurídico? O setor jurídico terá, certamente, um grande desafio em “mãos” na assessoria aos clientes , perante a incerteza dos efeitos colaterais desta pandemia. A assessoria jurídica terá também, mais do que nunca, um papel crucial na continuação da partilha de informação estratégica às empresas para aspetos como as medidas públicas de suporte à liquidez ou a revisão dos planos de crise. E que Abreu Advogados vai sair da crise económica? Ainda que o futuro seja neste momento igualmente “nublado” para todos os setores da economia, a nossa resposta nesta primeira fase foi um “teste de stress” à nossa cultura corporativa de inovação e proximidade e, creio, que temos “nota positiva”. Os clientes poderão contar com uma Abreu acessível, flexível e a trabalhar o presente com o foco no futuro e na sustentabilidade da atividade. De que forma se adaptou a sociedade ao atual contexto? A adaptação a esta nova realidade foi mais rápida e ágil do que previsto nos nossos melhores cenários. Todo o processo foi acelerado pela existência de um plano já existente de contingência dedicado a situações de epidemia e pandemia. Permitiu-vos dar uma resposta mais rápida? Permitiu-nos identificar claramente as prioridades e nível de resposta para cada área de gestão e produção. Com que meios? A tecnologia foi um elemento-chave na nossa adaptação, pois permitiu-nos, em poucos dias, ter todas as equipas em teletrabalho. Por outro lado, detínhamos um forte sistema de cibersegurança em pleno funcionamento, o que foi essencial. Asseguradas estas condições, dedicámos a nossa atenção à adaptação das condições de contacto com os clientes, cuja prioridade era o acesso a informação ajustada à realidade dos seus negócios e operações. Quais foram e quais são agora as principais preocupações manifestadas pelos vossos clientes? Neste momento, temos clientes em situações muito diferentes, mas todos com a mesma dúvida quanto ao futuro, pela imprevisibilidade do rescaldo desta pandemia. Na primeira fase da crise sanitária, o foco estava na ponderação de medidas de suporte à liquidez e na tomada de decisões que permitissem a continuidade do negócio. Já estamos na fase de desconfinamento? Nesta fase surgem também as questões relacionadas com o acesso às medidas do Governo e a reabertura da atividade e o acolhimento dos trabalhadores, com todas as questões inerentes à segurança dos colaboradores. O Governo adotou as medidas certas? Creio que Portugal contou com medidas ajustadas à nossa realidade e que o Governo foi rápido e eficaz nas decisões que tomou. Com o retomar da atividade surgem agora novos dilemas. Espera-se coragem e firmeza do Governo para que não danifiquemos mais a nossa economia e não percamos a competitividade. Quanto às respostas que a União Europeia está a dar a esta crise. São as adequadas? Creio que as respostas da União Europeia têm sido globalmente adequadas. A proposta do eixo franco-alemão será exequível? Alemanha e França acabam de anunciar essa proposta de criação pelos 27 de um fundo de 500 mil milhões destinado a financiar a recuperação europeia e prevê transferências diretas para os Estados. Admito que talvez não sejam suficientes em função dos compromissos políticos exigidos. Portugal terá de fazer um esforço muitíssimo relevante para conseguir a retoma da economia e do emprego e o Estado terá de estar à altura de estabilizar os riscos sistémicos. ----- Faturação cresceu cinco milhões de euros em 2019 Depois de um ano marcado por um conjunto de contratações relevantes, que Abreu Advogados chegou a 2020, antes desta pandemia? A Abreu Advogados teve um ano de 2019 excecional em quase todos os seus indicadores. Acolhemos quatro novos sócios, com uma já destacada posição no mercado português e internacional, todos identificados com o nosso projeto e cultura: Manuel Santos Vítor, em M&A, Nuno da Cunha Barnabé, em fiscal, António Andrade, em “life sciences”, e Martim Menezes, em contencioso. Foi também o ano em que apresentámos ao mercado a nossa nova identidade visual, espelhando a consolidação da nossa posição de liderança entre as quatro maiores sociedades de advogados independentes em Portugal. Que valor de faturação registaram em 2019? A Abreu Advogados chegou ao final de 2019 com um crescimento acima do previsto. Atingimos um valor de faturação de 30 milhões de euros, o que representa um crescimento de cinco milhões (17%) face aos resultados de 2018. Que peso teve a exportação de serviços jurídicos nessa faturação? No ano passado, quatro em cada 10 operações que assessorámos foram “cross-border”. Este foi mais um ano de crescimento no número e na dimensão das operações internacionais que acompanhámos. Além disso, em 2019 reforçámos ainda a aposta na afirmação da nossa presença em mercados onde já éramos referência. A que mercados se refere? Refiro-me ao Brasil, Angola, Timor, Macau e, com mais destaque, Moçambique, onde apresentámos uma nova marca e um novo escritório numa das principais avenidas de Maputo. De que modo veio a atual pandemia limitar a estratégia de crescimento delineada para a Abreu Advogados? A nossa estratégia para 2020 teve de ser adaptada e conduziu a importantes reajustes nos investimentos previstos, mas a situação atual veio também reforçar a continuidade de outros aspetos da nossa estratégia de crescimento. Em 2019 apostámos no reforço da liderança da Abreu para algumas áreas de prática e setores, integrando inovação e tecnologia nos serviços jurídicos, tendo como foco o ciclo da atividade dos nossos clientes.

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Entrevista | Duarte de Athayde, managing partner da Abreu e Associados

“Pandemia cria grande incerteza no setor jurídico” Advogado diz que é impossível prever cenários a um período superior a seis meses. “Danos da pandemia criam grande incerteza ao setor jurídico” Hoje, face à crise económica criada pela pandemia da covid-19, “é quase impossível prever cenários para um período superior a seis meses”, admite Duarte de Athayde, líder da Abreu Advogados. João Maltez | [email protected] Este é um balanço ao anterior exercício, mas também uma forma de aferir que respostas estão a ser dadas pela Abreu Advogados à atual exigente conjuntura económica. Duarte de Athayde, líder daquela sociedade de advogados, admite que “o setor jurídico terá, certamente, um grande desafio em ‘mãos’ na assessoria aos clientes, perante a incerteza dos efeitos colaterais desta pandemia”. O sucesso da missão, como o da economia como um todo, dependerá, acredita, das respostas que forem dadas quer a nível nacional quer europeu. Que advocacia poderá sair da atual crise? Ao dia de hoje ainda não temos certezas quanto ao verdadeiro impacto na economia e é quase impossível prever cenários para um período superior a seis meses. A minha convicção é que há a necessidade premente de os escritórios de advogados entenderem os desafios e novas realidades dos seus clientes e apoiar na definição estratégica e sustentável os seus negócios. É um desafio para todo o setor jurídico? O setor jurídico terá, certamente, um grande desafio em “mãos” na assessoria aos clientes , perante a incerteza dos efeitos colaterais desta pandemia. A assessoria jurídica terá também, mais do que nunca, um papel crucial na continuação da partilha de informação estratégica às empresas para aspetos como as medidas públicas de suporte à liquidez ou a revisão dos planos de crise. E que Abreu Advogados vai sair da crise económica? Ainda que o futuro seja neste momento igualmente “nublado” para todos os setores da economia, a nossa resposta nesta primeira fase foi um “teste de stress” à nossa cultura corporativa de inovação e proximidade e, creio, que temos “nota positiva”. Os clientes poderão contar com uma Abreu acessível, flexível e a trabalhar o presente com o foco no futuro e na sustentabilidade da atividade. De que forma se adaptou a sociedade ao atual contexto? A adaptação a esta nova realidade foi mais rápida e ágil do que previsto nos nossos melhores cenários. Todo o processo foi acelerado pela existência de um plano já existente de contingência dedicado a situações de epidemia e pandemia. Permitiu-vos dar uma resposta mais rápida? Permitiu-nos identificar claramente as prioridades e nível de resposta para cada área de gestão e produção. Com que meios? A tecnologia foi um elemento-chave na nossa adaptação, pois permitiu-nos, em poucos dias, ter todas as equipas em teletrabalho. Por outro lado, detínhamos um forte sistema de cibersegurança em pleno funcionamento, o que foi essencial. Asseguradas estas condições, dedicámos a nossa atenção à adaptação das condições de contacto com os clientes, cuja prioridade era o acesso a informação ajustada à realidade dos seus negócios e operações. Quais foram e quais são agora as principais preocupações manifestadas pelos vossos clientes? Neste momento, temos clientes em situações muito diferentes, mas todos com a mesma dúvida quanto ao futuro, pela imprevisibilidade do rescaldo desta pandemia. Na primeira fase da crise sanitária, o foco estava na ponderação de medidas de suporte à liquidez e na tomada de decisões que permitissem a continuidade do negócio. Já estamos na fase de desconfinamento? Nesta fase surgem também as questões relacionadas com o acesso às medidas do Governo e a reabertura da atividade e o acolhimento dos trabalhadores, com todas as questões inerentes à segurança dos colaboradores. O Governo adotou as medidas certas? Creio que Portugal contou com medidas ajustadas à nossa realidade e que o Governo foi rápido e eficaz nas decisões que tomou. Com o retomar da atividade surgem agora novos dilemas. Espera-se coragem e firmeza do Governo para que não danifiquemos mais a nossa economia e não percamos a competitividade. Quanto às respostas que a União Europeia está a dar a esta crise. São as adequadas? Creio que as respostas da União Europeia têm sido globalmente adequadas. A proposta do eixo franco-alemão será exequível? Alemanha e França acabam de anunciar essa proposta de criação pelos 27 de um fundo de 500 mil milhões destinado a financiar a recuperação europeia e prevê transferências diretas para os Estados. Admito que talvez não sejam suficientes em função dos compromissos políticos exigidos. Portugal terá de fazer um esforço muitíssimo relevante para conseguir a retoma da economia e do emprego e o Estado terá de estar à altura de estabilizar os riscos sistémicos. ----- Faturação cresceu cinco milhões de euros em 2019 Depois de um ano marcado por um conjunto de contratações relevantes, que Abreu Advogados chegou a 2020, antes desta pandemia? A Abreu Advogados teve um ano de 2019 excecional em quase todos os seus indicadores. Acolhemos quatro novos sócios, com uma já destacada posição no mercado português e internacional, todos identificados com o nosso projeto e cultura: Manuel Santos Vítor, em M&A, Nuno da Cunha Barnabé, em fiscal, António Andrade, em “life sciences”, e Martim Menezes, em contencioso. Foi também o ano em que apresentámos ao mercado a nossa nova identidade visual, espelhando a consolidação da nossa posição de liderança entre as quatro maiores sociedades de advogados independentes em Portugal. Que valor de faturação registaram em 2019? A Abreu Advogados chegou ao final de 2019 com um crescimento acima do previsto. Atingimos um valor de faturação de 30 milhões de euros, o que representa um crescimento de cinco milhões (17%) face aos resultados de 2018. Que peso teve a exportação de serviços jurídicos nessa faturação? No ano passado, quatro em cada 10 operações que assessorámos foram “cross-border”. Este foi mais um ano de crescimento no número e na dimensão das operações internacionais que acompanhámos. Além disso, em 2019 reforçámos ainda a aposta na afirmação da nossa presença em mercados onde já éramos referência. A que mercados se refere? Refiro-me ao Brasil, Angola, Timor, Macau e, com mais destaque, Moçambique, onde apresentámos uma nova marca e um novo escritório numa das principais avenidas de Maputo. De que modo veio a atual pandemia limitar a estratégia de crescimento delineada para a Abreu Advogados? A nossa estratégia para 2020 teve de ser adaptada e conduziu a importantes reajustes nos investimentos previstos, mas a situação atual veio também reforçar a continuidade de outros aspetos da nossa estratégia de crescimento. Em 2019 apostámos no reforço da liderança da Abreu para algumas áreas de prática e setores, integrando inovação e tecnologia nos serviços jurídicos, tendo como foco o ciclo da atividade dos nossos clientes.